O Aves de Lito Vidigal

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Ao longo da vida, é natural ou pelo menos deve ser considerado como natural a simpatia ou a preferência por determinadas pessoas ou personagens em detrimento de outras, cuja personalidade, carácter ou feitio choca directamente com a nossa(o), ou com aquelas cujas atitudes ou comportamentos praticados não se enquadram nos moldes dos valores éticos ou nos comportamentos que acreditamos, defendemos, ensinamos e praticamos. No entanto, o facto de não gostar da personalidade de determinada pessoa ou dos comportamentos que esta pratica, não me tolda ao ponto de não reconhecer a grandeza dos seus feitos, o luminoso brilho do seu pensamento ou a grandeza da sua obra. Ao contrário do português comum, o sucesso alheio não me cria qualquer espécie de confusão nem sequer uma pontinha de inveja. Infelizmente sei que vivo em completa contra-corrente em relação à realidade do país. Os portugueses têm uma certa tendência para idolatrar deuses com pés de barro que nada de útil tem para oferecer à sociedade e para ferrar o seu mesquinho bico naqueles que realmente tem conteúdo para oferecer. O português tem uma natural tendência para querer ter em igual marca e espécie o carro que o vizinho comprou. Se não consegue igualar o seu fato ou o seu feito, o português não descansa enquanto não descer o vizinho ao seu nível de mediocridade. A propósito disto um dia escreveu Torga nos seus diários:   “Só há uma solução quando se vive num ambiente medíocre, entre medíocres: recusar a mediocridade” – ao longo destes últimos meses, tenho-a recusado insistentemente, “afastando de mim esse cálice” – como um dia cantaram Milton e Chico Buarque. Continuar a ler “O Aves de Lito Vidigal”

Projectos desportivos alicerçados em pés de barro; estruturas familiares; ambições que comprometem

Nas últimas duas décadas, a história provou como cíclica a descida à 2ª Liga de equipas que nesse mesmo ano disputaram ou estiveram em vias de disputar as competições europeias, como foi o caso do Arouca na presente temporada. Quando alguns adeptos de clubes pequenos me apontam que a sua equipa deveria ter um bocado mais de ambição para poder lutar pelos lugares europeus, respondo quase sempre com recurso a um leque de perguntas: a estrutura directiva é coesa e organizada? Existe algum planeamento desportivo a médio e longo prazo, capaz de promover uma ascensão salutar dentro de moldes sustentáveis? O clube tem um nível interessante de sustentabilidade financeira e é bem gerido? O treinador e o seu staff oferecem garantias de poder vir a realizar um bom trabalho? O clube têm uma formação devidamente estruturada, com bons treinadores, com equipas competitivas e é capaz de prover a equipa sénior todos os anos? Antes de se fazerem à estrada, alguns dirigentes devem ponderar necessariamente este parâmetros para aferir se os seus clubes têm efectivamente condições para poderem lutar por objectivos deste nível. Continuar a ler “Projectos desportivos alicerçados em pés de barro; estruturas familiares; ambições que comprometem”