Balanço do Giro de Itália – as grandes surpresas e as decepções da 100ª edição da prova italiana (2ª parte)

Nota Prévia: Este post é a 2ª parte do trabalho iniciado durante o dia de ontem no primeiro dos 3 posts dedicados ao Balanço da 100ª edição do Giro de Itália. 

Lukas Postlberger – Bora – Surpresa – Até à primeira etapa da prova, o austríaco Lukas Postlberger era para muitos um perfeito desconhecido. O ciclista só se tinha revelado ao grande público uma ou duas vezes ao longo da sua jovem carreira, quando venceu uma etapa no Tour de L´Avenir (A Volta à França dos jovens) e quando venceu uma das etapas da Volta à Austria. Sendo utilizado naquela primeira etapa como o principal lançador do sprinter que a Bora convocou para o Giro (o irlandês) Sam Bennett, o corredor de 25 anos aproveitou a fase de lançamento do primeiro sprint da prova para realizar um mortífero ataque que deu à Bora o seu principal objectivo para a prova: uma vitória de etapa e o direito a envergar a camisola rosa por um dia. Continuar a ler “Balanço do Giro de Itália – as grandes surpresas e as decepções da 100ª edição da prova italiana (2ª parte)”

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Giro de Itália – Etapa 18 – Tejay Van Garderen vence na chegada a Ortisei; Dumoulin, Quintana e Nibali concedem tempo na geral

Desenganem-se todos aqueles que ao longo dos últimos dias pensaram que a discussão pela vitória na 100ª edição do Giro está “fechada a 3 corredores” – qualquer descuido do trio da frente poderá incorrer a corrida na situação verificada durante esta tarde nos últimos km da subida para Ortisei (St Ulrich): a reentrada de Thibault Pinot (Française des Jeux), Ilnur Zakarin (Katusha) e Domenico Pozzovivo (AG2R) na luta pela vitória na prova. Se, no espaço de 3 km e uns pós, o trio, conseguiu sacar entre 58 segundos, no caso de Pinot e Pozzovivo, e 42 no caso do trepador russo da Katusha, ao trio que segue na frente da geral da prova (Dumoulin, Nairo Quintana e Vincenzo Nibali), se amanhã e sábado, persistir o clima de “marcação cerrada” e “diálogo” entre os 3 enquanto os outros ganham segundos na frente, poderemos ter um volte face surpresa na prova.

Noutra “corrida” completamente à parte, Tejay Van Garderen deu a 2ª vitória de etapa à sua BMC. O ciclista Norte-Americano tirou novamente o pão da boca ao chefe-de-fila da Sky Mikel Landa em cima da linha de meta (3ª derrota ao sprint para o espanhol na prova) num dia em que a Sky voltou “a dar tudo nas fugas” para conquistar a vitória na etapa.
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Giro de Itália – Etapa 15 – Bob Jungels vence na chegada a Bérgamo

Aproveito o último dia de descanso pré-definido para poder recuperar a etapa em atraso na cobertura exaustiva que tenho vindo a fazer da 100ª edição do Giro de Itália. A 15ª tirada da prova, disputada ontem na região da Lombardia na distância de 199 km entre Valdegno e a cidadela de Bérgamo, foi a meu ver uma das etapas mais emocionantes da corrida. O desenho escolhido pela organização da prova foi per se garante de espectáculo.

As curtas mas duras contagens de montanha estacionadas nos 50 km finais (O Miragolo de San Salvatatore, 2ª categoria com uma percentagem média de inclinação de 9% e a subida a Selvino; uma curta mas dura terceira categoria de 8% de inclinação média), as técnicas descidas que os ciclistas tiveram de enfrentar a seguir à passagem pelas contagens de montanha e a rampa (em paralelo) de km e meio colocada a 4 km da meta na aproximação à linha de chegada (na cidadela de Bérgamo) previam um explosivo cenário de “clássica” (na região que acolherá mais para a frente o Giro da Lombardia) que poderia trazer diferenças para a geral e alguns contratempos.

Os contratempos vieram a existir. Na descida do Miragolo, Nairo Quintana caiu, sendo projectado contra um rail na berma da estrada. Na descida final, Davide Formolo da Cannondale, atleta que está na luta por um lugar no top 10 também caiu, perdendo 14 segundos para os seus rivais no final da etapa. Nos quilómetros finais, a organização da prova viria a provocar novos estragos na corrida depois do episódio lamentável ocorrido na subida ao Blockhaus: sem sinalização nos obstáculos (rotundas, passeios de sinais de trânsito), a chegada a Bergamo seria marcada pela terrível queda do 7º à geral Tanel Kangert da Astana. O ciclista estónio deu um trambolhão de todo o tamanho que o levou ao hospital com um ombro partido e com 3 fracturas no braço, devendo falhar o resto da temporada porque o tempo de paragem será de meio ano.

