O exibicionismo de Nick Kyrgios – parte 2

Há cerca de um mês atrás escrevi aqui pela primeira vez algumas notas muito pessoais sobre a minha opinião acerca do tenista australiano Nick Kyrgios. Nesse pequeno post de introdução ao ténis do australiano deixei no ar a ideia que se o atleta alocar todos os seus recursos técnicos a uma maior objectividade, e se controlar de vez os seus laivos de estupidez e até de exibicionismo, poderá ser o “caso sério” da próxima geração do ténis. Continuar a ler “O exibicionismo de Nick Kyrgios – parte 2”

O exibicionismo de Nick Kyrgios

Uma das grandes rupturas entre a arte grega e a arte romana foi traçada a propósito da utilidade da arte. Enquanto um dos propósitos da arte helénica radicava-se na procura de retratar o belo, até mesmo nas pinturas e esculturas que retratavam acções dramáticas e violentas, os romanos não procuraram retratar tanto a estética do belo em si. Devido à mistura de influências entre a arte dos gregos e a arte dos etruscos, os romanos procuraram sempre realizar obras de arte com algum sentido estético desde que devidamente pautadas, por outro lado, por um enorme senso prático, funcional para gerar utilidade. É belo mas não é útil?

A mesma pergunta deve-se fazer ao ténis de Nick Kyrgios. Sim, é belíssimo. É pensado ao pormenor e é executado com a minúcia de um bom ourives. É útil? Tem dias. Se fosse belo e útil, o australiano, de 21 anos, já estaria no top 10 mundial e já teria mais torneios no saco do que os modestos 3 que conquistou desde que se tornou profissional em 2013. Há dias em que o tenista está onfire, ou seja, nos dias em que está para jogar ténis a sério. Noutros o australiano vê no court de ténis um espaço para exibir somente os seus dotes técnicos, não lucrando nada com esse tipo de comportamentos. Nos dias piores, o campo é para Kyrgios um autêntico campo de batalha, onde tudo serve para acender o rastilho da imensa pólvora que o australiano tem dentro de si pronta a rebentar.