Vuelta – 18ª etapa – Sander Armée dá o terceira vitória em etapa à Lotto-Soudal; Froome volta a mostrar à concorrência quem manda

A melhor defesa é o ataque. Assim o provaram, em dois momentos completamente distintos Sander Armée e Christopher Froome. Se o primeiro, conseguiu, finalmente, à 6ª tentativa de fuga na prova, almejar o objectivo pelo qual já vinha a trabalhar desde o seu início (a vitória numa etapa; depois das duas de Marczynski, a Lotto-Soudal inscreveu mais uma vez o seu nome na lista dos vencedores de etapas da prova) com um ataque na rampa mais acentuada da “colina” para  Santo Toribio de Liébana, o segundo, apagou o mau desempenho na etapa de ontem, ganhou tempo aos perseguidores directos e acima de qualquer proveito na geral, enviou quer a Nibali, quer a Kelderman uma mensagem de força muito precisa para a etapa de sábado: “eu não estou morto. Não queiram fazer de mim o bobo no Angliru porque eu irei estar lá para provar que sou o melhor desta Vuelta” Continuar a ler “Vuelta – 18ª etapa – Sander Armée dá o terceira vitória em etapa à Lotto-Soudal; Froome volta a mostrar à concorrência quem manda”

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Vuelta – Etapa 12 – Tomasz Marczinski bisa na chegada a Los Dólmenes; Alberto Contador volta a dar espectáculo na montanha

Vuelta 2. World Tour 0. Se porventura dissessem, no início da prova, a Tomasz Marczynski que ele iria vencer duas etapas na dita, o polaco seria capaz de responder com uma tirada irónica. Qualquer ciclista com o potencial do polaco (3 vezes campeão nacional de estrada polaco; um palmarés com algumas vitórias, mas, quase todas em provas de menor importância e menor categorização) acredita que, num dia bom, pode conquistar uma vitória numa fuga, mas, daí até achar que iria vencer com imensa categoria duas etapas numa grande prova, vai um longo passo. Até à semana passada, o ciclista polaco nunca tinha conquistado qualquer etapa numa prova de World Tour. No espaço de duas semanas, conquistou 2 numa das maiores provas do calendário da categoria máxima.

Embalado pelo triunfo na semana passada, o ciclista polaco galvanizou-se quando acreditou que poderia surpreender todos os trepadores que consigo se encontravam no momento do ataque na 2ª categoria do Alto del Torcal.

Os grandes momentos do dia haveriam de ser protagonizados por dois homens: com um ousado ataque na subida para o Alto del Torcal, Alberto Contador voltou a ousar desafiar a liderança de Froome e os lugares dos 9 homens que se encontram à sua frente na geral, no dia em que Froome teve dois percalços que o levaram a perder alguns segundos para os mais directos rivais.  Continuar a ler “Vuelta – Etapa 12 – Tomasz Marczinski bisa na chegada a Los Dólmenes; Alberto Contador volta a dar espectáculo na montanha”

Binckbank Tour – Etapa 6 – Tim Wellens atinge o estado de graça nas ardenas

Nos metros finais, o belga da Lotto-Soudal puxou e o holandês nem se importou muito de perder a etapa (e os inerentes segundos de bonificação reservados para o primeiro a cruzar a linha de meta) porque tinha a plena consciência que acabara de dar um passo importante para a vitória na geral. Este é o mais breve resumo da parte menos importante de uma corrida (nas ardenas; na região de Bastogne; em certos, a corrida cruzou-se com alguns dos trilhos da mítica clássica disputada durante a primavera) que espremeu um apetecível e saboroso sumo de clássica da primavera em pleno verão.

Dois grandes obstáculos marcavam os últimos 35 km de corrida na fantástica região da Valónia. Se o conhecido Côte de Saint-Roch (800 metros a uma pendente média de 12%), muro eternizado na mítica clássica integrante dos 5 monumentos que tem o seu término no icónico bairro de Ans, seria o ponto de partida para a discussão pela etapa, o Cote Boins des Moines acabou por fazer toda a diferença. Nos Boins des Moines, Oliver Naesen (AG2R) entrou na frente com alguma vantagem sobre um reduzido grupo de ciclistas, Peter Sagan arriscou tudo para poder vencer a prova, Tim Wellens foi inteligente na forma em como soube responder a Sagan mas Tom Dumoulin acabou por fazer toda a diferença em virtude do azar ocorrido ao eslovaco da Bora.

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Binckbank Tour – 5ª etapa – Lars Boom vence uma corrida com uma multiplicidade de equações em jogo

Nota prévia: Em primeiro lugar, cumpre-me saudar e elogiar o desenho escolhido pela organização da prova para a etapa corrida à volta da cidade de Sittard. O traçado desenhado para a etapa bem como aquele quilómetro dourado (3 sprints intermédios bonificados colocados no reduzido espaço de um quilómetro) que foi “inventado” pela organização a seguir à passagem dos ciclistas pela subida ao Schatzberg (800 metros com uma pendente média de 5%) era prometedor, à partida, de espectacularidade. Nesse quilómetro dourado, se um ciclista conseguisse passar na frente dos 3 sprints bonificados, conquistaria a preciosa vantagem de 18 segundos. A colocação dos 3 sprints intermédios à saída da ascensão para a última dificuldade do dia não foram colocados à toa pela organização. Se a corrida decorresse de acordo com os moldes previstos pela organização, os ciclistas com interesse à geral sentir-se-iam aliciados a atacar na subida final para ir buscar os segundos de bonificação.

