Os golos da jornada (1ª parte)

A importância de uma boa saída na transição para o contra-ataque: o segredo da vitória do FC Porto em Vila do Conde. 

Começo este post com um par de notas sobre a vitória dos portistas em Vila do Conde.

A equipa de Sérgio Conceição teve na primeira parte algumas dificuldades para contrariar a bem montada estratégia de jogo por parte de Miguel Cardoso, estratégia que diga-se de passagem é a mais verdadeira matriz identitária desta equipa. À imagem e semelhança daquilo que fez contra o Benfica, nos primeiros 45 minutos, o treinador do Rio Ave (agente cujo “berço de treino” foi precisamente a formação do FC Porto) apostou nos habituais e bem trabalhados\apurados processos de construção da equipa (iniciados a partir de trás, dos pés do guarda-redes Cássio) para dominar a posse de bola, acima de qualquer outro aspecto, conseguir ultrapassar as duas primeiras linhas de pressão do 4x3x3 subido escalonado por Conceição para colocar os seus médios ofensivos, Tarantini e Barreto de frente para o jogo e com espaço para acelerar a construção ofensivo no meio-campo adversário, aproveitando o espaço existente entre a linha média e a linha defensiva da formação portista.  Continuar a ler “Os golos da jornada (1ª parte)”

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O golo do dia

Na partida inaugural desta temporada da Ligue 1, o Toulouse de Pascal Dupraz deu água pela barba à defesa do campeão em título, o Mónaco de Leonardo Jardim. Prova disso foi o lance do primeiro golo, lance construído numa sublime jogada estudada num lance de bola parada.

Apontem-se as falhas que se quiserem apontar ao comportamento da formação monegasca neste lance: o trabalho de Dupraz e dos seus jogadores foi limpinho e cristalino com a água. O mérito da obtenção deste golo pertence claramente às acções desenvolvidas pelos jogadores do Toulouse. Ora vejamos:  Continuar a ler “O golo do dia”

Os golos da semana

Apesar de não ter escrito muito nos últimos sobre “Bola” (aquela, redondinha, que rola pelo campo e que faz mover 22 homens) o sensacional slalom do argentino não nos passou em claro. Genial jogada do argentino sobre 6 jogadores para fechar a participação na Liga, numa vitória amarga dos catalães em virtude do facto do Real de Cristiano Ronaldo ter conquistado no domingo o seu 33º título espanhol.

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A vitória dos processos simples

A vitória do Nice sobre o PSG, vitória que garante praticamente a conquista do título (merecida) para o Mónaco de Leonardo Jardim, é um dos destaques do fim-de-semana. Esta vitória traz no entanto algum sentimento de injustiça para a equipa da riviera francesa: se a equipa não tivesse deslizado recentemente com os empates somados frente a Toulouse, Nantes (apesar do Nantes estar a realizar uma razoável campanha com Sérgio Conceição na presente temporada) e Caen, poderia estar neste momento a lutar pelo título com as “mesmas armas” do Mónaco, premiando de certa forma o enorme trabalho do seu treinador Lucien Favre na construção de uma equipa (de processos simples, de recuperação e lançamento do contra-ataque) que tinha tudo para dar “errado” – aliás, que tinha tudo para dar errado pela quantidade de jogadores inadptados (para não dizer “perdidos para o futebol”) noutras paragens do futebol europeu.

Dante, Ricardo Pereira, Younés Belhanda, Mario Balotelli e Valentin Eysseric são os exemplos mais crassos de jogadores que foram “recauchutados” para o futebol pelo técnico suiço de 59 anos, constituindo uma equipa de processos simples que cumpre os básicos do futebol: defende bem (é a 2ª melhor defesa do campeonato com os mesmos golos sofridos que o Mónaco, 29), tem uma capacidade de pressão admirável a meio-campo (Belhanda é um dos responsáveis pela capacidade de pressão e recuperação da bola a meio-campo) e consegue criar sempre perigo no lançamento do contra-ataque com poucas unidades porque a equipa está formatada para um conjunto de processos que lhe permite contra-atacar de forma eficaz com poucas unidades: assim que a bola é recuperada, os médios tendem a servir as entradas dos homens dos corredores (Dalbert e Ricardo), ficando a expensas destes a criação de desequilíbrios no drible e\ou o serviço dos homens da frente, sem que a equipa perca contudo uma noção muito objectiva do jogo que é rematar. É portanto uma equipa constituída por jogadores que não tem medo de rematar, de rematar muito, mesmo que a percentagem de sucesso seja diminuta face ao número de remates. Claro que nesta mecânica haverão jogos em que a taxa de sucesso é alta. O jogo de ontem foi um dos exemplos.

Isto é que é ter estrelinha de campeão!

