Slimani

Mais uma jogada cujos méritos pertencem por inteiro ao trabalho que Jorge Jesus fez com o jogador na temporada que o orientou. Não me venham com conversa fiada. Nem Leonardo Jardim nem Marco Silva conseguiram trabalhar com o jogador este tipo de movimentações nem conseguiram muito menos, desenvolver-lhe aqueles rudimentares atributos técnicos (toda a gente se recorda certamente da parede que Slimani era nas primeiras temporadas em Alvalade nas situações nas quais vinha ao exterior participar nos processos de circulação da equipa), atributos que hoje lhe permitem ser um ponta-de-lança completamente diferente daquele que chegou a Alvalade.

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A magia de Sadio Mane

Da instável prestação do Liverpool frente ao Watford de Marco Silva. Contra o atrevido Watford de Marco Silva, a formação de Jurgen Klopp cometeu falhas defensivas que são, no meu entender, imperdoáveis para uma equipa que tem a ambição vir a imiscuir-se na luta pelo título. Os 3 golos da formação do noroeste de Londres resultaram de 3 patices defensivas pegadas (no primeiro golo, golo obtido na sequência de um pontapé de canto, à falha de marcação juntou-se a inépcia na desactivação do bloqueio que foi feito a Simon Mignolet; o 2º golo resulta de uma clara falha posicional da defensiva dos reds no lance do 3º golo, a formação de Klopp voltou a falhar na abordagem aos pontapés de canto adversário, ao não colocar nenhum jogador ao primeiro poste; como os Hornets já tinham vindo a bater cantos para o primeiro poste, justificava-se ali a presença de um jogador para poder atacar imediatamente a bola) e, a verdade é que o Liverpool não conseguiu matar o jogo nas oportunidades flagrantes que dispôs nos minutos subsequentes à obtenção do 3º golo.

Sadio Mane fez um vistão no lance do primeiro golo. O médio ofensivo pode realçar mais uma vez toda a sua fantasia, inteligência e capacidade de finalização. A acção foi deliciosa. Com dois adversários na ilharga, o médio sabia que ao passar para Moreno iria obrigar os dois adversários a ter que saltar na pressão para tentar roubar a bola ao lateral. A correcta presunção permitiu-lhe entrar no espaço livre, onde pode dar a entender que iria receber a bola para eventualmente tentar entrar na área em drible. Com a simulação, o médio senegalês imobilizou literalmente dois jogadores e só teve que entrar concedido pelos adversário para voltar a receber a bola com todos os royalties para finalizar.

Andy Robertson

A transferência do lateral escocês do Hull para o Liverpool por 11 milhões de euros foi uma verdadeira pechincha para os Reds. No início deste defeso, a imprensa portuguesa avançou a possibilidade do Sporting estar interessado nos serviços do talentoso lateral esquerdo. O “negócio Coentrão” acabou por ser mais rentável para os cofres leoninos. Jorge Jesus ganhou, para uma posição muito sensível do terreno, um jogador experiente com quem já realizou um virtuoso trabalho no passado, pesem embora as condicionantes que afectaram o jogador nas últimas temporadas, mas poderá, por outro lado, ter deixado passar um dos mais talentosos laterais da nova geração europeia.  Continuar a ler “Andy Robertson”

O fim da linha para Rúben Semedo

O defesa central diz adeus a Alvalade. Assim à primeira vista, os 12 milhões de euros que pagos pelo passe do defesa central por parte do Villareal são, na minha modesta opinião, um imaginável encaixe para os cofres de Alvalade pelo jogador em questão e confirmam dois aspectos muito importantes: Continuar a ler “O fim da linha para Rúben Semedo”

Hoje Escreve o Mister #12

Por Pedro Sousa, treinador de futebol

Nem sempre ser idolatrado, ter boa imprensa e uma excelente máquina de propaganda por trás chega para um treinador atingir os objectivos, mas também se deve realçar que nas derrotas ou vitórias nunca se deve esquecer o fundamental: ter competência; essa que a maioria avalia pelos resultados, tal como vitórias não significam ter a mesma! Muitos esquecem vários factores para definir competência, essa que pode levar ou não ao sucesso, e que na maioria das vezes é muito mal avaliada pelas emoções e nunca com uma racionalidade de análise no que é mais importante e de uma forma mais profunda de todos os factores integrados e momentaneamente inseridos.

Confesso que nunca fui um adepto exacerbado do Marco Silva porque não me identifico com algumas ideias e características que defende e já tinha identificado anteriormente na observação a várias situações, mas reconheço-lhe competência suficiente naquilo que ele procura para as suas equipas noutros momentos, sendo mais um jovem treinador muito promissor do futebol português que com certeza pode ter sucesso se continuar a sua evolução.