Outros ciclistas de menor importância também foram ao tapete: Adam Hansen (Lotto-Soudal), Alex Edmonsson (Orica) e Kenny Elissonde (Sky) também haveriam de cair, continuando porém a sua corrida apesar das lesões registadas nas mãos e nos braços. No meio do caos instalado, ao qual não escapou Rui Costa (descolou do pelotão na subida para Miragolo, vindo a perder 8 minutos para o vencedor) Bob Jungels deu, numa chegada em sprint restrito, a 5ª vitória em etapas à Quickstep na presente edição do Giro de Itália.
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Giro de Itália – Etapa 14 – Tom Dumoulin volta a desafiar a Movistar

Não haja dúvida: Tom Dumoulin é um tipo de tomates! O holandês da Sunweb colocou o assunto da Geral a um nível pessoal, voltando a irritar todos aqueles que o perseguem com uma exibição de sonho coroada com uma vitória na linha de chegada na subida de 11,8 km ao Santuário de Oropa. O comportamento exibido pelo holandês no Blockhaus voltou a repetir-se: no início da subida, o mau posicionamento do holandês parecia indicar uma certa quebra física. A Movistar voltou a endurecer a corrida, seguindo-se o ataque de Nairo Quintana. Sem ir ao choque, o holandês tomou a dianteira da perseguição, colocou o ritmo mais confortável que poderia colocar face às circunstâncias da corrida e no final, ainda teve forças para vencer a etapa e cavar mais umas diferenças para os mais directos perseguidores.
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Giro de Itália – Etapa 13 – Poker de Gaviria

Já cheira a goleada. Fernando Gaviria 4-1 Andre Greipel. O alemão da Lotto-Soudal já não sabe o que fazer para ser mais rápido que o colombiano da Quickstep. Tendo efectivamente mudado de estratégia nesta etapa, na abordagem ao sprint final, o alemão tentou-se colocar na roda do lançador do colombiano, o argentino Mauro Richeze, dando ali, a meu ver, um sinal claro de impotência para travar a onda de vitórias do ciclista sul-americano. Vindo bem de trás, o colombiano voltou a superiorizar-se a toda a concorrência, batendo em cima da linha de meta o irlandês Sam Bennett (a Bora voltou a promover um excelente trabalho na parte final da tirada) e o belga Jasper Stuyven, enquanto o alemão ficou novamente a dormir na forma. Esta poderá ter sido a última etapa discutida ao sprint da prova. Continuar a ler “Giro de Itália – Etapa 13 – Poker de Gaviria”

Giro de Itália – 4ª etapa – A diabólica etapa que Jan Polanc venceu no Monte Etna

No regresso à estrada após o primeiro dia de descanso na prova na segunda-feira, numa etapa decorrida em solo continental na Sicília, a UAE de Rui Costa concretizou o seu principal objectivo na prova: a vitória numa etapa. E que etapa! Na primeira grande abordagem à alta montanha, o esloveno Jan Polanc chegou isolado ao alto do Monte Etna, coroando com êxito o enorme esforço tomado durante vários quilómetros numa fuga.

Numa etapa diabólica em que houve um bocado de tudo (uma fuga bem sucedida, ataques dos favoritos à geral na parte final da etapa, um engano no percurso por parte de alguns ciclistas que veio a originar quedas na parte final, abandonos a meio da etapa, furos entre alguns dos principais contenders, a expulsão de Javier Moreno Bazan da Katusha por agressão a um ciclista da Sky) o esloveno teve que cerrar os dentes para preservar os 6 minutos adquiridos sobre o pelotão na passagem pela subida à Porta Della Femma Morta (a sensivelmente 60 km do fim da tirada) na subida ao flanco lateral do Monte Etna, no dia em que a camisola rosa passou de mãos entre ciclistas da mesma equipa. O sprinter Fernando Gaviria entregou a liderança da prova ao seu chefe-de-fila Bob Jungels.
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Giro de Itália – Etapa 1 – Lukas Postlberger “fintou” todo o pelotão

Lukas Postlberger e a Bora levaram a primeira maglia rosa para casa na primeira etapa do Giro! Com um ataque sensacional nos últimos 2 km (o austríaco “fintou” todo o pelotão com o seu ataque nos 2 km finais; toda a gente confiou que Postlberger estivesse ali com o intuito de preparar o sprint para Sam Bennett) o ciclista austríaco conseguiu um feito inacreditável: vencer no seu dia de estreia nas grandes provas! Este será um feito que o ciclista jamais se irá esquecer!

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