Um dia histórico para o ciclismo feminino holandês

Annemiek van Vleuten (Bigla Pro Cycling Team) e Anna van der Breggen (Boels-Doelmans) alcançaram um feito histórico para o ciclismo holandês ao conseguirem conquistar a dobradinha na prova de contra-relógio de elites do Campeonato do Mundo. O feito já não era alcançado por qualquer selecção desde o ano de 1996, ano em que a histórica Jeanne Longo e a sua companheira de selecção Catherine Marsal tinham alcançado o mesmo feito pela última vez em Lugano.

P.S: Amanhã realizar-se-à em Bergen a tão aguardada prova de contra-relógio de elites masculinas, prova na qual irão participar Nelson Oliveira e Rui Costa. A prova terá o seu início às 12:05 portuguesas (13:05 locais). Este contra-relógio poderá marcar o primeiro embate entre os dois grandes concorrentes ao Tour nos próximos anos. Na dura crono escalada que encerra os 31 km de prova, a subida ao Monte Floyd, se tudo correr bem e se não existir qualquer surpresa (Vasil Kyrienka, Geraint Thomas, Tony Martin, também poderão ter uma palavra a dizer), teremos Christopher Froome e Tom Dumoulin ao despique pela medalha de ouro. 

Rui Costa partirá  para a estrada às 12:51 enquanto Nelson Oliveira apenas sairá às 15:12.

 

 

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Vuelta – 9ª etapa – Froome voltou a ser rei e senhor desta Vuelta no Alto de Puig de Llorença

Intratável. Obstinado. Confiante. Dominador. No Alto de Puig de Llorença, ascensão que abrilhantou o final da 9ª etapa (a última antes do primeiro dia de descanso, cumprido durante esta segunda-feira) o grande patrão do ciclismo mundial voltou a demonstrar quem é que manda nesta Volta à Espanha.

Eu não sou nem nunca fui grande fã de Froome, antes pelo contrário, sempre o odiei e nunca percebi como é que um ciclista semi-desconhecido que nada tinha feito de positivo na sua carreira até aos 25 anos, conseguiu de um momento para o outro, conquistar um 2º lugar na geral de uma prova de 3 semanas (Vuelta de 2010; o melhor resultado até então obtido numa grande volta tinha sido um modesto 36º lugar no Giro no ano anterior) e partir desse resultado para um verdadeiro ciclo de dominação sobre toda a sua geração. Confesso também que ao longo dos últimos anos fui um dos questionou seriamente (quando pude ver o ciclista a limpar etapas no Tour com uma cadência monstruosa) a “limpidez das suas prestações” – tive momentos em que pude ver nas suas prestações alguns lugares-comuns ao rendimento outrora demonstrado por Lance Armstrong no Tour. A cadência imprimida pelo inglês nos ataques que lhe deram as primeiras vitórias no Tour assim o faziam suspeitar. O rendimento do corredor da Sky não era de todo normal. Nesta Vuelta, o ciclista britânico voltou “às suas origens”, ou seja, a uma estratégia em que o ataque é a melhor defesa. Parece-me claro que esta estratégia se deve sobretudo ao facto do inglês não ter uma equipa tão pujante a acompanhá-lo, ou, melhor, uma equipa tão pujante quanto aquela que o acompanha no Tour. No entanto, os ataques realizados nas explosivas rampas que a prova espanhola tem oferecido nesta primeira metade, indiciam que, mesmo apesar de não se encontrar ao mesmo nível de forma em que se encontrava no Tour, sempre que ataca, Froome é melhor que toda a concorrência e não é, tão expansivo e tão denunciado quanto foi no passado Lance Armstrong. Continuar a ler “Vuelta – 9ª etapa – Froome voltou a ser rei e senhor desta Vuelta no Alto de Puig de Llorença”

Jornalismo de sarjeta

A roçar o nível da sarjeta. Ou não viram pura e simplesmente, ou viram aspectos positivos que eu não vi da exibição do jogador. Não podendo afirmar nenhuma das duas, vou só simplesmente concluir que o artigo bem como a pontuação gentilmente oferecida ao jogador pelo referido órgão de comunicação social é parte integrante da mesma estratégia (paga para escrever bem) que lhe tem granjeado todo o hype e que o conseguiu vender pelo preço que foi vendido. Mas este tipo de situação não é nova no jornalismo português.

Denota-se desde há uns meses a esta parte uma estratégia bem montada por parte de alguém para levar os jornais a colocar na berlinda jogadores como Renato Sanches (todas as semanas vemos as notícias que a imprensa portuguesa planta sobre o jogador; quando as procuramos em alguns órgãos de comunicação alemães percebemos que as declarações que são atribuídas a jogadores, treinador e dirigentes do Bayern nunca foram proferidas), João Cancelo (que está a fazer uma época horrível) Bernardo Silva, Hélder Costa, Ivan Cavaleiro, André Silva, André Gomes, Pizzi, Gonçalo Guedes, Nélson Semedo, Ederson, Wallace, Nélson Oliveira, Soares. O que é que todos tem em comum? Sim. Isso. Precisamente. Sim. Está a seguir a linha de raciocínio correcta: todos eles são jogadores da Gestifute de Jorge Mendes. Até o “desaparecido” Fábio Coentrão, jogador que não é tido nem achado (literalmente no bolso de trás das calças de Zidane) tem vindo à baila nos últimos dias porque naturalmente, o Jorginho Mendes ainda precisa de facturar mais umas comissões com a eventual transferência do jogador para outro clube no final da época.

Como Gelson Martins não é um jogador agenciado por Jorge Mendes, de nada lhe valeu a fabulosa assistência de trivela para Cristiano Ronaldo – “comeu” com a mesma nota de um jogador que mal se sabe posicionar em campo e calou.

Já sabia que a Gestifute é uma das principais mecenas do jornalismo português. Contudo, fiquei a saber nos últimos anos que a Gestifute vai patrocinando os jornais desportivos portugueses e espanhóis à medida das suas necessidades. Trata-se de um jornalismo à la carta: ora escreves bem deste agora, ora escreves bem de outro depois e por aí adiante até que sejam todos despachados.

Volta à Catalunha – Uma decisão controversa e a vingança de Valverde

Após a vitória de David Cimolai na primeira etapa da prova, a 2ª etapa da Volta à Catalunha apresentou o primeiro grande desafio aos candidatos à vitória na geral da prova e às suas equipas: um contra-relógio colectivo longo em Banyoles. A Movistar de Alejandro Valverde foi a equipa mais rápida na estrada mas a vitória haveria de ser retirada pela UCI na sequência de um protesto por parte da equipa BMC, a 2ª classificada no crono.

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Quintana leva a azul do Tirreno Adriático para casa

A vantagem de 1 minuto e 9 segundos que o colombiano trazia em relação ao super especialista Rohan Dennis para o contra-relógio de 10 km que se disputou hoje na última etapa do Tirreno-Adriático, bastou para que o colombiano assegurasse a vitória na geral individual da prova. A vitória na etapa foi para o ciclista australiano da BMC. Com um tempo fabuloso, destronando o surpreendente Jos van Emden da Lotto-Jumbo, o australiano pode ultrapassar Thibault Pinot da FDJ. O francês defendeu-se bem mas não conseguiu segurar a sua segunda posição na geral.

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Muito discreto esteve Nélson Oliveira. O nosso grande especialista, um dos principais candidatos à vitória na etapa foi apenas 83º a 1 minuto de Dennis.