Um exemplo prático: a teoria de mobilidade Bielsa exemplificada pelos seus actuais jogadores

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El Loco Bielsa é na minha opinião, desde há muitos anos a esta parte, um dos criadores do futebol moderno. Como qualquer outro treinador ou amante de futebol, Bielsa teve no passado, as suas próprias referências. Os sistemas tácticos mais utilizados pelo treinador argentino (o 3x3x1x3 e o 4x2x3x1) pelo argentino derivam de duas referências históricas muito importantes: o sistema 3x3x1x3 é um sistema histórico do futebol italiano do final dos anos 70 enquanto o 4x2x1x3 (com enganche) resultou de uma adaptação de Cesar Luis Menotti ao seu 4x3x3 físico, rasgadinho, com o qual o El Flaco conduziu a selecção argentina à vitória no conturbado mundial de 1978. No entanto, neste ponto existe uma curiosa invenção por parte do argentino: o técnico tem 5 sistemas base prontos a operacionalizar em cada equipa (5 com uma linha defensiva de 4, 5 com uma linha defensiva de 3) todos interligados entre si como se de uma descendência familiar se tratassem, dependendo apenas a sua operacionalização da qualidade (em todas as vertentes do jogo) que o técnico encontre nas equipas que orienta.

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A criação de planos alternativos (modificáveis até no decurso de uma partida) tem uma base lógica no futebol de Bielsa. O próprio explicou-a quando afirmou: “Los que planifican ganan, y también ganan los que improvisan o los que responden al instinto, lo que indica claramente que ninguna escuela es mejor que la otra, sino que hay individuos que conducen porque creen en una escuela, y otros que creen en la otra” – a ideia que subjaz é que o instinto pode levar um treinador a ter que mudar radicalmente o seu plano de jogo durante a partida em função do grau de dificuldade dos problemas que são ditados pelo adversário. Para Bielsa, se a sua equipa não está a ter o planeado e desejado controlo sobre o adversário, alguma coisa tem que ser mudada para inverter o sentido dos problemas, ou seja, o adversário tem de deixar de criar problemas e tem de passar a receber os problemas criados pela sua equipa – isso explica por exemplo a razão que leva o argentino a ser um dos raros treinadores da actualidade que mexe tanto na equipa quer na sua composição quer na sua disposição no terreno.

Outra das razões que explica a mutação rápida do sistema prende-se com o cansaço acumulado por um jogador. Para Bielsa, quando um jogador não está a ter o rendimento esperado devido à fadiga acumulada, esse jogador não está a obedecer ao seu princípio de que “todos os jogadores devem encontrar no terreno de jogo razões de sobra para correr” – quando não correm, não estão a ser úteis à equipa. Ou seja, nem estão a lutar pela posse da bola (princípio de jogo base elementar do argentino: ter a bola para controlar o adversário) nem estão a gerar qualquer dinâmica ao jogo.

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As 5 formas de desmarcação para Marcelo Bielsa

Um verdadeiro tratado de mobilidade, passe e recepção (orientada com giro, ou em perfil, queimando as linhas adversárias visto que o receptor pode colocar-se logo de frente para o jogo sem ter que perder tempo a rodar para se orientar de frente) oferecido por El Loco num simpósio realizado no ano passado pela Aspire em Amesterdão, no qual o treinador argentino, actualmente ao serviço do Lille, oferece 5 possibilidades de desmarcação muito úteis para bater (e criar superioridade) várias disposições posicionais defensivas adversárias quer na fase de construção quer na fase de criação de jogo. Os exemplos demonstrados foram como se pode ver captados em sessões de treino e de jogo nas suas passagens pelo Athletic e pelo Olympique de Marseille.  Continuar a ler “As 5 formas de desmarcação para Marcelo Bielsa”