Os golos da jornada

Início a rodada de uploads com o golo somado pelo Alavés contra o Real Madrid para vos mostrar a simplicidade de processos da turma da casa na construção desta jogada e a atípica hesitação (patetice) de Raphael Varane no ataque a um lance aéreo.

O médio Burgui não só conseguiu na sua acção sair muito bem da pressão realizada por dois adversários, com a bola bem coladinha, em drible curtinho, ao pé direito (noutras ocasiões, pude reparar que o médio do Alavés é um jogador que não só consegue sair bem das situações de pressão como é um médio com uma técnica individual que lhe permite criar desequilíbrios em espaços muito reduzidos porque é um jogador que cola muito bem a bola ao pé e consegue mudar com rapidez a direcção do drible, dificultando a tarefa de quem o defende) como conseguiu rodar muito bem para se virar de frente para o jogo e para a oportunidade de progressão que lhe é aberta por Mounir El Haddadi na desmarcação para as costas de Sérgio Ramos. Com tempo e espaço para cruzar, o avançado colocou uma bola perfeita para a entrada em zona de finalização de Manu Garcia perante uma atitude atípica de Varane no ataque ao esférico.  Continuar a ler “Os golos da jornada”

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Slimani

Mais uma jogada cujos méritos pertencem por inteiro ao trabalho que Jorge Jesus fez com o jogador na temporada que o orientou. Não me venham com conversa fiada. Nem Leonardo Jardim nem Marco Silva conseguiram trabalhar com o jogador este tipo de movimentações nem conseguiram muito menos, desenvolver-lhe aqueles rudimentares atributos técnicos (toda a gente se recorda certamente da parede que Slimani era nas primeiras temporadas em Alvalade nas situações nas quais vinha ao exterior participar nos processos de circulação da equipa), atributos que hoje lhe permitem ser um ponta-de-lança completamente diferente daquele que chegou a Alvalade.

Os golos do dia

Quando pensamos que o modelo de jogo de Sarri poderá estar perto da sua exaustão, eis que o técnico italiano nos surpreende com algo de novo. Ao observar o jogo disputado pelos napolitanos em Verona frente ao Hellas, pude constatar a congeminação de um novo processo ofensivo a envolver os dois homens da faixa esquerda. Para o explicar, preciso de recuar aos processos de circulação\movimentações\acções base mais utilizados pela equipa (a envolver a participação do extremo) até aos últimos jogos. Continuar a ler “Os golos do dia”

Hoje Escreves tu #13 – Como avaliar a era Jesus, Mestre da Táctica, no Sporting? – 1ª parte

Por Miguel Condessa

Pontos prévios para perceberem onde me situo e onde situo o meu clube de coração para fazer esta análise:

  • O Sporting, dado o seu passado recente, chegou às mãos do Bruno de Carvalho (BdC) numa situação muito fragilizada em relação aos seus rivais, quer em termos de activos que possuía, quer em termos monetários/económicos, quer em termos de organização, quer do clube, quer da SAD, quer em termos de poder no desporto em Portugal! Estaria muito mais próximo do que é a realidade do Sporting de Braga do que seriam, e são, as realidades do Porto e, especialmente, do Benfica que nessa altura já dominava em quase todas as vertentes.
  • Não sou um admirador incondicional do Jesus. Reconheço-lhe mérito técnico-táctico como treinador, acho-o um bom treinador de campo, que lê bem os jogos, mas também lhe reconheço grandes deficiências noutras valias fundamentais a um treinador que, em conjunto com as primeiras, acabam por fazer o treinador no seu todo. Além disso acho-o uma pessoa muito limitada. É muito centrada no seu Ego, raramente assumindo os erros que comete – que não são tão poucos como isso. No geral acho-o um bom treinador, que poderia ser muito melhor se fosse uma pessoa mais culta e mais equilibrada, com a dose de humildade que normalmente os grandes seres têm – quem é grande, mesmo, nunca precisou de se colocar em bicos dos pés. Não é, nem pouco mais ou menos, o que pintam dele, e muito menos o que ele pensa de si próprio.
  • Jesus, no geral, é um treinador no mesmo patamar de um Vilas Boas, de um Marco Silva, de um Rui Vitória, de um Paulo Fonseca, de um Vitor Pereira, e até há pouco tempo até do Jardim, que esta época demonstrou que já está num patamar superior, mais próximo do Mourinho! Terá umas características melhores, outras piores, como todos. E, para mim, é a soma disso tudo que os coloca a todos num mesmo patamar, mesmo que determinadas características possam indicar um mais que os outros para determinado momento num determinado clube.
  • Diminuir esse fosso gigante requeria um trabalho monstruoso de reorganização a todos os níveis e uma elevada percentagem de acerto, quase a roçar o 100%, nas tomadas de decisão necessárias. No que ao futebol diz respeito, que é basicamente o que interessa para aqui, requeria uma acertada remodelação do futebol, a dispensa acertada do entulho que por lá havia e a contratação cirúrgica e acertada de novos jogadores, gastando pouco e bem, ao mesmo tempo se fazia um esforço para manter os bons jogadores que já tínhamos. Continuar a ler “Hoje Escreves tu #13 – Como avaliar a era Jesus, Mestre da Táctica, no Sporting? – 1ª parte”

Slimani, mais uma vez!

