Aquele momento em que a imprensa internacional engoliu todo o seu sensacionalismo e o seu fatalismo

Ouviram bem, jornalistas? Ele voltou. Um verdadeiro campeão não se rende “por dá cá aquela palha” no primeiro grande obstáculo que é chamado a atravessar. Não tenho quaisquer dúvidas e volto a reafirmar o mesmo que afirmei a 24 de Abril neste espaço: sendo um jogador bastante forte no plano mental, o sueco vai regressar em breve aos relvados. E vai regressar com tanta ou mais vontade de vencer do que aquela que tinha quando se lesionou naquele jogo frente ao Anderlecht. Nem que seja para voltar a ter o prazer de calar um bando de mentirosos e especuladores que só “sabem viver” à custa da miséria dos outros e da constante invenção de notícias especulativas sem qualquer fundo de veracidade.

Hoje Escreve o Mister #6

janela

Por Pedro Sousa, o nosso Mister de serviço

Se retirassem alguns programas ditos desportivos do ar, o futebol português só tinha a ganhar para respirar melhor, porque há muito se percebeu que a maioria dos paineleiros/ comentadores pensam pouco pela sua cabeça e dizem mentiras ou “meias-verdades” de uma maneira coordenada, sabendo que a maioria dos portugueses “engole” como verdades tudo o que é dito pelos tais “intelectuais” do comentário da bola que servem de marionetas dos seus clubes, por fazerem pouco uso do pensamento ou fanatismo exacerbado!

Uma vergonha ao que a comunicação chegou! E muitos dizem ter profissionalismo! Eu chamo não ter coluna vertebral o facto de cada um não ter opinião própria de análise mas antes uma opinião manipulada na sua génese que serve interesses de terceiros que não são nada saudáveis!

Mais grave, é ditos comentadores isentos (alguns até já foram agentes desportivos) fazerem passar uma imagem de isenção quando são a vergonha da comunicação nos ditos programas, não tendo coragem suficiente para assumir o lado que defendem ou assumir as execução de cartilhas para o qual recebem, e ainda terem a cara de lata de se fazerem passar por moralistas perante o descalabro das suas declarações!

Enfim, tudo a bater no fundo e a vir ao de cima..

Burro é aquele que ainda acredita na isenção do jornalismo e nas suas opiniões parciais, porque dos ditos comentadores, penso que só os mais distraídos ou fanáticos pelos seus clubes é que ainda podem levar a sério alguma opinião destes.

Haja paciência para aturar tanta ignorância!!

 

Jornalismo de sarjeta

A roçar o nível da sarjeta. Ou não viram pura e simplesmente, ou viram aspectos positivos que eu não vi da exibição do jogador. Não podendo afirmar nenhuma das duas, vou só simplesmente concluir que o artigo bem como a pontuação gentilmente oferecida ao jogador pelo referido órgão de comunicação social é parte integrante da mesma estratégia (paga para escrever bem) que lhe tem granjeado todo o hype e que o conseguiu vender pelo preço que foi vendido. Mas este tipo de situação não é nova no jornalismo português.

Denota-se desde há uns meses a esta parte uma estratégia bem montada por parte de alguém para levar os jornais a colocar na berlinda jogadores como Renato Sanches (todas as semanas vemos as notícias que a imprensa portuguesa planta sobre o jogador; quando as procuramos em alguns órgãos de comunicação alemães percebemos que as declarações que são atribuídas a jogadores, treinador e dirigentes do Bayern nunca foram proferidas), João Cancelo (que está a fazer uma época horrível) Bernardo Silva, Hélder Costa, Ivan Cavaleiro, André Silva, André Gomes, Pizzi, Gonçalo Guedes, Nélson Semedo, Ederson, Wallace, Nélson Oliveira, Soares. O que é que todos tem em comum? Sim. Isso. Precisamente. Sim. Está a seguir a linha de raciocínio correcta: todos eles são jogadores da Gestifute de Jorge Mendes. Até o “desaparecido” Fábio Coentrão, jogador que não é tido nem achado (literalmente no bolso de trás das calças de Zidane) tem vindo à baila nos últimos dias porque naturalmente, o Jorginho Mendes ainda precisa de facturar mais umas comissões com a eventual transferência do jogador para outro clube no final da época.

Como Gelson Martins não é um jogador agenciado por Jorge Mendes, de nada lhe valeu a fabulosa assistência de trivela para Cristiano Ronaldo – “comeu” com a mesma nota de um jogador que mal se sabe posicionar em campo e calou.

Já sabia que a Gestifute é uma das principais mecenas do jornalismo português. Contudo, fiquei a saber nos últimos anos que a Gestifute vai patrocinando os jornais desportivos portugueses e espanhóis à medida das suas necessidades. Trata-se de um jornalismo à la carta: ora escreves bem deste agora, ora escreves bem de outro depois e por aí adiante até que sejam todos despachados.

