Giro de Itália – Etapa 15 – Bob Jungels vence na chegada a Bérgamo

Aproveito o último dia de descanso pré-definido para poder recuperar a etapa em atraso na cobertura exaustiva que tenho vindo a fazer da 100ª edição do Giro de Itália. A 15ª tirada da prova, disputada ontem na região da Lombardia na distância de 199 km entre Valdegno e a cidadela de Bérgamo, foi a meu ver uma das etapas mais emocionantes da corrida. O desenho escolhido pela organização da prova foi per se garante de espectáculo.

As curtas mas duras contagens de montanha estacionadas nos 50 km finais (O Miragolo de San Salvatatore, 2ª categoria com uma percentagem média de inclinação de 9% e a subida a Selvino; uma curta mas dura terceira categoria de 8% de inclinação média), as técnicas descidas que os ciclistas tiveram de enfrentar a seguir à passagem pelas contagens de montanha e a rampa (em paralelo) de km e meio colocada a 4 km da meta na aproximação à linha de chegada (na cidadela de Bérgamo) previam um explosivo cenário de “clássica” (na região que acolherá mais para a frente o Giro da Lombardia) que poderia trazer diferenças para a geral e alguns contratempos.

Os contratempos vieram a existir. Na descida do Miragolo, Nairo Quintana caiu, sendo projectado contra um rail na berma da estrada. Na descida final, Davide Formolo da Cannondale, atleta que está na luta por um lugar no top 10 também caiu, perdendo 14 segundos para os seus rivais no final da etapa. Nos quilómetros finais, a organização da prova viria a provocar novos estragos na corrida depois do episódio lamentável ocorrido na subida ao Blockhaus: sem sinalização nos obstáculos (rotundas, passeios de sinais de trânsito), a chegada a Bergamo seria marcada pela terrível queda do 7º à geral Tanel Kangert da Astana. O ciclista estónio deu um trambolhão de todo o tamanho que o levou ao hospital com um ombro partido e com 3 fracturas no braço, devendo falhar o resto da temporada porque o tempo de paragem será de meio ano.

Outros ciclistas de menor importância também foram ao tapete: Adam Hansen (Lotto-Soudal), Alex Edmonsson (Orica) e Kenny Elissonde (Sky) também haveriam de cair, continuando porém a sua corrida apesar das lesões registadas nas mãos e nos braços. No meio do caos instalado, ao qual não escapou Rui Costa (descolou do pelotão na subida para Miragolo, vindo a perder 8 minutos para o vencedor) Bob Jungels deu, numa chegada em sprint restrito, a 5ª vitória em etapas à Quickstep na presente edição do Giro de Itália.
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Giro de Itália – Etapa 8 – A vitória de Gorka Izaguirre na chegada do Giro à costa do Adrático

A 8ª tirada da prova, com final marcado para a dura subida de 1km ao centro de Peschichi, pequena vila turística de 4500 habitantes na região da Puglia (pronvincia de Foggia) com vista privilegiada para o azul claro do mar Adriático convidava, devido à “ondulação” do terreno (188 km de puro sobe e desce) à eventual saída numa fuga de puncheurs ou de gregários de luxo das várias equipas.

Nas 3 fugas do dia, saíram homens com algum estatuto dentro das suas respectivas equipas. Se um dos fugitivos se tratou do próprio chefe-de-fila da Astana na prova italiana (o caça etapas Luis León Sanchez ), outros foram nem mais nem menos do que os principais gregários de luxo dos principais candidatos à vitória na geral individual, casos de Gorka Izaguirre (gregário de Nairo Quintana na Movistar) e Giovanni Visconti (gregário de Vincenzo Nibali na Bahrain-Mérida). Na subida final Gorka Izaguirre haveria de somar o seu primeiro triunfo no Giro, igualando o pecúlio particular na prova do seu irmão Ion Izaguirre (actualmente na Bahrain-Mérida).  Continuar a ler “Giro de Itália – Etapa 8 – A vitória de Gorka Izaguirre na chegada do Giro à costa do Adrático”

Antevisão ao Giro de Itália 2017 – As equipas e os corredores (1ª parte)

Com vários vencedores e ciclistas que conseguiram alcançar o pódio nas últimas edições presentes, o vencedor de 2016, Vincenzo Nibali será o principal alvo a abater! Feita a apresentação do desenho da prova no post anterior, vamos apresentar neste e noutro post que há de surgir mais logo as figuras que irão correr nas próximas 3 semanas no certame italiano.

Muitos tem afiançado que perante a ausência de Chris Froome, Alberto Contador, Alejandro Valverde e Richie Porte, a edição de 2017 poderá gerar uma luta feroz nas montanhas entre Vincenzo Nibali, Nairo Quintana e Thibault Pinot. Não poderei ser de todo tão redutor quanto a este post, face à massiva presença da nata do pelotão mundial na prova italiana. Por outro lado, para além de não termos visto Nibali e Quintana correr na Volta a Romândia (o italiano preferiu ir à Croácia fazer a sua preparação, vencendo a Volta daquele país) e de termos visto na prova suiça um Thibault Pinot que decerto não se apresentará na máxima forma no Giro, creio que poderemos ter surpresas. A Cannondale tem por exemplo 3 ciclistas que poderão marcar a diferença porque se encontram em grande forma (a dupla de Davides, Vilella e Formolo e o canadiano Michael Woods). Outra das surpresas poderá ser Geraint Thomas. O ciclista galês da Sky parece-me neste momento da temporada em melhor forma que Mikel Landa. Bauke Mollema (Trek) também poderá ter uma palavra a dizer numa edição em que não terá Alberto Contador por perto.  Continuar a ler “Antevisão ao Giro de Itália 2017 – As equipas e os corredores (1ª parte)”