Contra-pressing – o exemplo do lance do 2º golo do Sporting frente ao Olympiacos

via O Artista do Dia

Um momento de contra-pressing considera-se um momento do jogo no qual toda a equipa ou um conjunto de jogadores de determinadas linhas sectoriais da equipa (por exemplo: os jogadores da linha avançada; os jogadores da linha avançada mais os jogadores da linha média) ou de linhas intersectoriais (por exemplo: os laterais, os médios alas e os médios interiores, jogadores que embora fazendo parte de linhas sectoriais distintas – os laterais fazem parte da linha defensiva; os médios alas e os médios interiores fazem parte da linha média – podem ser chamados a ter que se organizar para poderem efectuar pressão sobre uma saída de jogo adversária para os corredores, p.e) organizam-se especificamente no terreno de jogo para poderem reagir à perda do esférico de forma a recuperá-lo. Para o efeito, os jogadores devem agrupar-se em torno do jogador que efectuou a recuperação…

Bruno César 4

Assim que vê o seu remate desviado pelo defensor grego, a primeira coisa que Bruno César faz é acercar-se do portador de forma a:

  • Impedir que este pudesse iniciar a transição para o contra-ataque.
  • Tentar roubar-lhe o esférico para eventualmente poder criar uma situação privilegiada de ataque à baliza adversária.

e dos apoios que este tem disponíveis (por perto, “inseridos” no centro do jogo, ou seja na zona onde se está a disputar o esférico; ou mais distantes; fora do centro do jogo) para dar sequência ao lance, de forma a pressionar o portador (cortando-lhe tempo e espaço para pensar e executar, ou seja para tomar uma decisão) e fechar-lhe o maior número de linhas de passe, para o conduzir ao erro (passe para fora, passe para os pés de um jogador da equipa que está a realizar o contra-pressing) ou à tomada de uma decisão que facilite a recuperação da bola (o passe para um jogador que esteja marcado por um adversário, situação que poderá permitir ao jogador da equipa que está a realizar o contra-pressing a recuperação da bola em virtude de um movimento de antecipação ou de um tackle).

bruno césar

Battaglia pressiona o portador enquanto Bruno César tenta fechar a linha de passe para o apoio que Fortunis tem disponível de forma a poder recuperar o esférico com um movimento de antecipação. 

O contra-pressing é por defeito um momento de organização da pressão na qual as equipas ao invés de recuar, tentam avançar no terreno de forma a pressionar imediatamente o portador no sentido de o obrigar a cometer erros. A pressão deve imediata, deve ser feita preferencialmente em superioridade numérica e jamais deve descurar a marcação ao jogador-referência que a outra equipa utiliza para sair para o contra-ataque porque há grandes probabilidades do portador vir a procurar esse jogador. No caso dos gregos do Olympicos, as referências eram o falso 9 Fortunis e os extremos Pardo e Carcela.

Vantagens de um bom contra-pressing:

  • A formação que o realiza estanca a saída adversária para o ataque, ataque rápido (supondo que nas suas linhas atrasadas, a equipa esteja bem organizada) ou contra-ataque.
  • A recuperação da bola em sectores adiantados do terreno poderá permitir a criação de uma plataforma de ataque à baliza adversária, podendo ou não apanhá-la descompensada no momento da recuperação.

Riscos decorrentes do uso ou abuso da estratégia de contra-pressing:

  • Se a equipa ultrapassar a pressão, poderá ter espaço para jogar entre a linha ou as linhas que pressionam e a linha que não está a pressionar (espaço nas costas do meio-campo; espaço nas costas da defesa).
  • Se a equipa ultrapassar a pressão, pode iniciar um contra-ataque em superioridade numérica sobre o adversário.
  • Uma maior sobrecarga física sobre os jogadores.

Resta-me agradecer todo o apoio e carinho. Se ainda não segue o Meu Caderno Desportivo nas redes sociais está na hora de seguir aqui.

 

Anúncios

O enleante futebol dos croatas no explosivo ambiente do Maksimir

croacia

Estádio Maksimir, 32 mil adeptos em puro estado colectivo de euforia. O Maksimir é, historicamente, uma casa de grandes portentos técnicos, não fosse, o estádio, a alma mater do espantoso Dinamo de Zagreb, uma das maiores referências mundiais ao nível da formação de jogadores.

Os primeiros 45 minutos da eléctrica partida disputada frente aos gregos (a contar para o playoff de apuramento da zona de qualificação europeia para o Mundial 2018), partida na qual os croatas tombaram os helénicos por expressivos 4-1, tiveram o condão de realçar o bem operacionalizado modelo de jogo (os princípios, os processos, as dinâmicas individuais e colectivas) ultra ofensivo do seleccionador Zlatko Dalic, modelo que encaixa que nem uma luva às características da verdadeira máquina de guerra que este dispõe no elenco com o qual tem trabalhado nos últimos meses (podendo-se até dizer que face ao diminuto tempo de trabalho deste com os jogadores, pesando a qualidade destes em todas as dimensões do jogo, os resultados práticos são bastante surpreendentes, e por outro lado esconderam (é certo que a parca ofensividade pelos gregos também ajudou à festa) as limitações defensivas dos croatas, limitações resultantes, na minha opinião de uma dupla de centrais muito medíocre em vários aspectos, com especial enfoque para os lances de bola parada.

Continuar a ler “O enleante futebol dos croatas no explosivo ambiente do Maksimir”