A Avenida de Moscovo

rui vitória 4

A derrota sofrida pelo Benfica em Moscovo colocou definitivamente Rui Vitória no fio da navalha. O cenário de despedimento, cenário que até à noite de ontem não passava de um mero cochicho murmurado debaixo das arcadas (nas barras de comentários de blogues; na língua viperina de um comentador mais rebelde e\ou abutre; é nesta última espécie que se insere por exemplo Rui Gomes da Silva) partilhado por um conjunto de adeptos descontentes com a prestação da equipa na presente edição da Liga dos Campeões e até no próprio campeonato, prova em que a equipa encarnada tem conquistado pontos aos solavancos (ora conseguindo vincar a sua supremacia sobre os adversários por força de acções individuais; ora ajudada por um ou outro erro de arbitragem) tornou-se uma hipótese bem real se a equipa encarnada não obtiver um bom resultado no próximo dia 1 de Dezembro na deslocação ao Estádio do Dragão. Independentemente dos feitos alcançados no passado (por mérito de quem? – é uma das perguntas que se deve colocar. Pela lavra de Rui Vitória ou pelo que foi deixado construído por Jorge Jesus?) feitos que o treinador encarnado faz questão de recordar estrategicamente na hora da derrota, para tentar justificar e salvaguardar a sua permanência no presente, passando um verdadeiro paninho quente sobre o que não fez e o que possivelmente não virá a fazer até ao final da temporada por manifesta falta de matéria-prima ou por manifesta incapacidade, quem anda pelo futebol sabe que para salvar a sua pele num momento de aperto, qualquer presidente acossado não hesita em culpabilizar o treinador pelo mau momento da equipa, despedindo-o. Continuar a ler “A Avenida de Moscovo”

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A horrível abordagem defensiva realizada pela formação portuguesa frente aos Estados Unidos

  1. 2018, será um tempo de renovação em parte do sector defensivo desta selecção. Se nas laterais, Fernando Santos ou, outro treinador que possa vir a assumir a equipa para o próximo ciclo em caso de uma estrondosa hecamtombe na Rússia, cenário que não acredito de todo que vá acontecer  (como sabem eu não sou particularmente fã do estilo de jogo desta selecção; mas, mesmo apesar de não ser um fã deste estilo de jogo que considero profundamente anacrónico e antagónico à identidade do jogo português, atribuo, no pior dos cenários, francas possibilidades de conseguirmos, pelo menos, chegar aos quartos-de-final; por outro lado só atribuo favoritismo a três selecções: Alemanha, Espanha e Brasil) está bem servido (embora reconheça que foram até ao momento raras as boas exibições defensivas de Nelson Semedo), no centro da defesa, poderemos ter que vir a renovar toda a frota findo o mundial. Nem José Fonte pode vir a escapar em virtude dos seus actuais 33 anos, embora me pareça que o central do West Ham tem condições físicas para continuar a servir a selecção pelo menos por mais dois anos. Abrindo-se a porta da saída a Pepe e Bruno Alves, abre-se a porta a uma renovação total no eixo do sector defensivo.

2.Sempre fomos um país formadores de razoáveis\bons defesas centrais. De Vicente Lucas a Pepe e Bruno Alves, passando por Humberto Coelho, Rui Rodrigues, Lima Pereira, Eurico Gomes, Fernando Couto, Jorge Costa, Ricardo Carvalho ou Jorge Andrade, o longo dos últimos 50 anos foram raros os momentos em que a nossa selecção teve dificuldades em encontrar uma dupla sólida para o sector. Esse estado pode efectivamente alterar-se no final do mundial. Pese o facto de existirem neste momento alguns jogadores com um futuro prometedor, e desses mesmos jogadores já terem dado provas no nosso campeonato, nas nossas selecções jovens ou noutros campeonatos (falo designamente de jogadores como Luis Neto, Ruben Semedo, Ricardo Ferreira, Fábio Cardoso, Frederico Venâncio, André Pinto, Josue Sá, Domingos Duarte) e de ainda estarem a maturar alguns talentos nos sub-21 (entre os quais Ruben Dias, o mais promissor dos centrais portugueses) neste momento, creio que neste momento nenhum destes dá sólidas garantias se for obrigado a assumir a titularidade da selecção. Ruben Dias é, repito, na minha opinião, o mais talentoso desta geração e é, aquele em quem mais deposito fé. Eu sou um apreciador de algumas das características de Rúben Semedo, mas reconheço-lhe por outro lado, noutros aspectos as suas evidentes falhas. Continuar a ler “A horrível abordagem defensiva realizada pela formação portuguesa frente aos Estados Unidos”

