A Avenida de Moscovo

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A derrota sofrida pelo Benfica em Moscovo colocou definitivamente Rui Vitória no fio da navalha. O cenário de despedimento, cenário que até à noite de ontem não passava de um mero cochicho murmurado debaixo das arcadas (nas barras de comentários de blogues; na língua viperina de um comentador mais rebelde e\ou abutre; é nesta última espécie que se insere por exemplo Rui Gomes da Silva) partilhado por um conjunto de adeptos descontentes com a prestação da equipa na presente edição da Liga dos Campeões e até no próprio campeonato, prova em que a equipa encarnada tem conquistado pontos aos solavancos (ora conseguindo vincar a sua supremacia sobre os adversários por força de acções individuais; ora ajudada por um ou outro erro de arbitragem) tornou-se uma hipótese bem real se a equipa encarnada não obtiver um bom resultado no próximo dia 1 de Dezembro na deslocação ao Estádio do Dragão. Independentemente dos feitos alcançados no passado (por mérito de quem? – é uma das perguntas que se deve colocar. Pela lavra de Rui Vitória ou pelo que foi deixado construído por Jorge Jesus?) feitos que o treinador encarnado faz questão de recordar estrategicamente na hora da derrota, para tentar justificar e salvaguardar a sua permanência no presente, passando um verdadeiro paninho quente sobre o que não fez e o que possivelmente não virá a fazer até ao final da temporada por manifesta falta de matéria-prima ou por manifesta incapacidade, quem anda pelo futebol sabe que para salvar a sua pele num momento de aperto, qualquer presidente acossado não hesita em culpabilizar o treinador pelo mau momento da equipa, despedindo-o. Continuar a ler “A Avenida de Moscovo”

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Com Marcelino Garcia Toral, Gonçalo Guedes está a crescer imenso

3 exemplos práticos recentes da liberdade que o modelo de jogo do novo treinador do Valência (agente que finalmente parece estar a terminar com o período de desordem, confusão e caos que reinou no clube ché nas últimas temporadas; período que foi notoriamente construído por uma notória falta de estratégia alavancada pelo exagero das relações entre Peter Lim e Jorge Mendes) dá ao português, retirando-lhe o seu melhor rendimento e o seu melhor futebol. Continuar a ler “Com Marcelino Garcia Toral, Gonçalo Guedes está a crescer imenso”

Mendes volta a carregar forte no acelerador

Enquanto Diogo Jota foi dar mais uma voltinha no carrossel das comissões de Jorge Mendes, surge em Portugal uma interessante notícia…

O Rio Ave anuncia, com algum élan, a contratação, com recurso a capitais próprios de Gabrielzinho, jogador de 21 anos que actuava na 4ª divisão brasileira ao serviço do Linense, um modesto clube dos arredores de São Paulo que este ano actuou na primeira divisão do campeonato estadual paulista? Sim, vindo do Linense, um daqueles clubes onde os empresários portugueses costumam ir comprar jogadores a granel para distribuir pelos seus afiliados na 2ª Liga e no Campeonato Nacional de Séniores  

Quem é o agente do jogador quem é? Jorge Mendes, claro! Não poderia ser mais ninguém senão Jorge Mendes. Em teoria, os vilacondenses receberão 15 milhões de euros dos encarnados relativos às transferências de Ederson para o City e de Kronovic. Ou pelo menos, os seus dirigentes acreditam piamente que podem vir a receber esses tais 15 milhões de euros. Por isso é que já o estão literalmente a gastar, sob conselho do empresário em jogadores por si agenciados para que o circuito do dinheiro termine invariavelmente nas suas mãos. Quando o Benfica começar a apresentar as facturinhas relativas aos empréstimos de Yuri Ribeiro, Nuno Santos, Pelé e daqueles que ainda estarão para chegar por empréstimo nos próximos anos, o valor a receber dos encarnados diminuirá drasticamente. Jorge Mendes salvaguardará, como é óbvio o seu porque irá, com toda a certeza, facturar o seu nos jogadores que vai trazer para Vila do Conde. O resto da história já a conhecemos. Se os vilacondenses levantarem muito a garimpa, terão que recorrer aos mesmos serviços aos quais recorreu o Vasteras para receber as verbas que eram devidas (pelos encarnados) relativas à transferência de Lindelof. E serão, obviamente, punidos. Porque no futebol português só o Benfica tem, como vimos nas últimas semanas, recursos para punir “quem lhes faz frente”. Nem o Benfica nem Jorge Mendes entram nos clubes pequenos para lhes oferecer o euromilhões. O empresário quer sacar os seus euromendilhões.

Os 800 mil euros relativos a esta transferência estarão portanto a ter a devida cobertura nas provisões de capitais que os vilacondenses esperam vir a receber dos encarnados. Esta transferência traz gato. Sendo o jogador agenciado por Mendes e transferido de um modesto clube da 4ª divisão brasileira, não me espantará se desta operação resultarem operações idênticas aquelas que o empresário tem realizado, com o devido apoio de Carlos Osório de Castro, Julio Senn e Luis Correia, nas empresas que possui na Irlanda. Trocando por miúdos: o Rio Ave paga 800 mil euros ao Linense. No Brasil, Jorge Mendes levanta o cheque. O valor é facturado nas empresas de Mendes na Irlanda e segue o seu habitual percurso por vários paraísos fiscais até chegar ao seu destino nas Ilhas Virgens Britânicas.

