Uma entrada de leão, uma saída de gatinho – cansaço, má gestão da vantagem, nervosismo e a apoteose final – por mim, isto não deve ser sempre assim

Quando Luís Godinho apitou para o final da partida, o estado de apoteose registado no Estádio José de Alvalade mostrou indicadores muito precisos: o primeiro, foi o alívio da tensão e do nervosismo latente que a equipa leonina fez ascender desde o terreno de jogo até às bancadas nos últimos 10 minutos. Pode-se até mesmo dizer que o primeiro golo e o golo anulado aos canarinhos no último minuto deve ter feito reviver, em alguns corações, os fantasmas de épocas anteriores, desde o golo que nos ceifou a possibilidade de conquistar o campeonato em 2004\2005 aos mais recentes dissabores frente ao Guimarães e Belenenses. O segundo foi claro e conciso: a luta travada pelo presidente do Sporting nos últimos anos está a dar (pelo menos para nós; para os outros nem tanto; parece até que as entidades não estão a nomear videoárbitros para as suas partidas) os seus respectivos frutos. Em condições normais, sem videoárbitro, o Sporting perderia naquele lance 2 pontos que poderiam ser, como pudemos ver nos campeonatos de 2007\2008 (aquele golo com a mão de Ronny em Alvalade) e no malogrado campeonato da temporada 2015\2016 essenciais para a conquista do título.

O cansaço sentido pelos jogadores a partir da meia-hora pode explicar o baixar de forma (e de guarda) da equipa leonina, mas não pode explicar tudo o que passou durante uma parte significativa (45\50 minutos) da partida. Não posso de forma alguma menosprezar ou ignorar a onda de cansaço que se poderá ter abatido no seio da equipa, porque, uma equipa que é obrigada a realizar 6 jogos em 21 dias, 2 dos quais debaixo de uma pressão imensa, e de duas viagens desgastantes, tem que estar naturalmente cansada. No entanto, a gestão dos jogos contra equipas que demonstram capacidade de reacção à adversidade (como é o caso do Estoril de Pedro Emanuel) não pode iniciar-se, com um resultado de 2-0, a partir dos 15 minutos de jogo.

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Projectos desportivos alicerçados em pés de barro; estruturas familiares; ambições que comprometem

Nas últimas duas décadas, a história provou como cíclica a descida à 2ª Liga de equipas que nesse mesmo ano disputaram ou estiveram em vias de disputar as competições europeias, como foi o caso do Arouca na presente temporada. Quando alguns adeptos de clubes pequenos me apontam que a sua equipa deveria ter um bocado mais de ambição para poder lutar pelos lugares europeus, respondo quase sempre com recurso a um leque de perguntas: a estrutura directiva é coesa e organizada? Existe algum planeamento desportivo a médio e longo prazo, capaz de promover uma ascensão salutar dentro de moldes sustentáveis? O clube tem um nível interessante de sustentabilidade financeira e é bem gerido? O treinador e o seu staff oferecem garantias de poder vir a realizar um bom trabalho? O clube têm uma formação devidamente estruturada, com bons treinadores, com equipas competitivas e é capaz de prover a equipa sénior todos os anos? Antes de se fazerem à estrada, alguns dirigentes devem ponderar necessariamente este parâmetros para aferir se os seus clubes têm efectivamente condições para poderem lutar por objectivos deste nível. Continuar a ler “Projectos desportivos alicerçados em pés de barro; estruturas familiares; ambições que comprometem”

Bloco de Notas da História #18 – 16 anos sobre um triunfo marcante na história do futebol nacional

Foi há 16 anos anos atrás: o Boavistão de Jaime Pacheco e da família Loureiro vivia o momento auge da sua história, conquistando um título inédito no futebol português. Passados 55 anos do último triunfo de um clube pequeno (Belenenses), os axadrezados tornavam-se o 5º clube nacional a poder festejar a vitória num campeonato. Continuar a ler “Bloco de Notas da História #18 – 16 anos sobre um triunfo marcante na história do futebol nacional”

Que grande jogo de Taça!

Emoção até ao final num jogo que teve direito a todos os ingredientes: bom futebol, transições rápidas, falhas defensivas, dois golaços, falhas dos dois guarda-redes (Júlio César é claramente mal batido no lance do 2º golo do Estoril; Luis Ribeiro fica muito mal na fotografia do 1º golo do Benfica), grandes defesas por parte de ambos noutros lances, bolas nos postes e muita ambição por parte do Estoril para dar a volta ao resultado mesmo até quando Jonas parecia ter sentenciado a eliminatória que acabou curiosamente por ser decidida com um golo irregular de Kostas Mitroglou na Amoreira na 1ª mão.

Não vou estar aqui a esmiuçar o jogo porque confesso que não vi com os “olhos” com que usualmente costumo ver tudo o que aqui vou relatando. Deixo apenas uma nota final direitinha para a equipa do Estoril: pelo que voltei a ver de vários jogadores (cito: a dureza de Dankler, factor que é sempre positivo num central quando essa dureza acontece num clima controlado; o critério, a velocidade e a inteligência que Matheus Indio põe nas transições, principalmente para o contrgolpe; a movimentação, a combatividade e a presença de Bruno Gomes; o posicionamento exemplar e a capacidade de pressão de Diogo Amado) se este Estoril tivesse começado bem a temporada com um treinador como o que actualmente ocupa o cargo (Pedro Emanuel), com a belíssima equipa que possui, estaria provavelmente hoje a lutar pelo acesso aos lugares europeus.