Os golos da Champions

Uma aposta de risco de Rui Vitória. Um par de notas sobre a estreia ao mais alto nível de Mile Svilar

Incontornável assunto colocado à discussão na ordem deste 19 de Outubro foi o ridículo golo sofrido por Mile Svilar na derrota caseira averbada pelo Benfica por 1-0 frente ao Manchester United. Assim que Bruno Varela deixou entrar (por manifesto excesso de confiança) aquela bola saída dos pés de Renato Santos na derrota dos encarnados no Estádio do Bessa, creio que seria lógica e natural a possibilidade de Rui Vitória vir a trocar de guarda-redes nos jogos seguintes, para, numa fase mais adiantada da temporada, promover, na altura certa, quando o jogador já se encontrasse totalmente adaptado à sua nova realidade e às rotinas trabalhadas na equipa, o jovem talento Mile Svilar. O ridículo golo sofrido na noite de ontem em nada beliscou aquilo que penso sobre o jovem guardião belga: Svilar tem um potencial infinito por explorar, talento no qual sobressai um estilo muito peculiar (é um guarda-redes que gosta de actuar ligeiramente mais subido no terreno; característica clássica dos guarda-redes belgas), uma boa capacidade de recuperação na baliza, felino no voo, bastante ágil e flexível, e muito rápido a sair aos pés dos adversários – como ponto fraco parece-me ter somente a saída ao cruzamento por questões meramente posicionais, como pudemos reparar no lance do golo. Svilar não me parece ser aquele tipo de guarda-redes incisivo, agressivo e decidido a sair a cruzamentos, mas, os seus 18 anos, e as 2 temporadas que passará certamente na Luz (podem vir a ser mais ou até menos consoante o grau de evolução) conferem ao treinador de guarda-redes dos encarnados Luís Esteves algum tempo para poder calmamente lapidar os pontos fracos deste diamante em bruto.

A aposta de Rui Vitória no jovem guardião belga, jogador que cumpriu ontem o seu segundo jogo no escalão sénior e o primeiro na principal prova do futebol europeu, tornando-se o mais jovem guardião a alinhar num jogo a contar para a Champions, para um jogo no qual o Benfica teria obrigatoriamente que marcar pontos para continuar a acalentar o sonho de poder discutir o acesso aos quartos-de-final foi por motivos óbvios uma aposta de risco. Mesmo sabendo que estava a submeter o miúdo a um ambiente de extrema complexidade de pressão, frente a uma das mais poderosas equipas do futebol mundial, numa competição onde cada falha é aproveitada pelo adversário e cada falha comprometedora é obviamente sentida de maneira diferente por um jovem em início de carreira, o treinador do Benfica quis obviamente aproveitar a ocasião para correr o risco, ou seja, para dar estaleca ao miúdo, consciente que o belga “saíria em ombros da Luz” se fizesse uma monumental e galvanizadora exibição (exibição que efectivamente realizou até sofrer aquele golo) e muito dificilmente seria criticado ou até gozado (pelos adeptos do clube) se cometesse uma falha grave. Os adeptos dos rivais obviamente passaram o dia a capitalizar sobre a falha, mas isso é uma questão tão antiga quanto a origem do vento e não deverá influir com a psique do jogador. Pelo que tenho visto, confiança não faltará ao jogador para dar a volta por cima nas cenas dos próximos capítulos. Quando, em 2006, nos primeiros jogos de leão ao peito, Rui Patrício falhou, os adeptos dos clubes rivais também cairam sobre o pobre keeper sportinguista. Rui Patrício teve na altura, força mental para aprender com os erros cometidos, para superar os seus próprios fracassos, para se sedimentar como titular da baliza leonina naquela temporada (na altura, o Sporting vivia uma situação muito idêntica à que vivia o Benfica; mesmo apesar das falhas esporádicas que o jovem guardião ia cometendo aqui e ali, Paulo Bento continuou a segurá-lo e a dar-lhe a sua confiança) e acima de tudo para trabalhar com confiança, tornando-se o assombro de guarda-redes que hoje efectivamente é.  Continuar a ler “Os golos da Champions”

Atlético 1-1 Barcelona – Um mero e breve conjunto de apontamentos

Entrada prometedora dos catalães na partida.

