Os golos da jornada (1ª parte)

Face à muralha de jogadores que o adversário colocou na área, Wijnaldum foi obrigado a sacar dos galões para encontrar espaço para disparar aquela bomba. No entanto, no início da jogada, com aquele pequenino toque de excelência técnica, o holandês teve o mérito de desmontar por completo a linha média adversária, abrindo espaço para a saída para o contra-ataque.

Depois de um arranque algo irregular na Premier, arranque no qual, pesem os interessantes e bem trabalhados pormenores demonstrados pela equipa no capítulo da organização da pressão (“a menina dos olhos de Jurgen Klopp”) e da transição para o contra-ataque (pormenores que permitiam à equipa passar rapidamente de uma mentalidade defensiva para uma mentalidade ofensiva, procurando servir, com pragmatismo em profundidade, em cada recuperação, as velozes investidas dos seus homens da frente, em especial as de Sadio Mane e Mohammed Salah) acabou por sobressair (pela negativa) a fragilidade defensiva do quarteto defensivo orientado pelo técnico alemão, o Liverpool vai começando a “despertar” para uma fase de maior regularidade quer em termos de resultados, quer em termos exibicionais, embora os 12 pontos de diferença para o City e a mais que evidente diferença de qualidade entre os planteis e o futebol das duas equipas, não permitam aos reds dizer que estão em condições de atacar o quer que seja pelo menos na presente temporada. Para reforçar esta ideia, sirvo-me da miserável exibição realizada por Dejan Lovren frente ao Tottenham, exibição no qual o croata e o seu colega de sector, o camaronês Joel Matip demonstraram possuir muitas dificuldades no controlo à profundidade adversária.  Continuar a ler “Os golos da jornada (1ª parte)”

O golo do dia

Se na terça-feira, no jogo da Supertaça Europeia, a equipa de José Mourinho apresentou algumas dificuldades para sair no contragolpe naquela fase da partida em que foi remetida ao seu meio-campo em virtude “do jogo de movimentações” dos homens do Real, frente ao West Ham, a saída em transições rápidas foi uma constante ao longo do primeiro tempo. Continuar a ler “O golo do dia”

Real Madrid 2-1 Manchester United – Isco e mais 10

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Ainda não foi desta que José Mourinho pode levantar uma das duas taças que lhe faltam no seu extenso palmarés. Na primeira “final europeia” disputada em Skopje (Macedónia), a primeira presença do português (nas outras 2 conquistas europeias, o português não permaneceu nos clubes em questão para poder participar no acto solene de inauguração da época de caça no futebol europeu) no jogo de disputa do troféu ficou marcada, na minha opinião, por um conjunto de fases em que o Real de Zidane subjugou a sua formação a seu belo prazer. Os homens de Manchester ameaçaram ter capacidade para poder forçar um prolongamento que seria deveras injusto por exemplo, para o que fez Isco ao longo dos 74 minutos em que esteve em campo e para o futebol miserável que os Red Devils praticaram até aos 65 minutos. O médio internacional espanhol foi, sem sombra para dúvidas, o homem do jogo de um partida bastante intensa que poderia ter sido disputada para as meias de uma Champions. Continuar a ler “Real Madrid 2-1 Manchester United – Isco e mais 10”

O golo do dia

Dia de aniversário, a quanto obrigas! França e Inglaterra realizaram provavelmente um dos jogos do ano no amigável disputado esta noite no Saint Denis. Pelo que amiúde que pude ver na tv enquanto fazia de de convidado na festa de anos com que fui brindado, pareceu-me ter sido um jogo de uma qualidade técnica e física (pelo pace a que se disputou o jogo) sensacional, contrariando os aborrecidos amigáveis de final de temporada em que as pernas (e a cabeça dos artistas) estão longe do relvado e muito próximas dos exóticos destinos que irão preencher as suas vidas nas próximas semanas. Continuar a ler “O golo do dia”

