Six Stars 2017: uma excelente oportunidade para ver os craques do passado em acção

A Arena O2 em Londres tem recebido nos últimos dias o Six Stars Tournament, torneio de selecções que junta alguma das maiores vedetas do passado. Verdadeiros consagrados da história do futebol mundial como Robert Pirès, Marcel Desailly, Rivaldo, Juninho Paulista, Michael Ballack, Roberto Carlos, Deco, Steven Gerrard, Angelo Di Livio, Youri Djorkaeff, Alessandro Del Piero entre outros tem disputado interessantes duelos (no formato de 6×6 em campo reduzido) no sintético instalado naquela arena londrina. O torneio é uma oportunidade de ouro para rever em acção os grandes craques do passado. Passei toda a noite a ver os highlights dos jogos até agora realizados. Vi com o maior prazer possível. Pelo que vi posso afirmar que alguns destes jogadores ainda teriam lugar em muitos clubes de 1ª divisão dessa Europa. Grande parte dos duelos tem sido disputados a um pace muito tranquilo, com muita brincadeira à mistura. No entanto, a meio de alguns jogos viveram-se alguns momentos de rivalidade. O jogo entre a “selecção inglesa” e a “selecção escocesa” foi um deles. Continuar a ler “Six Stars 2017: uma excelente oportunidade para ver os craques do passado em acção”

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Bloco de Notas da História #12 – Emmanuel Amunike

Nos últimos dias, a propósito da brilhante reportagem que a televisão brasileira fez com Ivaylo Iordanov, do 51º aniversário do seu compatriota Krasimir “Mágico” Balakov (um dos meus ídolos de infância, apesar de alguns amigos da minha família terem ganho o hábito de me chamar Cadete; acima de Balakov, só o próprio Luís Figo) e de outras recordações como o fantástico golo de bicicleta de Juskowiak ao Boavista, hoje recordado pela página de facebook do Sporting, veio-me à cabeça o nigeriano Emmanuel Amunike, um dos melhores senão o melhor jogador africano que passou pelo futebol português.

Indissociável do jogador está na minha memória, este jogo, o da “pedrada” em Amunike. Logo que o nigeriano marcou, mesmo ali à frente dos meus olhos, um ignóbil adepto do Beira-Mar ligado aos Comandos Duros, a antiga claque dos aveirenses tratou de o arrumar com uma pedrada na cabeça. O nigeriano ficou imediata e irremediavelmente estendido junto à bandeirola de canto até ser assistido durante largos minutos pela equipa médica da equipa leonina. No fundo, ele só queria comemorar o golo ao jeitinho de todos os jogadores africanos com as suas bizarras danças.

Estávamos no tempo em que tudo parecia difícil. O Sporting poderia ter de longe um plantel muito superior aos dos outros rivais, mas aquele título, aquele título que escapava pelas mãos há mais de uma década, estava tão mas tão longínquo. Para minha sorte, o meu sportinguismo e o sportinguismo dos meus pais e do meu avô materno Zé (o outro era dado a coisas de lampiões, pese embora não ligasse muito a futebol; só ficava danado quando o Jardel marcava) era uma fé muito mais imbatível que me permitiu, a toque de caixa, ver mais jogos do Sporting no estádio que o meu irmão. Nem que isso implicasse ter que andar a fugir de bancada em bancada das pedradas dos adeptos do Vitória de Guimarães no antigo D. Afonso Henriques. Foi assim que cultivaram o amor romântico que ainda hoje possuo pelo clube. O Sporting fez e fará sempre parte da minha vida. Uma parte gigantesca da minha vida. O meu amor (doentio e incurável) pelos rapazes de verde e branco é fonte que nunca terminará de jorrar.

Mesmo assim aquele Sporting de Queiroz e aquele Sporting de Robson era um fenómeno louco que arrastava mais multidões para todo o lado que as multidões que Jesus Cristo e os seus discípulos arrastavam na Galileia. Apresentado como um jogador altamente promissor, Amunike fez parte desse fenómeno, aquecendo os corações dos sportinguistas de esperança.

Feita esta divagação romântica inicial, o que me leva a escrever é o mago africano. Pobre carreira de um jogador que tinha tudo para ser um dos melhores do mundo dos anos 90, carreira manchada sucessivamente pela lesão crónica naquele joelho. Emmanuel Amunike não era um poço de técnica, apesar de não ser um jogador tecnicamente rude, mas era um poço de força. Parte da maravilhosa selecção nigeriana que foi campeã olímpica em Atlanta´96, a geração que levou todo o mundo a acreditar que África poderia ter em breve uma equipa campeã do mundo, Emmanuel Amunike não era o mais brilhante dos nigerianos no plano técnico quando comparado por exemplo com o trato de beldade que Jay Jay Okocha ou Finidi George (campeão europeu pelo Ajax em 94) davam ao esférico, mas era efectivamente o repentista, era o virtuoso que sacava o possível dentro de uma conjuntura impossível. Como nos poderemos esquecer daquelas arrancadas de campo a campo com a bola nos pés? Como nos poderemos esquecer das jogadas em que o nigeriano conseguia passar por 4 adversários? Como nos poderemos esquecer daquele individualismo tão ingénuo dos africanos e das bombas que o nigeriano disparava? Como nos poderemos esquecer das danças deste e de Oceano nos festejos dos golos?