Se eu tivesse uma defesa destas, despedia-os a todos!

Este Mónaco de Leonardo Jardim está naturalmente a anos-luz do super Mónaco que na temporada passada conseguiu chegar às meias-finais. E a verdade (porque tem de ser dita) é que, como referi no post anterior, o FC Porto de Conceição fez uma exibição defensiva irrepreensível no Stade Louis II. No entanto, este último golo é para mim um conjunto de falhas imperdoáveis para uma defesa que transita (Jorge não era o titular no ano passado mas é um jogador que já tem suficiente tempo de casa para perceber o rendimento e as dinâmicas que o treinador madeirense pretende para aquela posição) das últimas temporadas.

A equipa continua a ter muitas dificuldades na defesa aos lances de bolas paradas (relembro por exemplo os lances dos golos do City no jogo de Manchester), adversidade que até é estranha se considerarmos que os dois centrais (Glik e Jemerson) até revelam uma boa produção ofensiva nos lances de bola parada ofensivos e marcar um adversário não é definitivamente o forte de Glik.

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75 minutos de categoria, 5 minutos de terror e muita liberdade para Brahimi criar

brahimi

Brahimi fez uma joga de outro mundo. Ao longo dos 90 minutos não me recordo sinceramente de uma acção onde o extremo do Porto tenha decidido ou definido mal. Dar espaço ao argelino para criar é um verdadeiro veneno que qualquer equipa deve evitar, dadas as melhorias que este está a ter no capítulo da tomada de decisão. Acelerando quando necessitava de acelerar o jogo, pausando quando precisava que a equipa subisse mais no terreno, partindo para o drible quando tinha que partir e soltando a bola no momento certo para a opção mais correcta no momento, o argelino fez tudo bem. 

No Dragão, Vítor Oliveira decidiu cumprir o plano de jogo prometido na conferência de imprensa de antevisão à partida do dragão. O treinador do Portimonense não colocou o autocarro à frente da baliza, mas optou por uma arrojada organização defensiva que lhe causou muitos dissabores na primeira meia-hora.

A disposição de um bloco de 4 linhas relativamente subido terreno, compacto em aproximadamente 40 metros (pouco pressionante e com algum espaço entre linhas para os “interiores” poderem receber e definir; no drible ou no passe vertical; com muito espaço entre a linha defensiva e o guarda-redes) acabou por ser, na minha opinião, um plano de organização defensiva bastante arrojado face a uma equipa cujos médios estão sempre à coca da possibilidade de colocar a bola em profundidade para as desmarcações em velocidade dos seus pontas-de-lança (fortíssimos no ataque à profundidade) e cujos laterais se projectam bem no terreno na tentativa de criarem superioridade numérica nos corredores. A evidente falta de pressão dos algarvios a meio-campo permitiu aos portistas, em especial a Brahimi e Corona, o tempo e o espaço necessário para receber e criar livremente sem qualquer pressão, quer através do drible (rasgando o bloco adversário) quer através de combinações com o adversário quer através de inflexões para o miolo seguidas de variação de flanco.  Continuar a ler “75 minutos de categoria, 5 minutos de terror e muita liberdade para Brahimi criar”

Hoje Escreve o Mister #8

Por Pedro Sousa. 

Por muita qualidade colectiva que uma equipa tenha, sem individualidades que tragam a qualidade desejada para criar desequilíbrios ofensivos numa estrutura, as dinâmicas colectivas ficam demasiado limitadas do seu jogo, faltando a alternância na forma como resolve muitos momentos de jogo seja na construção, definição, ou na criatividade do seu colectivo!!

Cada jogador traz dinâmicas diferentes ao jogo, mas uns aumentam consideravelmente a qualidade colectiva de uma equipa com a sua qualidade individual, enquanto outros não acrescentam nada ao colectivo porque a sua qualidade individual não trás variação e imprevisibilidade no jogar da mesma ordem de ideias colectivas, que uma equipa em muitos momentos de jogo necessita no modelo adoptado.

Sem jogadores como Podence, Gelson, Salvio, Jonas, um Brahimi ou Corona, entre muitos outros com determinadas características numa equipa, a sua capacidade criativa num determinado padrão de jogo fica muito mais debilitada e torna-a regular na forma de jogar e muito mais fácil para os adversários anularem, afastando-a mais, por conseguinte, do sucesso desejado!
Por muita qualidade ao nível da organização que se tenha… fica como uma salada sem o tempero certo, e por muito bom cozinheiro que a tenha confeccionado, nunca integrará os melhores cardápios.

Um empate que sabe a pouco quando foi feito tanto

Tudo na mesma depois do jogo do título: o empate acaba por ter um sabor agridoce para ambas as equipas. O ponto não satisfaz os interesses traçados pelo Benfica para esta jornada nem reflectiu o que os encarnados fizeram ao longo dos 90 minutos. Há que dizê-lo abertamente: o Benfica fez por merecer a vitória apesar do empate também se justificar pelo excelente arranque de segunda parte que a equipa de Nuno Espírito Santo realizou e pelos problemas que causou à construção de jogo dos encarnados. Por outro lado, um empate na Luz foi um mal menor para os portistas. Estou certo que se vendessem aos adeptos do Porto um empate, 80 a 90% compravam-no antes da partida começar. Como referiu e bem Rui Vitória, o campeonato será disputado até às últimas jornadas. Restará ao Porto continuar a marcar os 3 pontos e ao Benfica ultrapassar o jogo de Alvalade.

Com um início demolidor de jogo (mesmo apesar da pressão no osso que os jogadores do Porto fizeram a meio-campo) principalmente dos jogadores que compõem o seu flanco direito (nos primeiros minutos foi essencialmente Nelson Semedo quem foi carregando a equipa para a frente com as suas fintas e progressões com bola no flanco direito) os encarnados, tal como eu previ neste post de antevisão, tomaram as rédeas do jogo, alcançando o primeiro tento numa grande penalidade que não existe. Jonas cria o desequilíbrio, tirando a bola do raio de acção de Felipe para depois dar aquele impulso enganador a Carlos Xistra porque precisamente teve a noção que poderia não chegar novamente ao esférico. No entanto, acredito que à velocidade a que se disputou o lance, Carlos Xistra tenha sido iludido pela ilusão que o brasileiro criou com o seu movimento. Felipe tenta pisar o pé de Jonas (é notória essa tentativa do central brasileiro nas imagens televisivas que a BTV cedeu) mas creio que acaba por não acertar no pé do brasileiro. Valeu-lhe a experiência para sacar a grande penalidade e convertê-la com muita classe, deixando Casillas cair para um lado antes de rematar para o meio da baliza.

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