A suprema inteligência de Heung-Min Son e Christian Eriksen

Só os grandes médios, aqueles que fazem efectivamente a diferença num jogo de futebol, são capazes de ter um grau de compreensão tão elevado sobre o que fazer num lance em específico. No lance do primeiro golo do Tottenham frente ao Bornemouth, equipa cuja organização defensiva apresentada em Wembley em bloco baixo 5x3x2 (boa cobertura e rigor posicional, ou seja, a equipa nunca se desmanchou, nunca cedeu à tentação de pressionar alto; a verdade é que a circulação paciente executada pelos centrais do Tottenham à entrada do meio-campo adversário convidava os forasteiros a pressionar mais alto para abrir espaços para jogar entre linhas; linhas muito próximas para fechar o jogo entre linhas; 3 homens no corredor central com a missão de fechar as linhas de passe para o surgimento de Eriksen, Dele Alli, Kane ou Min entre linhas; pressão dos alas quando o esférico era circulado para as pontas; tentativa de ter sempre superioridade na zona para onde o esférico era circulado) dificultou e de que maneira a entrada dos spurs no último terço.

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Aos 47″, aproveitando um momento de relaxamento da formação adversária após o regresso das cabines, Son entrou bem entre linhas pela interior directa para receber o passe frontal de Davinson Sanchez.

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Com um “giro” na recepção, o coreano atraiu dois defensores (obrigando um dos centrais a sair da cabeça de área para pressionar), arranjando o espaço (assinalado a azul) para Eriksen penetrar no último terço pelo corredor central. A simbiose entre os dois jogadores é perfeita. O coreano cria o espaço. O dinamarquês apercebe-se que tem que entrar nesse espaço para receber.

O dinamarquês é feliz no ressalto, finalizando a jogada com o garbo técnico que lhe é amplamente reconhecido.

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Manchester United vs Crystal Palace

Acredito que, para vir a Old Trafford realizar este espectáculo deprimente, mais valia aos jogadores do Crystal Palace terem ficado no jardim anexo ao estádio a tratar das belas roseiras que por lá se encontram em viva flor. A primeira parte da exibição dos palacianos em Manchester atesta e corrobora bem a razão pela qual a equipa do conservador e arcaico Roy Hodgson ocupa o último lugar da tabela sem ter marcado qualquer ponto e sem ter somado qualquer golo em 6 jornadas. Continuar a ler “Manchester United vs Crystal Palace”

Mais um erro na saída de Glen Johnson…

Morata não perdoa. O avançado espanhol já é per se forte nestas acções. Exposto, Darren Fletcher pouco ou nada pode fazer.

Manchester United vs Everton

Lukaku lê muito bem a jogada. Antevendo claramente a possibilidade de recuperação por parte de Juan Mata, o belga desiste da acção de fecho das linhas de passe para um dos centrais para se reposicionais no meio destes para dar continuidade à eventual recuperação do seu colega. Como o avançado do United perde o tempo exacto para finalizar de pé direito, ainda consegue tirar Ashley Williams da frente quando o central internacional galês tenta o desarme mas a simulação de corpo obriga-o a ter que finalizar com o seu pior pé. 

O golo de Antonio Valencia e duas perdidas de Romelu Lukaku na cara de Jordan Pickford foram as únicas oportunidades de golo de uma partida que me está a dar algum prazer em seguir dada a qualidade das duas equipas. O Everton até tem sido a equipa com mais posse de bola nos últimos 25 minutos do primeiro tempo. Continuar a ler “Manchester United vs Everton”

The Kevin De Bruyne show

Três dos vários aspectos que me saltaram à vista desarmada na goleada do City frente ao Liverpool foram a péssima transição defensiva dos reds (nada habitual para uma equipa que foi trabalhada ao longo dos últimos meses para reagir rápido ao momento da perda), a facilidade com que os jogadores da linha média de Guardiola conquistaram rapidamente o controlo do meio-campo frente a um trio que faz da cobertura posicional uma das suas “forças” quando é obrigado a ter que defender no seu meio-campo (a cobertura posicional dos médios do Liverpool é o móbil que garante a recuperação e o lançamento apoiado do contra-ataque, com o auxílio de Firmino a ligar o jogo às alas, ou em profundidade, directamente para a velocidade de Salah ou Mané; nos primeiros 20 minuitos, os reds ainda conseguiram por em prática algum do seu “jogar”) e falta de agressividade aliada à última lacuna descrita em vários momentos do jogo. Os três maiores défices da formação de Liverpool permitiram um final de manhã\início da tarde idílico quer para Fernandinho quer para Kevin DeBruyne visto que tanto um como o outro tiveram várias oportunidades para colocar o seu passe vertical entre as linhas do adversário.

Nesta análise irei cingir-me apenas aos melhores momentos do belga no jogo:

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