Bons apontamentos deixados pelo Portimonense de Vítor Oliveira no Estádio do Dragão

Costumo dizer em tom de brincadeira (não quero que subentendam este termo pelo seu sentido pejorativo mas sim pelo seu sentido panegírico) que Vítor Oliveira é uma das verdadeiras “mulas do futebol português” pela competência que tem demonstrado na operacionalização do seu modelo de jogo e no desenvolvimento de jogadores que  em função do estatuto alcançado junto das direcções dos clubes que orienta por força dos bons resultadospela sabedoria e conhecimento profundo sobre o jogo que ostenta e carrega para os clubes que o contratam e pela gestão exímia da sua carreira nos últimos 10 anos, retirando-se estrategicamente para a 2ª Liga, não porque não lhe tenham, na última década, chovido convites de clubes de 1ª porque efectivamente choveram como o técnico veio a confirmar há uns meses nas entrevistas que concedeu a vários órgãos de comunicação social, mas porque o técnico viu no estandardizado futebol de chutão para a frente e de batalha praticado naquele escalão, uma porta de sucesso para a afirmação do seu antagónico modelo de jogo e para a sua própria afirmação profissional depois de anos em que o seu trabalho na 1ª Liga não foi amplamente reconhecido; as primeiras subidas alcançadas em Arouca e Moreira de Cónegos tornaram-no uma referência para todos os clubes que quisessem investir para subir de divisão; a partir das primeiras subidas e da relação de confiança e fiabilidade estabelecida no universo da 2ª liga, ao treinador foi concedida a rara oportunidade de optar em cada defeso pela assumpção dos projectos “mais qualificados e mais endinheirados” e não pelas soluções de recurso que lhe foram apresentadas.

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75 minutos de categoria, 5 minutos de terror e muita liberdade para Brahimi criar

brahimi

Brahimi fez uma joga de outro mundo. Ao longo dos 90 minutos não me recordo sinceramente de uma acção onde o extremo do Porto tenha decidido ou definido mal. Dar espaço ao argelino para criar é um verdadeiro veneno que qualquer equipa deve evitar, dadas as melhorias que este está a ter no capítulo da tomada de decisão. Acelerando quando necessitava de acelerar o jogo, pausando quando precisava que a equipa subisse mais no terreno, partindo para o drible quando tinha que partir e soltando a bola no momento certo para a opção mais correcta no momento, o argelino fez tudo bem. 

No Dragão, Vítor Oliveira decidiu cumprir o plano de jogo prometido na conferência de imprensa de antevisão à partida do dragão. O treinador do Portimonense não colocou o autocarro à frente da baliza, mas optou por uma arrojada organização defensiva que lhe causou muitos dissabores na primeira meia-hora.

A disposição de um bloco de 4 linhas relativamente subido terreno, compacto em aproximadamente 40 metros (pouco pressionante e com algum espaço entre linhas para os “interiores” poderem receber e definir; no drible ou no passe vertical; com muito espaço entre a linha defensiva e o guarda-redes) acabou por ser, na minha opinião, um plano de organização defensiva bastante arrojado face a uma equipa cujos médios estão sempre à coca da possibilidade de colocar a bola em profundidade para as desmarcações em velocidade dos seus pontas-de-lança (fortíssimos no ataque à profundidade) e cujos laterais se projectam bem no terreno na tentativa de criarem superioridade numérica nos corredores. A evidente falta de pressão dos algarvios a meio-campo permitiu aos portistas, em especial a Brahimi e Corona, o tempo e o espaço necessário para receber e criar livremente sem qualquer pressão, quer através do drible (rasgando o bloco adversário) quer através de combinações com o adversário quer através de inflexões para o miolo seguidas de variação de flanco.  Continuar a ler “75 minutos de categoria, 5 minutos de terror e muita liberdade para Brahimi criar”

Um problema para Rui Vitória resolver

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Duas das características fulcrais, fundamentais e decisivas do comportamento defensivo (mais concretamente da fase de transição para a defesa) da formação de Rui Vitória reside na reacção dos jogadores à perda da bola e na capacidade (colectiva) que os jogadores encarnados possuem de se reorganizarem rapidamente no momento da perda de maneira a realizarem um contra-pressing imediato sobre o adversário, situação que permite à equipa encarnada estancar a iniciativa adversária e\ou obrigar o adversário a cometer erros na construção a partir de trás ou no momento da recuperação da posse de bola. Quando o adversário erra no momento de construção, a formação encarnada lucra porque tem processos demasiado bem trabalhados para capitalizar sobre o erro do adversário – um deles, o mais visível, é o ataque à profundidade (à procura das desmarcações de Haris Seferovic) que é realizado pelos seus dois médios (Pizzi e Fejsa) sempre que estes conseguem recuperar a bola a meio-campo.