Rúben Neves: uma venda que rendeu 20 mendilhões

Ao contrário do que aqui escrevi a propósito da transferência de André Silva para o AC Milan, tenciono discutir o valor da transferência de Rúben Neves bem como o seu potencial. Na minha modesta opinião, acho que o valor da transferência é elevadíssimo para o mediano potencial futuro que Rúben Neves apresenta. Quero entrar portanto por caminhos sinuosos que levam, invariavelmente, a discussões apaixonadas.

É preciso dizê-lo com franqueza e abertura: Continuar a ler “Rúben Neves: uma venda que rendeu 20 mendilhões”

Foi vendido, está no banco!

Durante o último ano, Fernando Santos testou em vários jogos (oficiais e amigáveis) o seu sistema de 2 avançados com Cristiano Ronaldo e André Silva. O jogador do AC Milan provou em diversos jogos que a sua presença na área dá um duplo benefício ao jogo da selecção: para além de se constituir como uma mortífera referência de área quando a equipa opta por tentar chegar à área através de cruzamentos (7 golos em 8 internacionalizações), o avançado do Milan beneficia o “jogo particular” de Ronaldo com as suas movimentações. Ao arrastar um ou até mesmo os  dois centrais adversários com as suas movimentações, o jogador cria o espaço necessário para Ronaldo entrar em zona de finalização à vontade, sem oposição, como tanto gosta.

Contra o México, André Silva começará a partida no banco. O que é que mudou em poucos dias nas ideias do seleccionador nacional? Ah, já percebemos. Foi vendido. Jorge Mendes já recebeu a sua comissãozinha de 10% do valor da transferência. O jogador já não precisa de ser valorizado na Taça das Confederações. E isso reforça novamente a ideia que se tem vindo a acentuar nos últimos anos no que respeita à influência de Jorge Mendes nas selecções nacionais.

Uma excelente venda

Não quero debater de forma alguma a comissão gigantesca que Jorge Mendes irá obter por parte do seu novo parceiro financeiro. Sabemos que ao certo, André Silva poderá render entre 28 a 30 milhões directos para os cofres do necessitado FC Porto. Poderá estar afastada a hipótese do FC Porto não vir a participar nas competições europeias nos próximos anos, cenário que poderia ser uma profunda machadada no futuro do clube portista. Não discuto o potencial (presente e futuro) do jogador porque é enorme. Não discuto o clube para o qual foi vendido o jogador porque parece-me claro que o destino foi uma imposição do seu empresário. Nem discuto a verba porque creio que os 38 milhões pagos pelo jogador equivalem ao percurso que foi feito, ao seu potencial no presente e ao seu potencial futuro.

Contudo não posso deixar de tecer um breve comentário relativo à regressão que foi trilhada com o jogador por Nuno Espírito Santo na temporada que agora finda. Podemos valorizar ainda mais a venda se ponderarmos que Nuno Espírito Santo desistiu da evolução do jogador a meio da temporada, por motivos técnicos e tácticos. As mudanças tácticas “desenhadas” aquando da chegada de Soares (o bizarro 4x4x2 sem referência de área, obrigando André Silva a ter que jogar muito longe do seu habitat natural), a obsessão pelo equilíbrio defensivo e a própria preferência do treinador pelas características do brasileiro, moldando de certa forma a equipa às suas características, não ajudaram em nada à evolução natural de André Silva. Estes são os factores que naturalmente explicam a sua queda de rendimento na 2ª metade da temporada. Senti que em muitos jogos, o jogador andava completamente confuso, estranhando as funções (de exterior à área) que lhe foram incutidas pelo treinador. Nesta valorização não está preso um único fio de cabelo do antigo treinador dos dragões. Arrisco-me até a dizer que o treinador fez o possível e o impossível para desvalorizar o jogador.

Antes de questionar quem quer que seja

Eu sei, até porque é uma opinião mais ou menos generalizada em Portugal, que muita gente sente um profundo asco em relação à valorização mediática que é feita pelos jornais desportivos portugueses com os jogadores do Benfica e\ou com os activos da carteira de Jorge Mendes. Para quem não conhece o esquema vigente entre o empresários e os jornalistas de várias publicações nacionais, poderá compreendê-lo através da leitura deste post aqui publicado. Ficámos todos de certa maneira enojados com a pequena nota de destaque que lamentavelmente foi feita pelo relatador da RTP quando o jovem José Gomes foi bater a sua grande penalidade, mas, se existiam dúvidas sobre o aqui escrevi, essas dúvidas ficaram dissipadas.

No entanto, creio que antes de poderem vir a assacar responsabilidades aos jovens que tremeram da marca dos onze metros na discussão das meias contra a selecção uruguaia, porque o erro nestas idades e nestes ambientes deve ser considerado como algo absolutamente normal e indispensável ao crescimento destes atletas, todos devemos questionar dois ou três aspectos muito simples: o primeiro é, sem dúvida, o trabalho realizado pelo seleccionador nacional Emílio Peixe nos últimos anos com este grupo de trabalho, tomando em conta o péssimo futebol praticado por esta selecção nesta competição, futebol onde apenas escaparam ilesos 3 atletas, Diogo Gonçalves, Bruno Xadas e Diogo Dalot. O segundo é muito simples mas muito óbvio: porque é que a Federação Portuguesa de Futebol continua a conceder espaço nas selecções a antigos jogadores internacionais sem provas dadas no mundo do treino de escalões jovens de formação? Poderemos conquistar regularmente troféus internacionais com este tipo de agentes no comando técnico das selecções ou deveremos finalmente realizar aquilo que as outras federações realizam quando colocam no comando técnico das suas selecções treinadores consagrados no mundo da formação? A terceira também me parece deveras importante: quais são os critérios que norteiam as convocatórias para as selecções nacionais jovens?