Rúben Neves: uma venda que rendeu 20 mendilhões

Ao contrário do que aqui escrevi a propósito da transferência de André Silva para o AC Milan, tenciono discutir o valor da transferência de Rúben Neves bem como o seu potencial. Na minha modesta opinião, acho que o valor da transferência é elevadíssimo para o mediano potencial futuro que Rúben Neves apresenta. Quero entrar portanto por caminhos sinuosos que levam, invariavelmente, a discussões apaixonadas.

É preciso dizê-lo com franqueza e abertura: Continuar a ler “Rúben Neves: uma venda que rendeu 20 mendilhões”

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Uma excelente venda

Não quero debater de forma alguma a comissão gigantesca que Jorge Mendes irá obter por parte do seu novo parceiro financeiro. Sabemos que ao certo, André Silva poderá render entre 28 a 30 milhões directos para os cofres do necessitado FC Porto. Poderá estar afastada a hipótese do FC Porto não vir a participar nas competições europeias nos próximos anos, cenário que poderia ser uma profunda machadada no futuro do clube portista. Não discuto o potencial (presente e futuro) do jogador porque é enorme. Não discuto o clube para o qual foi vendido o jogador porque parece-me claro que o destino foi uma imposição do seu empresário. Nem discuto a verba porque creio que os 38 milhões pagos pelo jogador equivalem ao percurso que foi feito, ao seu potencial no presente e ao seu potencial futuro.

Contudo não posso deixar de tecer um breve comentário relativo à regressão que foi trilhada com o jogador por Nuno Espírito Santo na temporada que agora finda. Podemos valorizar ainda mais a venda se ponderarmos que Nuno Espírito Santo desistiu da evolução do jogador a meio da temporada, por motivos técnicos e tácticos. As mudanças tácticas “desenhadas” aquando da chegada de Soares (o bizarro 4x4x2 sem referência de área, obrigando André Silva a ter que jogar muito longe do seu habitat natural), a obsessão pelo equilíbrio defensivo e a própria preferência do treinador pelas características do brasileiro, moldando de certa forma a equipa às suas características, não ajudaram em nada à evolução natural de André Silva. Estes são os factores que naturalmente explicam a sua queda de rendimento na 2ª metade da temporada. Senti que em muitos jogos, o jogador andava completamente confuso, estranhando as funções (de exterior à área) que lhe foram incutidas pelo treinador. Nesta valorização não está preso um único fio de cabelo do antigo treinador dos dragões. Arrisco-me até a dizer que o treinador fez o possível e o impossível para desvalorizar o jogador.

Jorge Mendes pode não mandar mas decide

Ainda há bem pouco tempo, o antigo director desportivo do Valência Roberto Ayala fez umas declarações bastante pertinentes sobre este assunto. Nestas declarações, o antigo futebolista argentino, agente que foi incumbido de ser o director desportivo do clube ché na viragem para a “gerência” do singapurenho Peter Lim, contou-nos o esquema que Jorge Mendes “monta” nos clubes com os quais tem boas relações:

“De repente vi que havia coisas que não estavam bem. Havia um triângulo perigoso entre o dono [Peter Lim], o treinador [Nuno Espírito Santo] e Mendes, o agente. Um triângulo que não ia ajudar o clube. O plano inicial era perfeito: uma secretaria técnica que avaliava todo o mercado à procura do que melhor se adaptava ao clube, o corpo técnico para potencial o jogador e o representante mais hábil do mundo para depois negociar esse produto. Mas não entenderam assim. Compraram com preços altos e eu não podia compartilhar esse tipo de gestão”

Roberto Ayala a 13 de Fevereiro de 2017

Eis o esquema com que Mendes fez escola no futebol mundial. Continuar a ler “Jorge Mendes pode não mandar mas decide”

É histórico mas há quem não compreenda

Quinito. Tomislav Ivic (2ª passagem), Octávio Machado. Gigi Del Neri. Victor Fernandez. Co Adriaanse. Paulo Fonseca. Julen Lopetegui e agora Nuno Espírito Santo. Estes foram os treinadores que Pinto da Costa despediu nos últimos 35 anos. O que é que tem todos em comum? Não conquistaram qualquer título nacional (à excepção de Adriaanse) e nunca caíram no goto dos adeptos do Porto. Assim que alguém espirrou a palavra “demissão” (de Pinto da Costa), o primeiro a saltar foi o treinador, para que a “revolução” não chegue ao presidente. É histórico no modus operandi de Jorge Nuno Pinto da Costa, mas há quem não o compreenda. Sempre que existe contestação a um treinador no final de um jogo, o prazo de validade de um treinador afere-se pelo grau de protecção dado pelo presidente na saída das instalações e entrada do treinador no autocarro do clube. Se PC entrar juntamente com o seu treinador no autocarro, este ganha uma nova vida. Se PC não entrar em conjunto com o seu treinador no autocarro, este será despedido nessa noite.