Momentos da jornada europeia de qualificação para o Mundial

O fantástico momento individual do extremo bielorusso Pavel Savitskyi na vitória de Bielorussia frente à Bulgária por 2-1 no jogo a contar para o grupo A. Jogada de processos simples dos bielorussos. Passe muito bem calculado em profundidade do centrocampista Stanislav Dragun para a corrida do seu avançado frente ao central búlgaro Vasil Bozhikov. Com um drible para o interior, o avançado bielorusso do modesto Neman Grodno da liga bielorussa, tirou o seu oponente directo do caminho antes de realizar a preciosidade técnica que só parou no fundo das redes de Nikolai Mihaylov. Continuar a ler “Momentos da jornada europeia de qualificação para o Mundial”

Análise – Final da Liga Europa – Manchester United 2-0 Ajax – A vitória do pragmatismo

A vitória do Manchester United de José Mourinho na Liga Europa não foi a vitória do cinismo. A vitória do Manchester United de José Mourinho na Liga Europa também não foi a vitória da equipa mais forte. A vitória dos Red Devils na Liga Europa não foi a vitória da estética, nem a vitória da garra. A vitória dos comandados de José Mourinho na Liga Europa foi a vitória (sofrível) do pragmatismo. Do mesmo pragmatismo que rendeu triunfos em Londres e em Milão. O United cumpriu a sua missão como o plantel mais dotado desta fase final da Liga Europa. Mais mal do que bem. Mal era se não cumprisse face aos adversários que defrontou. Mais sofrível do que confortável. Contra adversários de segunda e terceira linha do futebol europeu à excepção do Ajax. À rasca. À rasquinha, se tomarmos em conta os acontecimentos dos minutos finais do jogo de Old Trafford frente ao Rostov e os minutos finais do jogo da 2ª mão das meias-finais frente ao Celta. O treinador português está obviamente de parabéns: a sua equipa fez finalmente um bom jogo na Liga Europa. Mais no capítulo defensivo do que no capítulo ofensivo. Mourinho estudou bem o adversário e anulou-o por completo, evidenciando as suas lacunas.

Contudo, este título não disfarça o facto da época ter sido um completo fracasso. O United avançou muito pouco com o português em relação a Van Gaal. O técnico português demorou muito tempo a implementar a identidade que pretendia, deixando a equipa a navegar num limbo de ideias. A identidade da equipa não foi totalmente construída ao fim de uma temporada, obrigando decerto o português a ter que reformular tudo no próximo verão. O United revela-se como uma equipa que procura as mesmas soluções (bloco baixo, saída no contra-ataque com poucas unidades envolvidas nas acções\jogo directo em desespero para as torres que possui na frente) à falta de gente capaz. A equipa não engatou nas transições para o ataque. A equipa tem défices enormes de criatividade. Ao longo da temporada, o principal reforço, foi sempre questionável porque evidenciou sempre “pouca fome” e muita lentidão de processos. O sector defensivo é altamente questionável ao nível de valor. Há muita “madeira podre” (termo britânico: “dead wood”) no plantel que tem que ser despachada.
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Breve análise: Manchester United 2-1 Anderlecht

Este elenco do Manchester United é o elenco mais estranho, senão mais bizarro que vi nos últimos 15 anos do trabalho de José Mourinho. Escrevo-o abertamente e sem rodeios. É para mim um facto inacreditável ver que o português, treinador que privilegia o rigor, a atitude, a disciplina, a construção de um plano de jogo sólido, mesmo que tais opções lhe custem andar arredado dos lugares cimeiros, chegou ao final da temporada neste clube (indiferentemente do lote de jogadores que possui e das lacunas da equipa, existem aqui jogadores que são apostas para o futuro)  sem conseguir formar um onze, sem ter planos de jogo devidamente trabalhados, sem conseguir “tirar” proveito de vários jogadores e sem conseguir evoluir mais que 2 ou 3 jogadores deste plantel. Em abono da verdade, só tenho visto evolução em 3 jogadores desta equipa do United: Bailly, Herrera e Rashford. Em variadíssimos casos (Pogba, Blind, Rojo, Valência, Martial, Ashley Young) só tenho visto regressão. Quando assim acontece, e quando o técnico português é obrigado a vir constantemente a público criticar a atitude e o profissionalismo de vários jogadores, de nada valeu o ano zero em Manchester. Mourinho terá que voltar a construir tudo de novo na próxima época com a entrada de várias unidades.

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