Por isso fica o meu abraço nesta hora difícil da sua carreira, que rapidamente vai fazer esquecer. Deve acima de tudo escolher melhor os seus projectos futuros para não entrar num ciclo onde muitos já entraram e nunca mais saíram… Ficam os desejos de boa sorte ao Marco Silva e força para o próximo projecto.

Hoje Escreves tu #13 – Como avaliar a era Jesus, Mestre da Táctica, no Sporting? – 1ª parte

Por Miguel Condessa

Pontos prévios para perceberem onde me situo e onde situo o meu clube de coração para fazer esta análise:

  • O Sporting, dado o seu passado recente, chegou às mãos do Bruno de Carvalho (BdC) numa situação muito fragilizada em relação aos seus rivais, quer em termos de activos que possuía, quer em termos monetários/económicos, quer em termos de organização, quer do clube, quer da SAD, quer em termos de poder no desporto em Portugal! Estaria muito mais próximo do que é a realidade do Sporting de Braga do que seriam, e são, as realidades do Porto e, especialmente, do Benfica que nessa altura já dominava em quase todas as vertentes.
  • Não sou um admirador incondicional do Jesus. Reconheço-lhe mérito técnico-táctico como treinador, acho-o um bom treinador de campo, que lê bem os jogos, mas também lhe reconheço grandes deficiências noutras valias fundamentais a um treinador que, em conjunto com as primeiras, acabam por fazer o treinador no seu todo. Além disso acho-o uma pessoa muito limitada. É muito centrada no seu Ego, raramente assumindo os erros que comete – que não são tão poucos como isso. No geral acho-o um bom treinador, que poderia ser muito melhor se fosse uma pessoa mais culta e mais equilibrada, com a dose de humildade que normalmente os grandes seres têm – quem é grande, mesmo, nunca precisou de se colocar em bicos dos pés. Não é, nem pouco mais ou menos, o que pintam dele, e muito menos o que ele pensa de si próprio.
  • Jesus, no geral, é um treinador no mesmo patamar de um Vilas Boas, de um Marco Silva, de um Rui Vitória, de um Paulo Fonseca, de um Vitor Pereira, e até há pouco tempo até do Jardim, que esta época demonstrou que já está num patamar superior, mais próximo do Mourinho! Terá umas características melhores, outras piores, como todos. E, para mim, é a soma disso tudo que os coloca a todos num mesmo patamar, mesmo que determinadas características possam indicar um mais que os outros para determinado momento num determinado clube.
  • Diminuir esse fosso gigante requeria um trabalho monstruoso de reorganização a todos os níveis e uma elevada percentagem de acerto, quase a roçar o 100%, nas tomadas de decisão necessárias. No que ao futebol diz respeito, que é basicamente o que interessa para aqui, requeria uma acertada remodelação do futebol, a dispensa acertada do entulho que por lá havia e a contratação cirúrgica e acertada de novos jogadores, gastando pouco e bem, ao mesmo tempo se fazia um esforço para manter os bons jogadores que já tínhamos. Continuar a ler “Hoje Escreves tu #13 – Como avaliar a era Jesus, Mestre da Táctica, no Sporting? – 1ª parte”

Slimani, mais uma vez!

Não, tudo o que foi feito com a evolução deste jogador não pertence à “mão dourada” de Marco Silva. Não, os indices físicos deste jogador, a sua mobilidade, a sua capacidade em vir atrás participar mais nos processos colectivos da equipa não foram obra e graça de Marco Silva. Não, não foi Marco Silva que colocou 30 milhões nos cofres de Alvalade. O “Slimani” de Marco Silva estava longe de ser o Islam Slimani da actualidade. Muito longe! Por mais que só queiram apontar as virtudes ao técnico português (naturalmente percebemos a razão que leva a imprensa portuguesa a levar Marco Silva nas palminhas; se fosse vendido em vez de despedido da forma bruta como foi por Bruno de Carvalho, estou certo que não teria metade do hype que tem na actualidade) e eu até sou justo o suficiente para lhe apontar 2 grandes trabalhos no Estoril e no Hull (porque no Olympiacos, face às evidências do destruído campeonato grego, até o Paulo Bento vai ser campeão apesar de ter sido despedido). Já na sua passagem pelo Sporting, pesada a conquista da Taça de Portugal e o bonito futebol que a equipa praticou a espaços, a época foi muito irregular. Quando uma temporada é marcada pela irregularidade, não se pode dizer que um treinador tenha feito um bom trabalho.