Breve passagem de olhos sobre alguns dos highlights do suplício australiano em Murrayfield

kepu

A 129ª e última selecção de Stephen Moore pelos Wallabies (53-26; a maior derrota registada pelos australianos nas 30 partidas realizadas contra os escoceses; os escoceses nunca tinham conseguido alcançar em toda a sua história duas vitórias seguidas sobre a selecção australiana), merecia outro nível de respeito por parte do pilar Sekope Kepu. Aos 39 minutos de jogo, numa fase do encontro em que os Wallabies estavam claramente por cima, galvanizados pelos dois ensaios “cavados” ao pé pelo abertura Bernard Foley na ressaca de um demoníaco arranque de partida protagonizado pela selecção da casa nos primeiros 20, o pilar dos Waratahs de Sydney decidiu cometer uma acção completamente infantil, despropositada e anti-desportiva (que pode ser vista a partir do minuto 49:45 até ao minuto 52:30 deste vídeo), que, para além do consequente e merecido castigo de que decerto será alvo nos próximos dias por parte da World Rugby, porque no rugby não há lugar para este tipo de atitudes irracionais que podem colocar em risco a integridade física do adversário, decerto o envergonhará. Ao largo da bela ilha de Tonga, entre daikiris e pinacoladas, Kepu terá certamente um mês de férias para reflectir sobre a borrada que manchou um jogo já de si extraordinariamente complicado para a sua selecção em virtude do pace elevadíssimo que foi colocado na partida pelos escoceses (aproveitando aquele que era à partida o seu maior trunfo frente aos australianos: a maior frescura física) e da incisividade e agressividade colocada pelos Scots nos seus carries e no seu desempenho defensivo. Continuar a ler “Breve passagem de olhos sobre alguns dos highlights do suplício australiano em Murrayfield”

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Um fulgurante início de digressão europeia para os Wallabies

O presente ano de 2017 não está certamente a ser um ano fácil para o seleccionador australiano Michael Cheika e para alguns dos pilares da estrutura da modalidade naquele país. Aos problemas de fundo já identificados aqui neste post, problemas para os quais as respostas que tem sido dadas pelas entidades oficiais que tutelam a prática da modalidade no país ainda não tem sido minimamente satisfatórias para combater de forma eficaz esses mesmos problemas, aos maus resultados acompanhados pelas más exibições que a selecção realizou nos testes de Junho frente à “equipa B” da Escócia (derrota copiosa sofrida em casa por 19-24) e frente à selecção italiana (vitória magra por 40-27) e na partida da primeira jornada do Rugby Championship frente aos neozelandeses (copiosa derrota caseira por 34-54), aos maus resultados somados pelas equipas australianas na edição de 2017 Super Rugby (das 5 selecções provinciais, apenas uma, os ACT Brumbies se qualificaram para os quartos-de-final da competição, convindo referir neste ponto que a formação de Camberra só se qualificou porque o actual sistema em que está organizada classificativamente a competição, sistema que promove a divisão das equipas em 3 divisões de circunscrição nacional, oferece ao primeiro classificado da sua divisão nacional a passagem directa para os quartos-de-final da prova indiferentemente do score pontual registado na fase regular) acresceu a lastimável decisão que veio a ser tomada no Verão pela Sanzar, a empresa que actualmente organiza a principal competição de selecções provinciais (agora transformadas em franquias de gestão privada) do Hemisfério Sul, quando decidiu, na sequência dos baixos índices de competitividade demonstrados pelas formações australianas nos últimos anos, cortar a participação em 2018 a uma das cinco equipas daquele país, mais concretamente à franquia da 3ª potência formadora do país: a Western Force de Perth, franquia que foi no passado responsável pela formação de alguns dos melhores jogadores da história do país como David Pocock (histórico asa da selecção australiana) Digby Ioane (36 internacionalizações somadas pelos Wallabies)ou Ben McCalman (50) e desenvolvimento de outros como Matt Giteau, Nathan Sharpe ou Drew Mitchell. A decisão, escolha que foi extremamente influenciada por motivos estratégicos de ordem comercial que são ambicionados pela própria empresa (os responsáveis da Sanzaar consideram que a cidade de Melbourne pode vir a transformar-se no futuro como um mercado de altíssima rentabilidade) e pela pressão que foi exercida durante meses exercida pelo lobby de investidores da franquia dos Rebels – poderá vir a ter os seus custos para o futuro da modalidade do país, em função da distinta esfera de influência que a modalidade goza junto das populações dos dois estados. Em Perth, o rugby union é a 2ª modalidade mais praticada logo a seguir ao ciclismo; no Estádio de Victoria, a modalidade deverá ser talvez a 6ª ou a 7ª mais praticada no Estado, tendo efectivamente menos atletas federados do que modalidades como o Aussie Rules, o Rugby League (variante de 13; jogado de acordo com regras ligeiramente diferentes), o futebol, o ténis, o cricket e o ciclismo. Continuar a ler “Um fulgurante início de digressão europeia para os Wallabies”