O Jornalismo desportivo bateu no fundo

record 4

Colocar um jornalista de cronómetro em punho a rever o Porto vs Vitória de Setúbal para contabilizar os tempos de paragem dos jogadores para saber se existiram ou não motivos para o árbitro da partida dar 12 minutos de compensação no referido jogo é um sinal visível que o jornalismo desportivo português está a bater no fundo. Não posso achar esta infografia menos do que absolutamente ridícula. Qualquer dia veremos o Record a encomendar pelo menos 2000 cronómetros para que os seus trabalhadores possam registar os tempos de paragem de todos os jogos que se disputam no nosso país de forma a encherem pelo menos 10 páginas com a detalhada informação no que concerne a este aspecto.

São este tipo de notícias que me causam a repulsa aqui descrita. Para além de desnecessárias, porque não acrescentam qualquer conhecimento ao leitor, este tipo de notícias só servem para aumentar o clima de crispação existente no futebol português. O jornalismo desportivo está efectivamente doente no nosso país. E não há ninguém capaz de travar esta marcha sensacionalista que não cumpre os principais requisitos da profissão: informar bem e com a qualidade.

Os jornalistas desportivos portugueses são medíocres e cretinos

rui jorge

No passado dia 26 de Fevereiro escrevi aqui algumas linhas gerais sobre a minha opinião acerca do comportamento e das escolhas que são realizadas pela imprensa portuguesa. Escrevi na altura o seguinte:

“Nos últimos tempos tenho sentido menos curiosidade e uma maior repulsa para ler os jornais portugueses quer na suas edições físicas quer nas suas versões online. Aborrece-me ter que andar minutos à pesca de notícias ou crónicas relevantes assim como me aborrece andar a fazer scrolls na página do record à procura daquela notícia relevante que foi empurrada para o fundo de página para dar lugar no seu topo à gaja das mamas y que anda com o jogador x, ao jogador x que foi apanhado a fumar umas pampas ali pró lado de Jerez de La Frontera, sem descurar o clássico jogo de bastidores Sporting-Benfica-Porto, as polémicas da Liga de Clubes ou da Federação, o ataque cerrado às arbitragens ou as futilidades dos dias em forma de vídeo-notícia.

Outro jornalismo desportivo diferente é aquele que fazem por exemplo, o L´Equipe em França, a BBC, o Irish Examiner (apesar de ser generalista) e a Gazzetta dello Sport. Esses sim são órgãos de comunicação sociais sérios que promovem a notícia e a crónica (quase sempre feita por experts que são profundos conhecedores dos assuntos ou dos factos que visam narrar e descrever) sem terem que se vender ao sensacionalismo, escrevendo muitas vezes para nichos de mercado reduzidos mas fiéis à compra das suas publicações porque a informação e a opinião é boa, sem descurar portanto a sua própria sustentabilidade. Não são raras as vezes em que o L´Equipe abre a sua edição impressa com rugby e com ciclismo ou que a BBC dá um destaque principal no seu site a outros desportos que não o futebol.”

Essa repulsa pelo jornalismo estende-se ao jornalismo que também é feito por alguns jornalistas dos canais de televisão portugueses, mais concretamente pelo jornalistas da edição de desporto da CMTV e da RTP.
Na conferência de imprensa dada ontem pelo seleccionador de sub-21 Rui Jorge, a RTP voltou a colocar o seu espírito conflituoso em campo quando o seu enviado à conferência de imprensa perguntou ao seleccionador português “qual era a importância de ver Francisco Geraldes e Daniel Podence crescerem e mudar de contexto competitivo para serem aposta de um grande em Portugal” – o seleccionador caiu na esparrela montada pela pergunta do entrevistador e desatou a falar da passagem dos jogadores no Moreirense para realçar que a aposta tinha sido feita pelo Moreirense (o clube para o qual os dois jogadores foram rodar por não terem espaço no plantel idealizado no início da temporada por Jorge Jesus) e não pelo Sporting, o clube que mais aposta na formação de jogadores em Portugal. A pergunta tinha obviamente uma armadilha e pretendia colher da boca do seleccionador uma resposta que fosse passível de voltar a fazer transparecer a ideia que o treinador do Sporting não aposta na formação.

