Machado, o destruidor

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Toda a gente já sabe como é que esta história vai terminar. No final do campeonato o Moreirense vai descer de divisão e Manuel Machado, qual Pôncio Pilatos, aparecerá em público, de mãos lavadas, a dizer (no fundo, a mentir descaradamente) que “nunca desceu qualquer equipa de divisão” (quando de facto apenas não as consumou; contudo creio é mais coveiro aquele que as enterra por falta de engenho no início de qualquer temporada, porque a base é o princípio de tudo, do que aquele que fica de pá em riste à frente do buraco à espera da saída das carpideiras para finalmente poder fechar em paz a cova) e que as coisas só correram mal porque a direcção não lhe deu os devidos ouvidos no início da temporada – e aí é que está o centro desta questão: Machado é aquele clássico e conservador treinador de retranca “à antiga” que só consegue conceber um futebol\modelo de jogo para as suas equipas com jogadores escolhidos a dedo no qual 9 defendem (desorganizadamente; transformando um jogo esteticamente bonito numa verdadeira recriação da batalha de Arras) atrás da linha de bola e 2 (Tozé e Peña, os únicos jogadores cujos pés tratam bem a bolinha) correm desalmadamente na frente à procura de qualquer coisa, do pontito. O futebol das equipas de Machado continua imutável no tempo. Este era o futebol praticado pelo seu Guimarães, este era o futebol praticado pela sua “miserável” Académica, este era o futebol praticado pelo Nacional. Quando Machado não tem a matéria-prima que deseja no início de cada temporada, o resultado é catastrófico. Quando a coisa começa a correr mal, Machado arranja sempre forma de escudar a pequenez do seu trabalho nos argumentos patéticos que lhe conhecemos: a diferença de orçamentos, existente entre clubes grandes e pequenos, a diferença das receitas angariadas com os contratos de cedência de direitos televisivos existentes entre grandes e pequenos e bla bla bla do costume, bla bla bla de cordel que tem vindo a ser paulatinamente desmontado pelo fenomenal trabalho que vários treinadores (Miguel Cardoso, Nuno Manta Soares, Jorge Simão, Ricardo Soares, Daniel Ramos, Luís Castro, José Couceiro) têm vindo a realizar noutros clubes de semelhante dimensão e de semelhante grandeza de recursos financeiros.

Tudo errado! – Uma dúzia de pensamentos soltos e factos sobre o empate do Sporting em Moreira de Cónegos

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Estava profundamente enganado. Quando há algumas semanas atrás escrevi neste preciso espaço a ideia de que Jorge Jesus estaria, na presente temporada, mais consciente e mais criterioso na gestão que faz do seu plantel, escolhendo com prudência e mestria as soluções ideais para cada “tipo de adversário” estava profundamente enganado: os erros básicos de percepção e análise dos pontos fortes e fracos do adversário e a incapacidade evidente que o treinador do Sporting possui para “pensar um jogo de cada vez”, leva-o a cometer erros desnecessários (dados os objectivos traçados para a temporada e ao contexto do grupo de Champions no qual está inserido) que custam pontos e que custam, acima de tudo, títulos ao clube. Sempre que Jesus inventa, o Sporting perde pontos. Sempre que a equipa vem de um jogo contra um grande europeu, a equipa perde pontos. Só um treinador com uma enorme (inabalável) fé na(s) (falta de) qualidades de um jogador cuja prática (ou falta dela), perdoem-me a expressão, mete, a cada dia que passa, os adeptos leoninos à beira de um ataque de nervos, leva o treinador leonino a prescindir (num jogo em que era mais que “certo e sabido” que o adversário iria tentar complicar ao máximo a circulação leonina com uma boa prestação defensiva, com um enorme espírito de combate e com processos de jogo essencialmente formatados para a saída em contra-ataque) de um jogador de combate, colocando no seu lugar um jogador que não acrescenta nada a esta equipa. Nada. Volto a repetir. Nada.  Continuar a ler “Tudo errado! – Uma dúzia de pensamentos soltos e factos sobre o empate do Sporting em Moreira de Cónegos”

Um despedimento injusto

Em Abril deste ano, Petit substituiu Augusto Inácio no comando técnico do Moreirense. Tendo sido incumbido da enorme responsabilidade de tentar salvar o clube da descida de divisão nas 8 jornadas finais da Liga, feito semelhante ao que tinha alcançado (com um maior grau de dificuldade e com menos recursos do que os que possuía na equipa de Tondela, é certo) na temporada anterior quando salvou miraculosamente o Tondela da descida, o treinador deparou-se com um autêntico estado da calamidade no clube de Moreira de Cónegos.

Na ressaca da histórica conquista da Taça da Liga, a perda de dois jogadores influentes (talvez os mais influentes da equipa; Geraldes e Podence), culminou com um ciclo de 7 jogos sem vencer com Inácio. Apesar da situação não ser tão dramática (a turma de Moreira de Cónegos estava com uma vantagem de 4 pontos sobre Tondela e Nacional) como a que tinha encontrado em Tondela, à entrada para a 26ª jornada, os Cónegos tinham o seu plantel “mutilado” (é sempre difícil alterar rotinas construídas durante meses com a presença de determinados jogadores) e psicologicamente destroçado. O calendário também não ajudava. Nas 8 jornadas remanescentes para o final do campeonato, a formação de Moreira de Cónegos tinha que enfrentar Benfica, Porto e Braga em casa (em teoria 9 pontos perdidos) e dois rivais directos na luta pela manutenção fora de portas (Nacional e Arouca).  Continuar a ler “Um despedimento injusto”

Projectos desportivos alicerçados em pés de barro; estruturas familiares; ambições que comprometem

Nas últimas duas décadas, a história provou como cíclica a descida à 2ª Liga de equipas que nesse mesmo ano disputaram ou estiveram em vias de disputar as competições europeias, como foi o caso do Arouca na presente temporada. Quando alguns adeptos de clubes pequenos me apontam que a sua equipa deveria ter um bocado mais de ambição para poder lutar pelos lugares europeus, respondo quase sempre com recurso a um leque de perguntas: a estrutura directiva é coesa e organizada? Existe algum planeamento desportivo a médio e longo prazo, capaz de promover uma ascensão salutar dentro de moldes sustentáveis? O clube tem um nível interessante de sustentabilidade financeira e é bem gerido? O treinador e o seu staff oferecem garantias de poder vir a realizar um bom trabalho? O clube têm uma formação devidamente estruturada, com bons treinadores, com equipas competitivas e é capaz de prover a equipa sénior todos os anos? Antes de se fazerem à estrada, alguns dirigentes devem ponderar necessariamente este parâmetros para aferir se os seus clubes têm efectivamente condições para poderem lutar por objectivos deste nível. Continuar a ler “Projectos desportivos alicerçados em pés de barro; estruturas familiares; ambições que comprometem”