Duas rotundas mentiras

Acabei de ler a entrevista do presidente do Viseu 2001 ao local Jornal do Centro. A entrevista pode ser escutada aqui no site do referido órgão de comunicação social. 

Considerei algo absolutamente natural o facto do presidente do Viseu 2001 só ter tocado no rugby na parte final da entrevista quando foi instado a responder (ao de leve) a uma pergunta sobre o “aparente” ecletismo que é oferecido (?; tenho as minhas dúvidas) pelo clube. A resposta à primeira pergunta foi minimamente aceitável, tendo em conta os “padrões” de conhecimento do próprio presidente sobre a actividade da secção de rugby do clube: zero. Não se esperem grandes respostas de quem nunca foi visto a acompanhar o rugby. Perdão, de um presidente que nunca se interessou verdadeiramente pela modalidade.

No entanto, confesso que fiquei surpreendido com a politiqueira resposta dada à pergunta final. Transcrevemos algumas partes e refutamos aquilo que consideramos ser uma rotunda mentira:

“Todos em conjunto, com a direcção, fazemos um grande esforço financeiro para que nada falte às modalidades” 

É mentira. Em primeiro lugar, porque são os pais dos atletas da secção de rugby que fazem um grande esforço para que a modalidade prossiga em Viseu. Os pais dos atletas pagam uma mensalidade para os seus filhos não terem direito sequer a um balneário no Fontelo, balneário esse que já foi previamente pago pela câmara através do contrato-programa. Durante a última temporada, tive que comprar uma guerra junto do director da secção para os meus atletas terem direito ao “balneário” pago com o dinheiro de todos os nós. O dito balneário que foi oferecido aos atletas do meu escalão (feminino e masculino) foi o “balneário dos árbitros” do campo de 7. Era lá que rapazes e raparigas, tinham, à vez, que se equipar, possuindo apenas um chuveiro para tomar banho no final dos treinos. Uma autêntica vergonha!

São também os pais dos atletas que cedem os seus meios de transporte para transportar os atletas para as competições porque o clube fez um verdadeiro finca pé no que concerne à utilização do autocarro do clube. Por várias vezes pedi o autocarro do clube para transportar os atletas. Numa saudosa reunião com o vice presidente do Viseu 2001, o mesmo, afirmou que não tínhamos direito ao autocarro porque não estavamos no topo da hierarquia de prioridade de utilização traçada pelo clube no início da temporada. Quando indaguei a possibilidade de o utilizarmos se mais nenhuma equipa à frente nessa escala tivesse que o utilizar, o mesmo dirigente respondeu-me nos seguintes modos: “Não temos certeza se podemos transportar atletas de 16 anos no autocarro”.

Os pais dos atletas foram forçados, na última temporada, a fazerem-se sócios do clube. Os pais do atleta pagam o respectivo equipamento. O clube nunca forneceu um único equipamento a qualquer atleta. Assim como, o seu director tinha o desprovimento de ética de cobrar mensalidades a atletas que vinham dos orfanatos da cidade.

Os meus atletas treinavam num pseudo-campo de 60  por 30 metros (anexo ervado do campo Alves Madeira) ao lado de uma caixa de esgotos. Um verdadeiro perigo de saúde pública que a direcção do Viseu 2001 sempre ignorou. Quando pedia o campo principal do Alves Madeira para realizar estágios com os nossos parceiros de competição (Bairrada e Mortágua), a resposta era quase sempre negativa. Em vários meses, pude treinar uma vez num campo pago pelo dinheiro dos nossos impostos.

Posto isto, afirmar que a direcção faz todos os esforços financeiros para que nada falte às modalidades é mentira. Falta muita coisa: um campo decente, equipamentos, transportes, equipamentos de treino…

Confesso que ainda fiquei mais perplexo quando pude ler a frase seguinte:

“Trabalhamos todos em prol para angariarmos mais patrocínios, associados e apoios. E assim vai continuar a ser para reforçarmos as estruturas de todas as modalidades”

O nariz de Pinóquio voltou a crescer. Não devia estar a revelar este tipo de documentos mas, para corroborar o argumento que passarei a escrever, tenho que me socorrer desta prova documental. O nome de um terceiro interveniente nesta conversa será por motivos óbvios apagado.

Corria ainda o mês de Agosto de 2016 quando eu, numa intensa madrugada sem dormir, pensei seriamente em que é que poderia contribuir para retirar a secção de rugby do marasmo de atletas em que se encontrava. Num par de dias, decidi propor à direcção do clube, mais propriamente ao seu presidente, a criação de um projecto que, na sua génese, poderia matar “três coelhos” com uma só cajadada: o aumento do número de atletas da secção através de um projecto de inclusão social de crianças e adolescentes marginalizados do concelho de Viseu nas suas equipas e através de outro projecto que visava começar a divulgar a modalidade nas escolas do concelho.

O projecto foi extraordinariamente bem aceite pelo presidente de Viseu. Contudo, a minha presença teria uma contrapartida: o projecto teria de ser alargado a todas as modalidades do clube e teria de associar os vários técnicos dessas modalidades sob a minha coordenação. Apesar de ter alterado parcialmente o escopo inicial do projecto, aceitei. No mesmo dia em que alinhávamos todas essas alterações ao projecto inicial, enviei ao presidente do Viseu 2001, três tabelas com os custos expectáveis que poderiam ser, segundo as suas palavras, “escorregados à Câmara Municipal de Viseu” – ficou-se portanto de marcar uma reunião na Câmara para apresentar o projecto. Até hoje. O presidente do Viseu nunca mais realizou qualquer esforço no sentido de levar para a frente. Nas várias ocasiões em que foi contactado (3º email; após várias chamadas telefónicas não atendidas pelo dito ao longo de meses) para nos dar novidades sobre o desenvolvimento do projecto, o presidente do Viseu não deu qualquer resposta. O assunto morreu em águas bacalhau.

Posto isto, a última afirmação da entrevista é também uma rotunda mentira.