Os golos da jornada (1ª parte)

A importância de uma boa saída na transição para o contra-ataque: o segredo da vitória do FC Porto em Vila do Conde. 

Começo este post com um par de notas sobre a vitória dos portistas em Vila do Conde.

A equipa de Sérgio Conceição teve na primeira parte algumas dificuldades para contrariar a bem montada estratégia de jogo por parte de Miguel Cardoso, estratégia que diga-se de passagem é a mais verdadeira matriz identitária desta equipa. À imagem e semelhança daquilo que fez contra o Benfica, nos primeiros 45 minutos, o treinador do Rio Ave (agente cujo “berço de treino” foi precisamente a formação do FC Porto) apostou nos habituais e bem trabalhados\apurados processos de construção da equipa (iniciados a partir de trás, dos pés do guarda-redes Cássio) para dominar a posse de bola, acima de qualquer outro aspecto, conseguir ultrapassar as duas primeiras linhas de pressão do 4x3x3 subido escalonado por Conceição para colocar os seus médios ofensivos, Tarantini e Barreto de frente para o jogo e com espaço para acelerar a construção ofensivo no meio-campo adversário, aproveitando o espaço existente entre a linha média e a linha defensiva da formação portista.  Continuar a ler “Os golos da jornada (1ª parte)”

Que lindo!

Que bem joga o Porto de Sérgio Conceição! Dinâmica, mobilidade na procura de vir receber o passe do colega e dar rapidamente para o apoio mais próximo (primeiro Aboubakar\ depois Otávio), inversão do sentido de jogo, apoio para dar continuidade à jogada, criação de um engodo no interior com a entrada de dois jogadores no bloco adversário, de forma a criar novos problemas à defesa (veja-se a saída do lateral direito da sua posição para pressionar Otávio; o arrastamento abre o espaço que permite a situação de sobreposição e por conseguinte a oportunidade para a assistência) e o corte de Otávio pelas costas da defesa como nada se passasse, inserindo-se sem qualquer oposição em zona de finalização. Tudo ao primeiro toque. Fantástico! Fiquei encantado com esta jogada!

Hoje Escreves Tu #11

Por Eduardo Barroco de Melo

Se matematicamente ainda é possível, o campeonato acabou hoje. Claro que foi mais um jogo em que o árbitro deixou os cartões em casa e parece incapaz de ver faltas na área, mas que o “jogo externo” está contra o Porto já nós sabemos. Isso não apaga, contudo, as culpas próprias de um clube que anda perdido há muito. Esqueçam lá o “Somos Porto” e o “Só perdes quando desistes de lutar”, isso é bom para enganar tolos. É certo que este clube foi forjado na capacidade de trabalho para ultrapassar os obstáculos que lhe foram colocados no caminho sucessivamente. Mas as frases feitas não fazem nenhuma organização, e se há coisa que define o sucesso é a competência. O Porto foi o clube mais competente no futebol português nos últimos 40 anos, mas andamos há quatro anos (mais?) à deriva.

Acreditei que era possível ganhar apesar do Nuno Espírito Santo, mas o jogo de hoje é prova de que isso não é possível. Tenho imenso respeito pelo que deu como jogador e pela forma como sente o clube, mas a total desorganização em campo não são desculpáveis por isso. Nuno não soube fazer a transição para um clube grande e é confrangedor ver esta equipa a jogar como uma equipa pequena. Jogar a defender com muitos e a despejar bolas na frente de forma absolutamente aleatória tem sido a norma e contra uma equipa que jogou com 11 dentro de área é um suicídio. Ser obrigado a ver como se desvalorizam jogadores como Rúben Neves, Óliver Torres, Otávio, Brahimi e André Silva e ter de ver Maxi, André André ou Soares (que não tem qualidade nem para fazer parte do plantel) é inqualificável.

Há pouco tempo comemoraram-se 35 anos da presidência de Pinto da Costa e estamos todos eternamente gratos pelo que fez pelo clube. Mas, no fim desta época, deixa de haver condições para que mantenha o cargo. Quem não sabe sair por si, tem de sair empurrado. E não há ninguém maior do que o clube, nem mesmo Pinto da Costa.

Um empate que sabe a pouco quando foi feito tanto

Tudo na mesma depois do jogo do título: o empate acaba por ter um sabor agridoce para ambas as equipas. O ponto não satisfaz os interesses traçados pelo Benfica para esta jornada nem reflectiu o que os encarnados fizeram ao longo dos 90 minutos. Há que dizê-lo abertamente: o Benfica fez por merecer a vitória apesar do empate também se justificar pelo excelente arranque de segunda parte que a equipa de Nuno Espírito Santo realizou e pelos problemas que causou à construção de jogo dos encarnados. Por outro lado, um empate na Luz foi um mal menor para os portistas. Estou certo que se vendessem aos adeptos do Porto um empate, 80 a 90% compravam-no antes da partida começar. Como referiu e bem Rui Vitória, o campeonato será disputado até às últimas jornadas. Restará ao Porto continuar a marcar os 3 pontos e ao Benfica ultrapassar o jogo de Alvalade.

Com um início demolidor de jogo (mesmo apesar da pressão no osso que os jogadores do Porto fizeram a meio-campo) principalmente dos jogadores que compõem o seu flanco direito (nos primeiros minutos foi essencialmente Nelson Semedo quem foi carregando a equipa para a frente com as suas fintas e progressões com bola no flanco direito) os encarnados, tal como eu previ neste post de antevisão, tomaram as rédeas do jogo, alcançando o primeiro tento numa grande penalidade que não existe. Jonas cria o desequilíbrio, tirando a bola do raio de acção de Felipe para depois dar aquele impulso enganador a Carlos Xistra porque precisamente teve a noção que poderia não chegar novamente ao esférico. No entanto, acredito que à velocidade a que se disputou o lance, Carlos Xistra tenha sido iludido pela ilusão que o brasileiro criou com o seu movimento. Felipe tenta pisar o pé de Jonas (é notória essa tentativa do central brasileiro nas imagens televisivas que a BTV cedeu) mas creio que acaba por não acertar no pé do brasileiro. Valeu-lhe a experiência para sacar a grande penalidade e convertê-la com muita classe, deixando Casillas cair para um lado antes de rematar para o meio da baliza.

Continuar a ler “Um empate que sabe a pouco quando foi feito tanto”