O estranho caso de Miguel Layun

Ainda hoje ocorreu, numa conversa casual com o Miguel, autor convidado desta casa, trocarmos algumas considerações, onde estabelecemos pontos de vista concordantes, sobre a proveitosa utilidade que teria o lateral mexicano no onze do Sporting face à desastrosa temporada que os laterais esquerdos de Alvalade realizaram sob o mais alto patrocínio (que nos faz assemelhar a portadores do síndrome de Tourette sempre que olhamos para a sua presença no onze) de Jorge Jesus. Enquanto o Miguel me convencia que o nosso clube poderia obter o jogador através de um mecanismo de trocas de jogadores já que este não é uma primeira opção discutível de Nuno Espírito Santo e eu tentava refutar que muito dificilmente o Porto abriria mão do jogador para um rival, muito menos por tuta e meia (infelizmente, o futebol português ainda não é como o italiano, futebol no qual os grandes clubes trocam regularmente jogadores como se de cromos estes se tratassem) convergimos na opinião que nos torna imperceptível a razão que levou o treinador do Porto a abdicar na presente temporada daquele que foi de longe, na nossa opinião, o melhor dos portistas na temporada passada. Continuar a ler “O estranho caso de Miguel Layun”

Hoje Escreves Tu #11

Por Eduardo Barroco de Melo

Se matematicamente ainda é possível, o campeonato acabou hoje. Claro que foi mais um jogo em que o árbitro deixou os cartões em casa e parece incapaz de ver faltas na área, mas que o “jogo externo” está contra o Porto já nós sabemos. Isso não apaga, contudo, as culpas próprias de um clube que anda perdido há muito. Esqueçam lá o “Somos Porto” e o “Só perdes quando desistes de lutar”, isso é bom para enganar tolos. É certo que este clube foi forjado na capacidade de trabalho para ultrapassar os obstáculos que lhe foram colocados no caminho sucessivamente. Mas as frases feitas não fazem nenhuma organização, e se há coisa que define o sucesso é a competência. O Porto foi o clube mais competente no futebol português nos últimos 40 anos, mas andamos há quatro anos (mais?) à deriva.

Acreditei que era possível ganhar apesar do Nuno Espírito Santo, mas o jogo de hoje é prova de que isso não é possível. Tenho imenso respeito pelo que deu como jogador e pela forma como sente o clube, mas a total desorganização em campo não são desculpáveis por isso. Nuno não soube fazer a transição para um clube grande e é confrangedor ver esta equipa a jogar como uma equipa pequena. Jogar a defender com muitos e a despejar bolas na frente de forma absolutamente aleatória tem sido a norma e contra uma equipa que jogou com 11 dentro de área é um suicídio. Ser obrigado a ver como se desvalorizam jogadores como Rúben Neves, Óliver Torres, Otávio, Brahimi e André Silva e ter de ver Maxi, André André ou Soares (que não tem qualidade nem para fazer parte do plantel) é inqualificável.

Há pouco tempo comemoraram-se 35 anos da presidência de Pinto da Costa e estamos todos eternamente gratos pelo que fez pelo clube. Mas, no fim desta época, deixa de haver condições para que mantenha o cargo. Quem não sabe sair por si, tem de sair empurrado. E não há ninguém maior do que o clube, nem mesmo Pinto da Costa.

Rafa vs Mehdi Carcela

Não pude deixar de observar nos últimos dias esta estatística do site Goalpoint.pt. Nos últimos anos, as pessoas tem levado ao extremo a comparação entre jogadores com base nos números estatísticos realizados sem atender a uma multiplicidade de factores como as características e competência individuais e colectivas dos jogadores nos vários planos do jogo, a sua adaptação ao novo clube, a novos métodos de trabalho e a um conjunto de rotinas e processos de jogo, ao trabalho “invisível” que é feito pelos treinadores com determinado jogador (que pode ser visível se o jogador demonstrar em campo uma determinada evolução trilhada) e à  forma em como os treinadores conseguem adequar as suas unidades às matrizes identitárias que são trabalhadas na equipa, optimizando o seu rendimento.

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