O guião, vulgo, plano de jogo, de entrega total,, ditado por Diego Pablo Simeone aos seus jogadores já é ou pelo menos já deveria ser sobejamente conhecidos por todos aqueles que tem estado minimamente atentos ao percurso da formação colchonera desde o momento em que argentino assumiu o seu comando técnico. No que concerne às suas ideias de jogo, às dinâmicas e aos processos que compõem o seu modelo de jogo, o treinador argentino raramente altera o quer que seja em função do potencial do adversário que vai defrontar. A equipa mantém-se fiel às matrizes da histórica identidade construída pelo técnico argentino nas últimas 4 temporadas, alterando apenas o nível de intensidade e de agressividade com que a equipa pressiona o adversário logo nos primeiros minutos (porque efectivamente estes jogos dão “muito mais ganas” aos jogadores) – ainda há duas semanas, na partida disputada contra o Leganés a formação colchonera entrou à sua imagem e semelhança – a pressionar alto a saída adversária para condicionar a sua construção (obrigando a equipa adversária a reciclar o jogo para os espaços para os quais o Atleti quer que ela saia – para os corredores – para efectuar a rápida recuperação), nunca permitindo que a equipa adversária consiga estar confortável no jogo (leia-se: em posse durante longos períodos de tempo, no seu meio-campo), recuando as suas linhas quando a equipa sente que a pressão alta não está a surtir o devido efeito (não está a permitir a recuperação de bolas) e\ou que a disposição num bloco baixo extremamente bem organizado do ponto de vista de cobertura posicional e apoios (sectores bem preenchidos – sempre com superioridade nas zonas onde está a bola) é a disposição no terreno mais profícua para fechar a sua baliza, encurtar os espaços para a equipa adversária circular (negando-lhe sempre a possibilidade de entrar no jogo interior; linhas muito próximas) e capitalizar cada recuperação nas saídas para o contra-ataque, aproveitando claro está, neste capítulo, o maior adiantamento do adversário no terreno. Continuar a ler “Atlético 1-1 Barcelona – Um mero e breve conjunto de apontamentos”

A melhor exibição colectiva e táctica da temporada não resultou em mais porque houve falta de qualidade na definição e um ligeirinho complexo de inferioridade nos momentos-chave

barcelona

Um turbilhão de emoções. Quem viu no estádio deverá ter decerto sentido que o Sporting poderia ter retirado muito mais daquela segunda-parte. Não foi um verdadeiro “encostar do adversário” às cordas porque os catalães também defenderam bem (chegando a ter 8 unidades no interior ou nas imediações da área) e conseguiram a espaços, nos momentos de maior pressão adversária com muita classe, melhor, com a classe que estratifica jogadores como Jordi Alba, Andrés Iniesta, Sérgio Busquets e Lionel Messi como jogadores de 1ª linha mundial, ter mecanismos (os tais que faltaram ao Sporting para ser criterioso na saída para o contragolpe) para levar a bola para o meio-campo adversário, cumprindo a mais ortodoxa das estratégias de gestão da vantagem. Aquelas que nos faltaram cumprir por exemplos nos jogos contra o Feirense, Estoril e Olympiacos.

No entanto, o Sporting no 2º tempo fez o que 99% das equipas europeias não conseguiram fazer nos últimos 15 anos contra este Barça: encostar a equipa catalã ao seu último reduto, aplicar uma pressão altíssima e de certa forma asfixiante que não deixava os catalães sair “à lagardère” em construção (a defesa subida até perto da linha de meio-campo comportava os riscos e consequências depreendidas na primeira parte quando o Barça começou a explorar a profundidade devido à falta de alternativas concedida pela excelente organização defensiva do adversário) e roubar muitas bolas passíveis de se constituírem como contra-ataques bastante promissores.Nesses contra-ataques faltou-nos critério (bloco a subir rapidamente, falta de linhas de passe para dar continuidade às arrancadas de Bruno e Gelson; é certo que a cada recuperações caiam logo uma data de jogadores sobre o portador, a começar por Sergio Busquets, estacando imediatamente a transição com um desarme ou com uma falta cirúrgica; passes certeiros), faltou um certo apoio dos laterais às investidas nas alas e alguma qualidade no momento da definição das jogadas.

