O desporto profissional não é compatível com os estudos? Outro ponto de vista

É.

No dia de ontem foi notícia a indisponibilidade para o jogo do Vicente Calderón de Kai Havertz, jovem de 17 anos que tem vindo nos últimos meses a alinhar pela equipa principal do Bayer de Leverkusen, devido a um exame escolar importante. Estamos portanto a falar de uma decisão tomada ao mais altíssimo nível por um clube em relação à não-utilização de um atleta numa partida que poderia render milhões (se o Bayer vencesse e pudesse seguir em frente na competição) ao clube em detrimento do futuro do próprio jogador.

Poucos clubes e poucos dirigentes europeus, pelo menos aqueles que possuem altas responsabilidades nos clubes de topo tem essa clareza de raciocínio quando são chamados a pronunciar-se neste tipo de questões. Nos clubes portugueses são por vezes até os próprios pais que metem a carroça à frente dos bois: se o menino se vai profissionalizar ou tem condições para chegar à profissionalização, começa a funcionar na cabeça dos encarregados de educação o que eu denomino de pensamento em forma de “válvula de escape” – o menino vai profissionalizar-se, vai ganhar bem e vai-nos promover a ascensão social. Não lhes importa portanto se a carreira de profissional do filho poderá gorar-se no minuto seguinte, ficando o ser humano cortado de apoios e de conhecimento para adoptar subitamente outra carreira profissional. O que interessa no momento, no imediato, são os milhões que ele poderá ganhar. Muitos daqueles que possuem esse tipo de pensamentos são os mesmos que em determinada altura da vida dos filhos não conseguem lidar com a frustração de um ser que não conseguiu cumprir com os seus objectivos pessoais e com os objectivos que lhe foram impostos durante anos pelos próprios pais.  Continuar a ler “O desporto profissional não é compatível com os estudos? Outro ponto de vista”