É histórico mas há quem não compreenda

Quinito. Tomislav Ivic (2ª passagem), Octávio Machado. Gigi Del Neri. Victor Fernandez. Co Adriaanse. Paulo Fonseca. Julen Lopetegui e agora Nuno Espírito Santo. Estes foram os treinadores que Pinto da Costa despediu nos últimos 35 anos. O que é que tem todos em comum? Não conquistaram qualquer título nacional (à excepção de Adriaanse) e nunca caíram no goto dos adeptos do Porto. Assim que alguém espirrou a palavra “demissão” (de Pinto da Costa), o primeiro a saltar foi o treinador, para que a “revolução” não chegue ao presidente. É histórico no modus operandi de Jorge Nuno Pinto da Costa, mas há quem não o compreenda. Sempre que existe contestação a um treinador no final de um jogo, o prazo de validade de um treinador afere-se pelo grau de protecção dado pelo presidente na saída das instalações e entrada do treinador no autocarro do clube. Se PC entrar juntamente com o seu treinador no autocarro, este ganha uma nova vida. Se PC não entrar em conjunto com o seu treinador no autocarro, este será despedido nessa noite.

Hoje Escreves Tu #11

Por Eduardo Barroco de Melo

Se matematicamente ainda é possível, o campeonato acabou hoje. Claro que foi mais um jogo em que o árbitro deixou os cartões em casa e parece incapaz de ver faltas na área, mas que o “jogo externo” está contra o Porto já nós sabemos. Isso não apaga, contudo, as culpas próprias de um clube que anda perdido há muito. Esqueçam lá o “Somos Porto” e o “Só perdes quando desistes de lutar”, isso é bom para enganar tolos. É certo que este clube foi forjado na capacidade de trabalho para ultrapassar os obstáculos que lhe foram colocados no caminho sucessivamente. Mas as frases feitas não fazem nenhuma organização, e se há coisa que define o sucesso é a competência. O Porto foi o clube mais competente no futebol português nos últimos 40 anos, mas andamos há quatro anos (mais?) à deriva.

Acreditei que era possível ganhar apesar do Nuno Espírito Santo, mas o jogo de hoje é prova de que isso não é possível. Tenho imenso respeito pelo que deu como jogador e pela forma como sente o clube, mas a total desorganização em campo não são desculpáveis por isso. Nuno não soube fazer a transição para um clube grande e é confrangedor ver esta equipa a jogar como uma equipa pequena. Jogar a defender com muitos e a despejar bolas na frente de forma absolutamente aleatória tem sido a norma e contra uma equipa que jogou com 11 dentro de área é um suicídio. Ser obrigado a ver como se desvalorizam jogadores como Rúben Neves, Óliver Torres, Otávio, Brahimi e André Silva e ter de ver Maxi, André André ou Soares (que não tem qualidade nem para fazer parte do plantel) é inqualificável.

Há pouco tempo comemoraram-se 35 anos da presidência de Pinto da Costa e estamos todos eternamente gratos pelo que fez pelo clube. Mas, no fim desta época, deixa de haver condições para que mantenha o cargo. Quem não sabe sair por si, tem de sair empurrado. E não há ninguém maior do que o clube, nem mesmo Pinto da Costa.

Bloco de Notas da História #14 – O legado de Pinto da Costa

“Largos dias têm 100 anos”

Neste dia, há precisamente 35 anos atrás, tomava posse como Presidente do Porto Jorge Nuno Pinto da Costa. O Porto nunca mais viria a ser o mesmo clube. O regional (apesar de já ter ganho na época títulos nacionais), mal organizado e tímido FC Porto transformar-se-ia rapidamente (numa questão de 5 anos) com Pinto da Costa ao leme num clube gigante, de expressão europeia, ganhador quer no futebol quer nas modalidades, bem organizado e bem estruturado. Diga-se o que se disser, aponte-se os defeitos que se tenham de apontar, acuse-se de dedo em risco o que se tiver de acusar (por mais que doa a muitos, inclusive a mim, o total falhanço que foi o Processo Dourado face às evidências das provas): nunca houve na história de outro clube um presidente que tenha feito tanto pela evolução de um clube como o que Jorge Nuno Pinto da Costa fez pelo Porto. Nunca houve na história de um desporto um presidente que se tenha batido tantas vezes em praça pública pelos interesses do seu clube. Continuar a ler “Bloco de Notas da História #14 – O legado de Pinto da Costa”

Os Comunicados, as pressões e as chantagens do Benfica

Ao ver a data de comunicados que a SAD do Benfica emitiu na presente semana, questiono-me seriamente se o Benfica não está a incorrer com hipocrisia numa das armadilhas montadas pela sua ardilosa comunicação em relação ao presidente do Sporting. Não é por nada, mas parece-me que a Benfica SAD já emitiu mais comunicados numa semana que a Sporting SAD na época inteira.

O mais recente comunicado emitido pela departamento de comunicação do clube da Luz, levou-me a reflectir sobre o seguinte: a ausência de dirigentes do clube no jogo da selecção que se disputará amanhã na Luz faz-me equiparar que a actual estratégia de pressão de Luis Filipe Vieira está muito próxima (até equiparável) da estratégia que uma vez utilizou Jorge Nuno Pinto da Costa no caso da expulsão de Deco no Bessa.

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