No meio do turbilhão de emoções provocadas pelos 4 fantásticos jogos de Champions, também não me escapou ao radar a importante vitória do PSG em Metz. Pude acompanhar a segunda parte do jogo no qual os parisienses saíram, no mínimo, aliviados. Aqueles 10 minutos finais foram completamente absurdos: por culpa própria da defesa parisiense, da imbecilidade de Cavani na única ocasião flagrante dos parisienses no 2º tempo, do atrevimento dos homens da casa, de um fenomenal golo do médio Yoan Jouffre na marcação de um livre directo, o PSG esteve a um passo de sair fora da corrida pelo título. De um minuto para o outro tudo mudou: o Metz coloca uma bola na trave na sequência de um livre directo e no último lance da partida, a atabalhoação dos defesas da equipa que “mora” no departamento de Moselle, deu “8” (contei-as), 8 hipóteses de cruzamento aos homens do PSG, sequência que culminaria com o salvador golo de Blaise Matuidi.

Só o cansaço poderá na minha opinião impedir a galharda equipa de Leonardo Jardim vencer o título da Ligue. E nem mesmo o cansaço, se atendermos que neste momento da temporada, os feitos que os monegascos acabaram de alcançar na Champions granjeiam à equipa uma dose generosa de moral e de alegria que compensa o esforço físico.

Golos do dia

O primeiro destaque vai obviamente para a jogada do golo do internacional croata (ex-Nacional da Madeira) Duje Cop na derrota do Sporting de Gijón (fizeram das tripas coração para sacar o empate ao Real de maneira a poderem continuar a lutar pela sobrevivência no primeiro escalão) por 3-2 frente ao Real Madrid. A assistência do basco Mikel Vesga para o internacional croata é simplesmente um hino ao futebol pela criatividade, inteligência, técnica e visão de jogo demonstrada pelo médio de 24 anos. Não é todos os dias que vemos um jogador de uma equipa que está “aflita” a assistir um colega para golo com uma chapeleta deste calibre por cima da defesa de uma equipa como o Real Madrid, ainda para mais com uma colocação de bola exímia para a chamada “zona da morte” do guarda-redes, ou seja, para a zona em que este ou é muito rápido a sair dos postes para conseguir socar ou agarrar, ou ficará a ver a bola passar a meio do caminho. A colocação da bola foi portanto completamente intencional. Genialidade no seu esplendor!

Os grandes pontas-de-lança aparecem sempre no tempo correcto, nos espaços certos e nos momentos em que a equipa mais precisa de toda a sua veia goleadora! Radamel Falcao já leva 26 golos e 6 assistências na presente temporada, temporada que começa a ganhar contornos épicos comparáveis “aos tempos de glória” de El Tigre no Porto e no Atlético de Madrid. Muitos (eu, inclusive) consideraram aquando da passagem do colombiano pela Premier que El Tigre estava acabado e que o melhor para a sua carreira seria “emigrar” para os milhões da América, a liga destinada aos milionários veteranos que ainda querem dar uma perninha enquanto colocam os seus rendimentos “ao fresco”. Enganei-me redondamente. E é por isso que no momento em que está tão próximo de poder vir a conquistar os títulos mais importantes da sua carreira, Leonardo Jardim não abdica dos préstimos da pérola cafetera. A diferença entre ter um bom ponta-de-lança e não o ter é esta: em 20 minutos tudo pode mudar quando se tem em campo um rato de área que procura e fareja através da pressão o erro do adversário, um jogador quer marcar e assistir para ajudar a equipa a ultrapassar um obstáculo difícil e um jogador que só precisou de dois tiros para fazer cair o melro.

El Tigre Radamel Falcao é efectivamente um jogador especial nos nossos corações!

Golo da semana (Ligas estrangeiras)

A precisão de Memphis Depay na goleada do Lyon frente ao Toulouse por 4-0.

A mudança a título definitivo para Lyon está a fazer bem ao jogador holandês. No futebol francês, beneficiando um pouco do facto das marcações não serem tão rígidas, tão coladas e tão “carniceiras” como são no futebol inglês, o holandês está a recuperar a confiança no seu dribbling 1×1 e está a sacar com alguma estética alguma daquela magia que tem nos pés nos “cut inside” da esquerda para o centro. No entanto, ainda existe um pormenor que o jogador formado no PSV Eindhoven precisa de melhorar para poder singrar nas 3 principais ligas europeias: a sua objectividade em função do colectivo. Quando recebe a bola bem aberto no flanco esquerdo junto à linha lateral, o jogador tende a “travar” a construção ofensiva com fintas que não acrescentam nada ao jogo colectivo. Quando for um jogador capaz de atacar de forma incisiva os defesas para criar superioridade e ter assim todo o espaço para servir bem na área ou rematar sem oposição, beneficiará em muito as suas equipas.