Como seleccionador de uma selecção nacional Rui Jorge não deveria ter veiculado aquela resposta tão tendenciosa contra um clube (por culpa do seu treinador e das guerrinhas da imprensa contra o treinador do Sporting) que ano após ano, década após década demonstra a sua força na formação, enchendo as selecções nacionais de futebol de talentos que ajudam o nosso país a atingir patamares e conquistas de excelência no cenário internacional. Mas mais culpado foi o jornalista que foi à cidade do futebol misturar alhos com bugalhos para tirar, literalmente, nabos da púcara ao seleccionador nacional, para voltar a dotar a imprensa de argumentos contra Jorge Jesus. Ao medíocre jornalismo português cada vez menos interessa discutir sistemas tácticos, formas de jogar, rendimento de jogadores, opções tomadas pelos treinadores, e métodos de treino. Não interessa discutir futebol pelo futebol, futebol a sério. Interessa sim meter todos contra todos, causar discórdia, a discórdia que vende.

Essa atitude do jornalista da RTP é reveladora da campanha desde há muito montada pela RTP contra o Sporting, campanha que começou quando um jornalista da estação, Gonçalo Ventura, conseguiu manipular a informação para colocar Rui Vitória contra Jorge Jesus. Tudo começou aqui numa flash interview da Sporttv após a vitória do Sporting em Setúbal:

José Goulão (SPORTTV): Ficou surpreendido com as declarações do treinador do Benfica ontem?

Jorge Jesus: Não. Não. Cada um diz aquilo que pensa e que quer e ele tem o direito de dizer. Vivemos num país livre. Porque é que não há-de dizer o que pensa?

Na conferência de imprensa, Gonçalo Ventura da RTP carregou sobre o treinador do Sporting:

Gonçalo Ventura (RTP): A outra pergunta tem a ver com o que disse ontem o treinador do Benfica. Sentiu muito isso? É obcecado pelo Benfica é mau colega e tem mau carácter!
Jorge Jesus: Ele disse essas 3 questões? Tou a perguntar? Que eu não posso responder… Disse? Disse? – mostrando admiração pela pergunta que acabava de lhe ser feita, procurando saber a veracidade da afirmação em forma de interrogação que o jornalista da RTP tinha acabado de realizar.

Jorge Jesus na flash interview anterior já tinha respondido a essa pergunta quando afirmou à Sportv, voltando a acrescentar na conferência de imprensa:
Em relação ao meu colega. Tou obcecado? Tou obcecado pelo Benfica. Tou obcecado pelo Porto. Tou obcecado por todos os meus adversários e principalmente por aqueles dois rivais que sei que vão estar na luta direta para a conquista deste campeonato e portanto, procuro estar cada vez mais com essa obsessão para quando for a quarta vez voltar a ganhar e ser quatro vitórias. (esta resposta foi mais ou menos aquela que Jesus tinha dado no flash interview ao jornalista da Sporttv)
Conhecer bem a minha obsessão pelos meus adversários. A minha obsessão leva-me para o trabalho, para o conhecimento do trabalho, para o conhecimento do que daquilo que normalmente é a minha obsessão em função do meu trabalho e dos meus adversários. Neste momento estamos num campeonato com vários adversários mas há dois, como é óbvio que são aqueles que estão com os mesmos objectivos em relação ao adversário.

A outra questão… Mau colega? Treinador? Como eu não o qualifico com treinador não sou mau colega! Para ser treinador tem que ser muito mais! “

Resumindo: Rui Vitória nunca fez tais acusações, acusações que foram inventadas pelo jornalista da RTP para provocar discórdia, o que efectivamente conseguiu. O mau jornalismo de Gonçalo Ventura foi na altura alvo de censura e respectiva reprimenda por parte do director de informação da RTP Paulo Dentinho. Contudo, o abanão interno provocado por Dentinho não foi suficientemente forte para dissuadir certos jornalistas a não voltar a tentar realizar este péssimo serviço jornalístico.

A RTP não se ficou por aqui. Da discórdia criada nas conferências de imprensa passou a achincalhar a instituição e os seus dirigentes nos afamados spots televisivos. O primeiro visado foi Jorge Jesus:

O segundo foi obviamente Bruno de Carvalho, quando a RTP foi buscar as declarações proferidas pelo presidente do Sporting num determinado contexto passado para as capitalizar no contexto do momento. A cretinice jornalística sem limites, portanto…

Essa cretinice, promovida pelos jornalistas desportivos portugueses está a fazer muito mal ao futebol português. O constante clima de crispação promovido pelos jornalistas é o clima que leva as pessoas a afastar-se dos estádios de futebol e a considerar que não vale a pena pagar bilhetes caríssimos por um espectáculo viciado. Quando as pessoas deixam de falar e discutir sobre o que se passa dentro das 4 linhas para discutir polémicas completamente acessórias ao futebol, ou seja, polémicas que são altamente dispensáveis, o futebol perde a incandescência que lhe dá sabor e que o torna um desporto tão belo e tão admirável.