Por outro lado, sempre que a equipa encarnada não é eficaz no primeiro momento de pressão (alta) existe sempre muito espaço para jogar nas costas do meio-campo, em especial no corredor central. Este problema agudiza-se ainda mais quando Rui Vitória não tem Ljubomir Fejsa em campo, visto deslocamentos constantes que são realizados pelo sérvio, quer para matar a transição adversária, quer para estar sempre perto do centro de jogo sempre que a equipa adversária consegue ultrapassar a pressão alta dos encarnados, de forma a intervir rapidamente na situação (apoiando quer os centrais, quer os laterais) para recuperar a posse (e lançar o ataque; característica que o sérvio adquiriu com Rui Vitória, diga-se em abono da verdade) são fulcrais para o sucesso defensivo da equipa encarnada.

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O golo do dia

Na Flash interview realizada após o término da partida, Vítor Oliveira falou da existência de um “chouriço” que andou em campo – não sei se o treinador do Portimonense se queria referir ao árbitro da partida (outro dos padres ordenados pela Fundação Benfica, palavras do nosso autor convidado Miguel Condessa) ou ao golo de André Almeida. Polémicas à parte (eu fico com a sensação que o penalty sobre Salvio é muito forçado; para tal apresento duas razões muito rapidamente e ao de leve para não gerar a indesejada controvérsia: 1. o toque per se não é suficientemente desequilibrador. 2. o toque acontece precisamente quando o extremo do Benfica falha a recepção; noutro âmbito, o golo anulado ao Portimonense é bem anulado; vantagens da inserção da figura e da tecnologia complementar, ou seja, mais um argumento para todos aqueles a quem custa confiar, por comodismo e por razões relacionadas com a manutenção do status quo de determinado clube, na modernidade das novas tecnologias) o que é certo (custa-me ter que escrever isto em abono da verdade de um cepo que só serve para dar fruta) é que o lateral parece ter toda a intenção de fazer aquele remate. Pelo menos dá-me a ideia que o jogador olha para o ponto em que quer colocar a bola e inclina ligeiramente o tronco para trás para fazer a bola subir. Se efectivamente estes movimentos corresponderem à verdade, foi um golaço de levantar estádios.

 

É este o espectáculo deprimente que teremos semana após semana?

A situação de pancadaria (da velha) registada em Portimão durante o Portimonense vs Boavista obrigou-me a ter que ir buscar as fresquinhas declarações do presidente da Liga na entrevista concedida pelo presidente da Liga a António Tadeia para o seu novíssimo projecto Bancada.  Continuar a ler “É este o espectáculo deprimente que teremos semana após semana?”

Não fica por aqui. Esperem por domingo

A propósito do requerimento apresentado hoje pelo Ministério Público que visa julgar em tribunal colectivo os 28 arguidos detidos na Operação Jogo Duplo. Não pensem que o assunto fica por aqui.

No próximo domingo, teremos, a contar para a 44ª última jornada da 2ª liga, jogos que mais parecem bombas relógios.

Cova da Piedade (o tal clube onde militam 3 jogadores chineses; clube que é apontado nos “bastidores” como salvo da descida desde há uns meses a esta parte) Académico de Viseu e Famalicão lutam pela permanência directa. O Leixões e o Fafe lutam por um lugar no playoff que lhes garante, no mínimo, uma réstia de esperança.

O emparelhamento para a última jornada dita-nos um explosivo Académico de Viseu vs Cova da Piedade (jogo a que devo assistir no Estádio do Fontelo tal vai ser “a carga” de nervos que lá se pode vir a verificar em virtude de factos que são do meu conhecimento mas que não posso aqui revelar sobre o risco de cometer falso testemunho por falta de provas que sustentem acusações; revelo-o já sem qualquer demora; o complexo desportivo do Fontelo poderá assistir a uma visita de elementos da Polícia Judiciária no final da partida) enquanto o Famalicão vai ao terreno do Gil Vicente, formação que já não luta por qualquer objectivo de maior interesse. O Leixões recebe o União da Madeira enquanto o Fafe joga na Vila das Aves. O Aves ainda pode sagrar-se campeão da 2ª liga se eventualmente vencer a sua partida e o Portimonense escorregar nos Açores frente ao Santa Clara.

Entretanto, a susceptibilidade de ver uma outra rede a operar em Portugal é enorme nesta última jornada. Fiquemos atentos aos acontecimentos das partidas que se disputarão entre equipas que só irão cumprir calendário nesta última jornada. Aquele que me suscita mais revelo é a recepção do Olhanense ao Penafiel. O jogo entre a formação de Olhão e a turma penafidelense parece-me à primeira vista aquele jogo típico de final de temporada em que tudo parece bem montado (o Olhanense já desceu há várias jornadas e o Penafiel é 4º) para que exista uma goleada surreal. Não falo de uma goleada qualquer por 4-0 ou 4-1. Falo daquelas goleadas com um propósito específico de dar 6 ou mais golos visto que a odd +5-5 golos neste jogo na Bet.pt é de 7 euros e meio por cada euro apostado e um resultado exacto de 2-5 a favor do Penafiel poderá garantir ao apostador 45 euros por euro apostado como podemos ver aqui em baixo neste screen:

penafiel 2