Os golos da jornada (1ª parte)

Face à muralha de jogadores que o adversário colocou na área, Wijnaldum foi obrigado a sacar dos galões para encontrar espaço para disparar aquela bomba. No entanto, no início da jogada, com aquele pequenino toque de excelência técnica, o holandês teve o mérito de desmontar por completo a linha média adversária, abrindo espaço para a saída para o contra-ataque.

Depois de um arranque algo irregular na Premier, arranque no qual, pesem os interessantes e bem trabalhados pormenores demonstrados pela equipa no capítulo da organização da pressão (“a menina dos olhos de Jurgen Klopp”) e da transição para o contra-ataque (pormenores que permitiam à equipa passar rapidamente de uma mentalidade defensiva para uma mentalidade ofensiva, procurando servir, com pragmatismo em profundidade, em cada recuperação, as velozes investidas dos seus homens da frente, em especial as de Sadio Mane e Mohammed Salah) acabou por sobressair (pela negativa) a fragilidade defensiva do quarteto defensivo orientado pelo técnico alemão, o Liverpool vai começando a “despertar” para uma fase de maior regularidade quer em termos de resultados, quer em termos exibicionais, embora os 12 pontos de diferença para o City e a mais que evidente diferença de qualidade entre os planteis e o futebol das duas equipas, não permitam aos reds dizer que estão em condições de atacar o quer que seja pelo menos na presente temporada. Para reforçar esta ideia, sirvo-me da miserável exibição realizada por Dejan Lovren frente ao Tottenham, exibição no qual o croata e o seu colega de sector, o camaronês Joel Matip demonstraram possuir muitas dificuldades no controlo à profundidade adversária.  Continuar a ler “Os golos da jornada (1ª parte)”

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Os golos do dia (1ª parte)

A alegria de toda uma nação (sofredora; a passar por um período muito conturbado da sua história; na qual, na sequência da Revolução da Primavera Árabe de 2011, passou de uma feroz ditadura para outra ainda mais feroz, a de Mohammed Morsi, entretanto derrubada em 2012 por Abdul Al-Sisi) nos pés de um único jogador, nos pés grande ídolo do futebol egípcio: Mohammed Salah. Confesso que me emocionei imenso ao ver estas imagens. Não me coibi até de verter uma lágrima quando vi os efusivos festejos dos 80 mil adeptos presentes no Cairo, festejos que me fizeram recordar os meus eufóricos festejos no momento do inesquecível do golo de Miguel Garcia em Alkmaar, daquele golo de Rochemback frente ao Newcastle, do golo de Acosta que nos abriu portas para um título inesquecível, daquele golo do Capel frente ao Athletic ou daquele golo de Figo frente aos ingleses no Euro 2000. Esta é a verdadeira essência do futebol: uma equipa que não desiste do seu sonho até ao último minuto, a explosão de alegria de uma gigantesca população de 96 milhões de pessoas que ama o futebol da cabeça aos pés. O grande colosso do futebol africano está de volta ao Mundial, 27 anos após a última presença. Salah sucederá certamente a Abdel Ghani (o barbudo!) como o rei do futebol daquele país.  Continuar a ler “Os golos do dia (1ª parte)”

Os golos da Champions (2ª parte)

Começo este post com um grande golo, o golo que abriu o marcador na Otkrytiye Arena, no empate a 1 bola entre o Spartak de Moscovo e o Liverpool. Fernando (não confundir este médio centro de 25 anos com o seu homónimo compatriota que jogou no Porto e no Manchester City) castigou da melhor maneira, com uma exímia cobrança em arco, o livre assinalado sobre a falta cometida à entrada da área por Coutinho sobre o veterano internacional russo Aleksandr Samedov.

