O Mantra de Manta Santos

Da primeira parte do Benfica vs Feirense, ficou-me na retina a tranquilidade (e o rigor; táctico; na desenvoltura dos processos trabalhados pelo treinador, em especial no capítulo da saída de jogo) com que a equipa de Nuno Manta Santos está a encarar a partida na Luz. O “pato” oferecido por Caio (o único jogador que me pareceu intranquilo) aos 11 minutos (na melhor fase dos encarnados na primeira parte) foi para já a única situação que estragou o bem urdido plano de jogo traçado pelo jovem treinador.

Da exibição do Billas na primeira parte saliento 3 aspectos que me pareceram muito positivos:

  1. O seu bom comportamento defensivo – num bloco defensivo recuado estendido a toda a largura do terreno, com boa cobertura posicional em todos os sectores, com jogadores altamente pressionantes quer nas pontas (onde os laterais acompanham quase sempre as movimentações dos extremos adversários para os condicionar) quer no corredor central, corredor onde Etebo tem dado apoio a Tiago Silva e a Babanco (chamado por vezes a recuar mais no terreno para patrulhar as entradas de Jonas, Seferovic ou Salvio entre a linha média e a linha defensiva). Os dois tem recuperado imensas bolas no seu meio-campo.
  2. A clarividência de Etebo e Tiago Silva nos momentos de recuperação e na primeira fase de construção quando a equipa consegue atacar em ataque organizado. Com Luis Machado mais aberto pelo lado esquerdo, Edson inserido em zona interior e Jean Sony a projectar-se pelo flanco direito, mais aberto junto à linha lateral, quando a equipa recupera a posse do esférico, a ideia passa verticalizar o jogo para as entradas de Edson ao meio, para que este possa acelerar a transição tanto em velocidade como através do passe, abrindo para Jean Sony. Perante situações de pressão alta montadas pelo adversário no seu meio-campo para provocar o erro, tanto Tiago Silva como Etebo não caem na tentação de armar rapidamente o ataque, preferindo por vezes contemporizar, segurando o esférico na sua posse, até encontrar (retirar a bola da zona de maior pressão dos encarnados) a melhor solução para a equipa sair em segurança.
  3. Esta equipa do Feirense é uma equipa muito rápida a reagir à perda da bola.
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Muito desconforto e muito nervosismo na Feira

Fortíssimos nas transições e pouco mais. Ao dar apoio à acção de Gelson Martins, Alan Ruiz (jogador que finalmente começou a movimentar-se mais para as alas na 2ª parte, contrariando o estaticismo que enunciei no post anterior desde o momento em que entrou para dentro do terreno de jogo) permitiu a continuidade da acção a Gelson (no momento em que o argentino faz o movimento divergente para o lado direito para oferecer apoio ao companheiro, o jogador que o acompanha decide parar a sua acção para eventualmente esperar o 1×1 de Gelson; o jogador da Feira não acreditava na possibilidade do extremo colocar um cruzamento daquele sector do terreno).

O corte de Bas Dost é importantíssimo. Ao dar a entender ao central que tenciona atacar aquela bola, o ponta-de-lança do Sporting prende por completo o central, ou seja, não permite que este recue para estorvar a acção de quem vai realmente receber: Bruno Fernandes.

Inteligência do médio no timing de entrada nas costas, aproveitando a ausência do lateral direito Jean Sony.

O meu coração não aguenta. Depois do frenético final frente ao Setúbal, daquela cardíaca ponta final de partida frente ao Estoril (na qual esta equipa deu os primeiros indícios daquilo que viemos a confirmar na 2ª parte do jogo desta noite: uma equipa que tem muita dificuldade para gerir vantagens) e de uma salutar pausa de 2 semanas para recarregar baterias, na Feira, o alívio só veio mesmo no último minuto e veio porque um dos centrais da dupla de “paus-de-virar tripa” de Nuno Manta, o elo mais fraco desta galharda formação da Feira, cometeu um daqueles erros que vulgarmente designo como “erro provocado por desgaste e fadiga”

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