A 5ª etapa da Binckbank Tour (antigo ENECO Tour) foi uma tirada de 1000 contornos estratégicos. Nos 163,7 km de corrida, os ciclistas teriam de enfrentar um complexo conjunto de 20 colinas até chegarem à recta da meta no Autódromo da Cidade de Sittard. À primeira vista, o traçado oferecia muitas oportunidades para puncheurs e afigurava-se como algo penoso para alguns roladores, pese embora o facto de terem chegado alguns no grupo que desde cedo tomou a dianteira da corrida. Continuar a ler “Binckbank Tour – 5ª etapa – Lars Boom vence uma corrida com uma multiplicidade de equações em jogo”

Binckbank Tour – Etapa 2 – Stefan Kung vence o crono de Voorburg

No 2º dia da prova, a organização decidiu conceder palco aos grandes roladores presentes no evento. Num pequeno crono de 9 km disputado sob chuva, adversidade que naturalmente obrigou os alguns ciclistas a executar as viragens com alguma cautela, a distância em si, era suficiente longa para afastar da discussão da etapa alguns sprinters que possuem valências na especialidade do prólogo como é o caso de Marcel Kittel.

Stefan Kung confirmou novamente as suas credenciais enquanto contra-relogista. O ciclista suíço da BMC tem vindo ao longo dos últimos meses a emergir como um dos maiores talentos nesta especialidade particular do ciclismo. A realizar uma temporada quase perfeita, o maduro ciclista de 23 anos, atleta que faz lembrar os primeiros anos da carreira de Fabian Cancellara (à semelhança de Cancellara, Kung também é um bom finalizador de etapas; não me causará espanto a possibilidade futura de vir a tornar-se um bom puncheur), obteve na Holanda a sua 5ª vitória da temporada, depois de já ter vencido uma etapa na Volta à Romândia e de se ter sagrado recentemente campeão suíço de contra-relógio. Ao derrotar dois dos grandes nomes do contra-relógio mundial (Maciej Bodnar, Tom Dumoulin, Jos Van Emden, Alex Downsett, Mathias Brandle), o suíço pode arrebatar a liderança da prova. O anterior líder da prova, Peter Sagan, portou-se muito bem ao atingir um bom tempo que o classificou na 18ª posição a 25 segundos de Kung.

Os grandes vencedores do dia acabaram por ser Tom Dumoulin (3º a 5 segundos), o seu compatriota Lars Boom (Lotto-Jumbo-NL; 5º a 10 segundos) e o belga Tim Wellens da Lotto-Soudal (9º a 17 segundos). Com magníficos tempos, os 3 ciclistas afiguraram-se como os principais favoritos à vitória na geral individual da prova, se atentarmos à exigência das etapas que se seguem na prova. Ao longo dos próximos dias teremos algumas etapas de colinas. Bastará por exemplo ver o traçado da 5ª etapa, tirada que será corrida na inclinada região de Sittard.

sittard

Binckbank Tour – Etapa 1 – O Cavalinho voltou a andar no ar

Não conheço nem conheci outro ciclista que celebre de forma tão efusiva as suas vitórias como Peter Sagan. Todos aqueles que por sorte (aquela sorte que não temos cá em Portugal visto que a nossa única prova de World Tour é a Volta ao Algarve) tem a sorte de conseguir um lugar ali perto da linha de chegada em etapas que venham a ser conquistadas por Peter Sagan, tem direito no final de etapa ao show acrobático do Cavalinho que é oferecido, literalmente de roda no ar, pelo bicampeão do mundo de estrada. Continuar a ler “Binckbank Tour – Etapa 1 – O Cavalinho voltou a andar no ar”

Michal Kwiat “Supersonic” Kowski vence a explosiva Clássica de San Sebastian

Explosiva. Táctica. Demasiado táctica. Incisiva. A edição deste ano da mítica Clássica de San Sebastian voltou a oferecer-nos ciclismo no seu seu estado puro: explosivo, emotivo, pensado ao pormenor e ofensivo. Na chegada a San Sebastian, o polaco Michal Kwiatkowski, ciclista que se tornou campeão do mundo em 2014 em solo espanhol (mais concretamente na lindíssima região de Ponferrada) juntou a vitória na clássica mais emblemática que é disputada aqui no país vizinho ao seu extenso currículo neste departamento de provas. A Sky mereceu mereceu por inteiro a vitória conquistada ao sprint pelo all-arounder polaco. Com uma abordagem extremamente ofensiva (e causadora de imenso desgaste nos rivais) nos últimos 30 km, a formação britânica foi aquela que mais esforços realizou para poder festejar a vitória no final dos inclinados e expressivos 230 km de corrida. Num final disputado ao sprint em grupo reduzido, Kwiat fez prevalecer a sua superioridade ao nível da finalização de etapas para bater a gigante concorrência que se formou nos últimos 10 km da prova. Continuar a ler “Michal Kwiat “Supersonic” Kowski vence a explosiva Clássica de San Sebastian”