Os Reds de Klopp voltaram a escorregar na fase-de-grupos da Champions. Depois de terem empatado a 2 bolas com o Sevilla em Anfield Road no jogo da ronda inaugural, num empate que se pode qualificar como amargo se atentarmos ao número de oportunidades desperdiçadas no 2º tempo e para os erros defensivos cometidos nos golos dos sevillanos, em Moscovo, a história repetiu-se de certa forma. Os Reds desperdiçaram algumas oportunidades (construídas essencialmente através de processos de jogo que privilegiaram o flanqueamento de jogo para os corredores e a velocidade dos seus 3 homens da frente no ataque) e o seu trio da frente sentiu algumas dificuldades para se posicionar em linha no momento do último passe. 3 das melhores oportunidades criadas pelos reds ao longo dos 90 minutos foram anuladas por existência de posição irregular no momento do passe.  Continuar a ler “Os golos da Champions (2ª parte)”

Os golos do dia

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Hoje começo com as imagens de um golo (o primeiro do Sevilla ao Liverpool no jogo da passada quarta-feira) que apesar de ter surgido de um interessante e encadeado momento de construção dos andaluzes no último terço adversário, é acima de tudo uma lição de como “não defender numa competição de exigência máxima como a Champions” Continuar a ler “Os golos do dia”

The Kevin De Bruyne show

Três dos vários aspectos que me saltaram à vista desarmada na goleada do City frente ao Liverpool foram a péssima transição defensiva dos reds (nada habitual para uma equipa que foi trabalhada ao longo dos últimos meses para reagir rápido ao momento da perda), a facilidade com que os jogadores da linha média de Guardiola conquistaram rapidamente o controlo do meio-campo frente a um trio que faz da cobertura posicional uma das suas “forças” quando é obrigado a ter que defender no seu meio-campo (a cobertura posicional dos médios do Liverpool é o móbil que garante a recuperação e o lançamento apoiado do contra-ataque, com o auxílio de Firmino a ligar o jogo às alas, ou em profundidade, directamente para a velocidade de Salah ou Mané; nos primeiros 20 minuitos, os reds ainda conseguiram por em prática algum do seu “jogar”) e falta de agressividade aliada à última lacuna descrita em vários momentos do jogo. Os três maiores défices da formação de Liverpool permitiram um final de manhã\início da tarde idílico quer para Fernandinho quer para Kevin DeBruyne visto que tanto um como o outro tiveram várias oportunidades para colocar o seu passe vertical entre as linhas do adversário.

Nesta análise irei cingir-me apenas aos melhores momentos do belga no jogo:

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Desmistificar os novos imputs tácticos de Klopp em Liverpool

Há uns dias atrás já tinha escrito, a propósito das minhas observações do “novo” Liverpool de Klopp no jogo de preparação frente ao Hoffenheim, as ligeiras nuances que Mohammed Salah oferece em alguns aspectos ao modelo de Jurgen Klopp.

Com a utilização de linhas altas (avançados atrás da linha da bola), quer em 4-2-3-1 ou 4-4-1-1 (os sistemas tácticos mais utilizados no Mainz e no Dortmund) quer em 4x3x3 ou 4x3x2x1 (os sistemas tácticos mais utilizados em Liverpool) o treinador alemão pretende que a sua equipa seja uma equipa muito pressionante (com intensidade; sem momentos para respirar ou para deixar a outra equipa respirar) e muito bem organizada defensivamente.

Dentro dos sistemas tácticos operacionalizados pelo treinador alemão em Liverpool, os jogadores mais avançados no terreno devem constituir a primeira barreira de pressão (média\alta, dentro do meio-campo adversário) a sério para os adversários. A 2ª linha de pressão, composta por médios (Lucas Leiva, Emre Can) tem alguma liberdade, para poderem, por exemplo, cair em cima dos seus adversários nas faixas se os adversários quiserem iniciar a transição para o meio-campo adversário pelos corredores. Como uma boa parte das equipas “pequenas” do campeonato inglês assenta as suas matrizes ao nível de processos no contra-ataque e não gostam (algumas não se sentem mesmo confortáveis) de ter a bola na sua posse durante períodos de tempo prolongados, o alemão viu nesta chave, a chave do sucesso para tentar anular o contra-ataque adversário e dominar as partidas. A pressão média\alta quando bem executada tem a capacidade de deixar as equipas algo vulneráveis quando a bola é recuperada. A recuperação por defeito é um momento que faz subir as linhas imediatamente. Recuperando por exemplo a bola num erro de um central, numa situação em que estejam 4 jogadores muito próximos, rapidamente se pode criar uma situação de superioridade numérica que pode ser causadora de perigo junto da baliza adversária. Continuar a ler “Desmistificar os novos imputs tácticos de Klopp em Liverpool”