A melhor exibição colectiva e táctica da temporada (quase perfeita no primeiro tempo; arrojada e suicida no 2, mas que ao mesmo tempo nos encheu de tanto orgulho; cumprindo à risca o plano de jogo que já vinha desde há algumas semanas a antever) poderia ter sido selada com um tiro de glória se Bas Dost (a atravessar uma clara crise de confiança) tivesse optado por atacar aquela apetitosa bola com a fé que o caracteriza, ao invés da infrutífera decisão tomada com a assistência para o lado para a entrada o remate de Bruno Fernandes. Estivemos tão próximos de um resultado positivo susceptível de nos abrir a porta do sonho num verdadeiro mar de espinhos. Contudo, fiquei ciente de

  • se no domingo fizermos uma exibição deste quilate de pureza contra o Porto (creio que não é preciso alterar nada no onze titular e no plano de jogo; a melhor forma de respondermos à estratégia que Conceição apresentará em Alvalade será baixar linhas e dar-lhes toda a iniciativa no nosso meio-campo; temos suficiente estabilidade, segurança e organização defensiva para enfrentar qualquer equipa ) venceremos;
  • se formos um bocado mais organizados e menos temerários ofensivamente poderemos bater a Juventus.
  • A terceiro e não menos importante: este estádio atingido frente ao Barcelona ainda não é na minha opinião o nível de evolução máxima que esta equipa pode vir a atingir no decurso desta temporada.

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Os golos do dia

Cada vez mais importante na mecânica do Barcelona de Ernesto Valverde é Nelson Semedo. O “novo-velho” Barça, equipa que de novo no seu modelo de jogo pouco tem (à excepção da forma em como defende, em 4x4x2, das movimentações sem bola, e da reactivação do flanco direito, ultrapassado que parece estar o “barrete” da adaptação de Sergi Roberto à posição; nos últimos 5 anos, creio que a única invenção, quer ao nível táctico, quer ao nível das movimentações e dos processos de jogo ofensivos e defensivos, só ocorreu quando Luis Enrique mudou o sistema para 3x4x3; a organização defensiva dos seus mais recentes adversários, em blocos ultra recuados até à entrada da área é um bocado “mais do mesmo” daquilo que temos assistido da equipa nos últimos anos, ou seja, uma equipa que passa uma vida inteira a circular a bola com paciência no meio-campo adversário, à procura da solução ideal para entrar no bloco do adversário usando para o efeito uma multimodal panóplia de processos, nos quais a ideia passa sempre por libertar Messi; tornando Messi tão preponderante como sempre foi desde que começou a calçar as suas brilhantes Total 90; há que contrariar todos aqueles que afirmam categoricamente “que Messi está mais decisivo do que aquilo que era”, em todos os capítulos do jogo; basta ver a quantidade de vezes em que o argentino desce no meio-campo para pegar no jogo e organizá-lo; não está, exactamente tão decisivo quanto antes; a única coisa que verdadeiramente mudou neste aspecto foi a dependência da equipa em relação a Messi; prova disso mesmo são os 9 golos em 5 jogos) pode agora contar finalmente (até Iniesta cresce no jogo com a entrada de um bom lateral direito) com uma ala direita funcional com um lateral capaz de ligar o jogo (do exterior para o interior), atrevido quando tem a bola nos pés (Valverde gosta de dar liberdade a todos os jogadores para expressarem toda a sua criatividade) e capaz de identificar espaços e soluções (à imagem do que aconteceu neste lance, tabelando com Iniesta para entrar no espaço concedido pelo adversário) que granjeiem conquistas à equipa.

Já agora, o gesto técnico de Messi na cobrança do penalty é fenomenal!

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Portugal 4-0 Nova Zelândia – Passeata em São Petersburgo

15 minutos finais de aceitável futebol permitiram à selecção confirmar o apuramento na primeira posição do grupo num jogo em que os restantes 75 não foram verdadeiramente aceitáveis face ao adversário que defrontámos em São Petersburgo. Perante um adversário tão inofensivo que só construiu 2 situações de golo em 2 lances oferecidos pelos centrais e pelo guarda-redes português, e tão débil do ponto de vista defensivo, o jogo contra os neozelandeses deveria ter sido facilmente solucionado no primeiro tempo com uma goleada se não tivessem existido alguns dos erros a que este elenco nos tem habituado. Continuar a ler “Portugal 4-0 Nova Zelândia – Passeata em São Petersburgo”