Michael Hooper!

Este foi na minha opinião o momento de maior destaque da vitória por 20-37 da Selecção Australiana de Rugby no jogo disputado no passado sábado em Mendoza frente à selecção argentina, test que encerrou a participação das duas selecções na edição de 2017 do Rugby Championship. Num jogo muito disputado, no qual, até aos 55″ (o resultado final pode explicar-se pela abrupta queda física sentida pelos Pumas a partir desse minuto)  não só conseguiram dar muita réplica defensiva (placando bem; apresentando uma organização defensiva quase exemplar em campo) como foram muito criativos no desenho das suas iniciativas ofensivas. Um dos ensaios obtidos pelos pumas no primeiro temponasce de uma bela investida do médio de abertura Nicolas Sanchez, arrancada na qual o jogador dos Jaguares fez uma bela finta de passe para tirar Will Genia do caminho.

Por outro lado, os australianos viram a sua dupla de médios (Will Genia e Bernard Foley) realizar uma imaculada exibição na qual, tanto Genia como Foley conseguiram nas suas acções ler muito bem o posicionamento da defensiva adversária para criar boas plataformas de ataque susceptíveis de quebrar a linha da vantagem\situações de finalização dentro dos 22 adversários.

Exemplo disso foi este ensaio totalmente criado pela visão\leitura de Genia para Reece Hodge ainda no primeiro tempo.

O mesmo comportamento irrepreensível aplicou-se a espaços a algumas das acções ofensivas do flanqueador capitão Wallaby, jogador que na saída de uma tentativa de maul dinâmico, inventou “com uma corrida lateral” o diminuto espaço pelo qual o ponta Reece Hodge entrou para quebrar a linha da vantagem.

michael hooper

Com a sua acção, Hooper arrastou consigo o capitão argentino Agustin Creevy, abrindo um pequeno espaço entre dois jogadores argentinos.

hooper

Como Creey não contava certamente que o flanqueador australiano pudesse fazer um cruzamento com o jogador que teoricamente lhe poderia ceder apoio (Reece Hodge) mas antes com um curto passe para Bernard Foley (o jogador que na imagem aparece mais recuado de chuteiras brancas) o talonador argentino decidiu adoptar uma postura mais expectante, não saíndo na pressão para placar. O espaço assinalado a azul (de sensivelmente 3 metros) ficou aberto. Hooper apercebeu-se disso e explorou com um cruzamento com Hodge.

hodge

O ponta entrou muito bem no espaço, escapando com muito mérito à tentativa de placagem imediata. A linha de vantagem está portanto ultrapassada. À defensiva argentina será portanto mais difícil intervir neste lance, apesar de ainda ter 2 jogadores na sua linha mais atrasada.

genia

No entanto Will Genia aparece muito bem no apoio ao portador, criando uma situação indefensável de 2×1. Hodge liberta a oval no tempo certo para escapar à placagem e isolar o médio de formação. Genia corre para o ensaio, escapando à perseguição pelas costas de um argentino.