O futuro está garantido – o brilharete dos miúdos na UEFA Youth League

Fonte: o Artista do Dia

Da goleada infligida pelos leõezinhos à equipa de sub-19 da Juventus, elenco que é apresentado pelo emblema bianconeri no ultra competitivo Campionato Nazionale Primavera. 

Não posso deixar de concordar que a equipa leonina jogou na tarde do dia de ontem contra uma formação muito pobre em todas as dimensões do jogo (em termos defensivos, a falta de qualidade desta Juve é efectivamente gritante e algo atípica para uma equipa de um país cujo pensamento futebolístico dá um especial enfoque, trabalha, melhor, especializa, desde tenras idades, acima de qualquer outro aspecto, o comportamento defensivo e o rigor táctico das suas equipas e dos seus jogadores) que nem sequer está no top 5 das melhores formações italianas do escalão. Se abrirem o link suprapostado verão que esta Juve está a realizar um penoso arranque de campeonato na sua principal competição doméstica, encontrando-se a anos-luz daquela que neste momento é considerada a melhor equipa de formação do futebol italiano: a Fiorentina. Desta formação da Juve, a creio que poucos (ou talvez nenhum) serão aqueles que conseguirão conquistar o seu espaço na equipa principal nos próximos 3 anos.

Por outro lado não posso ignorar de todo o contexto sob o qual se disputou esta partida. A UEFA Youth League é um palco de aferição privilegiado para os treinadores (das equipas principais) e uma enorme montra para os jogadores. Quero com isto dizer que já ninguém encara a competição como uma mera competição rotineira, cuja utilidade serve para oferecer experiência internacional aos jogadores – grande parte dos jogadores que “caem” nesta competição são jogadores que detém alguma ou até bastante experiência internacional – adquirida através da sua presença nas selecções jovens do seu respectivo país (na competição, há dezenas de jogadores que participaram nos últimos anos nas fases finais de europeus e mundiais de sub-17) ou através da presença, desde tenras idades, em torneios (em Portugal existem neste momento vários; a Castelo de Vide Cup, o histórico torneio da Pontinha, a Algarve Youth Cup ou o Pateira Cup – Torneio Internacional de Fermentelos – Águeda são alguns dos maiores) que contam com a participação de alguns dos principais emblemas internacionais. – Se por um lado para os treinadores das equipas principais, a pressão destes momentos pode ser o barómetro ideal para aferir o grau de resposta de um determinado jogador (que imaginemos, até já tem vindo a participar regularmente nos trabalhos da equipa principal) sob um contexto superior de pressão, constituíndo-se portanto como o teste ideal para perceber quem é que está pronto para embarcar (leia-se ser lançado) para o futebol profissional e quem é que ainda suscita dúvidas, (devendo ficar a demolhar em águas bacalhau até outra ocasião), para os jogadores estes momentos constiuem-se como os testes ideiais para provarem que estão aptos a embarcar ou para se mostrarem à elite do futebol europeu, no caso dos jogadores dos clubes de menor dimensão que participam na prova.

A equipa leonina provou acima de tudo ser uma equipa bastante madura, capaz de lidar com um ambiente de altíssima pressão e de cumprir um plano de jogo desenhado em função do adversário, com um futebol muito escorreito (muito cínico, muito pragmático mas ao mesmo tempo muito bem trabalhado ao nível de organização defensiva e saída para o contra-ataque) e eu creio que não terá sido fruto do acaso, a inclusão de vários jogadores que já trabalham (e jogam, em alguns dos casos) regularmente nas equipas principais e B do Sporting -casos do guarda-redes Luis Maximiano, dos laterais Tiago Djaló e Abdu Canté (dois autênticos pulmões, capazes de virar o flanco de cima a baixo durante 90 minutos) dos médios Pedro Ferreira e Miguel Luís (que fantástica capacidade de passe e visão de jogo; de todos os jogadores que vi, o jovem de 18 anos parece-me ser o talento mais sólido da nova fornada), do extremo esquerdo Jovane Cabral ou do técnico (muito técnico; muito frio; como pudemos constatar no fantástico trabalho individual realizado no primeiro golo) prometedor ponta-de-lança Rafael Leão, estes dois, jogadores que já obtiveram de Jorge Jesus, na passada quinta-feira, frente ao Oleiros, o bilhete para se estrearem na principal camera do futebol português. Não tenham a mínima dúvida: estes jogadores estão a participar “nesta prova de aferição” sob ordem de Jorge Jesus, para Jesus perceber quem é pode efectivamente puxar para os trabalhos da equipa principal e lançar nos momentos oportunos ou nos momentos em que uma ou outra lesão e um ou outro impedimento de índole disciplinar o obriguem a ir pescar às “equipas de formação” do clube.

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