Não, tudo o que foi feito com a evolução deste jogador não pertence à “mão dourada” de Marco Silva. Não, os indices físicos deste jogador, a sua mobilidade, a sua capacidade em vir atrás participar mais nos processos colectivos da equipa não foram obra e graça de Marco Silva. Não, não foi Marco Silva que colocou 30 milhões nos cofres de Alvalade. O “Slimani” de Marco Silva estava longe de ser o Islam Slimani da actualidade. Muito longe! Por mais que só queiram apontar as virtudes ao técnico português (naturalmente percebemos a razão que leva a imprensa portuguesa a levar Marco Silva nas palminhas; se fosse vendido em vez de despedido da forma bruta como foi por Bruno de Carvalho, estou certo que não teria metade do hype que tem na actualidade) e eu até sou justo o suficiente para lhe apontar 2 grandes trabalhos no Estoril e no Hull (porque no Olympiacos, face às evidências do destruído campeonato grego, até o Paulo Bento vai ser campeão apesar de ter sido despedido). Já na sua passagem pelo Sporting, pesada a conquista da Taça de Portugal e o bonito futebol que a equipa praticou a espaços, a época foi muito irregular. Quando uma temporada é marcada pela irregularidade, não se pode dizer que um treinador tenha feito um bom trabalho.

O clássico “à Slimani”

Eu creio que ninguém em Leicester se apercebeu da qualidade do ponta-de-lança que compraram por 30 milhões de euros. Eu não desgosto da rapidez e da matreirice do Ahmed Musa, da potência e pragmatismo de Andrej Kramaric nem tão pouco da profundidade que Jamie Vardy dá ao jogo mas com um homem de área deste género difícil, com jogadores tão bons a cruzar como Riyad Mahrez, Marc Albrighton, Christian Fuchs difícil é não apostar num modelo de jogo pragmático de colocação de bolas para o forte jogo aéreo do argelino. Não resisto a finalizar este post com um trocadilho: não é preciso ser um Shakespeare para perceber que quando o argelino é bem servido, não falha!

Bas Dost e Islam Slimani no mesmo onze? Sim, é possível

Quando o ponta-de-lança holandês chegou a Alvalade para substituir o ponta-de-lança argelino, toda a imprensa bem como alguns adeptos do Sporting não se fizeram rogados para apontar as diferenças nas características dos dois jogadores, sem atentar ao que Slimani era quando chegou a Alvalade em 2013 ou ao normal período de adaptação de Bas Dost ao novo país, à nova cidade, à lingua e à cultura do nosso país, aos métodos de treino do seu novo treinador e aos processos colectivos e individuais trabalhados por este.

Efectivamente, o ponta-de-lança holandês é um jogador que actua preferencialmente como referência de área, como target man, ou seja, um jogador que põe praticamente toda a equipa a jogar para ele. O que acontece é que Slimani também o era com Leonardo Jardim e com Marco Silva em virtude das suas limitações técnicas. Uma das grandes virtudes do trabalho realizado por Jorge Jesus com o jogador foi precisamente na evolução deste nas vertentes técnico-tácticas. Slimani saiu do casulo onde passava jogos inteiros para vir atrás participar nos processos de jogo da equipa, começou a segurar melhor a bola e a praticar melhor as tabelas (principalmente com João Mário, Adrien e Bryan Ruiz), começou a ir às alas buscar jogo para esticar os lançamentos de linha lateral (processo de jogo que tantos centrais arrastou e que tantos espaços abriu para a obtenção de golos) e começou a pressionar melhor, o que efectivamente dificultava a construção a partir de trás da equipa adversária.

Quando Bas Dost chegou, toda a gente lhe impingiu que fosse uma cópia de Slimani. O holandês não é Slimani. Tecnicamente é ligeiramente melhor que Slimani mas não é tão rápido a executar. Ao nível de processos tem vindo a melhorar porque Jorge Jesus executou com o holandês a mesma fórmula que já tinha executado com Slimani e ao nível de finalização, fazendo jûs às características dos pontas-de-lança holandeses (jogadores de um toque, o da finalização) é ligeiramente melhor que Slimani, precisando de menos oportunidades crassas para enfiar o seu golito na baliza adversária.

Os dois jogadores são incompatíveis se vierem a jogar juntos?

Não, não são.

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