Uma questão de justiça

1 ano decorrido sobre o inigualável feito, penso que ninguém deu o devido valor ao guarda-redes do Sporting. Se Patrício não tivesse feito as espectaculares defesas que fez contra a Croácia (se não figurar um dia no apanhado das 10 melhores defesas da história dos europeus, creio que é uma tremenda injustiça), contra a Polónia…

(…)e frente à França…

o herói improvável não teria sequer entrado para fazer o golo mais improvável da história do futebol deste país.

Portugal 4-0 Nova Zelândia – Passeata em São Petersburgo

15 minutos finais de aceitável futebol permitiram à selecção confirmar o apuramento na primeira posição do grupo num jogo em que os restantes 75 não foram verdadeiramente aceitáveis face ao adversário que defrontámos em São Petersburgo. Perante um adversário tão inofensivo que só construiu 2 situações de golo em 2 lances oferecidos pelos centrais e pelo guarda-redes português, e tão débil do ponto de vista defensivo, o jogo contra os neozelandeses deveria ter sido facilmente solucionado no primeiro tempo com uma goleada se não tivessem existido alguns dos erros a que este elenco nos tem habituado. Continuar a ler “Portugal 4-0 Nova Zelândia – Passeata em São Petersburgo”

Os golos do dia

Os golos de Marco Asensio na vitória fácil da selecção sub-21 espanhola frente à sua congénere da Macedónia por 5-0. As facilidades concedidas pela selecção balcânica (um verdadeiro acumular de erros defensivos e de erros na transição; falta de intensidade na pressão, defesa excessivamente compactada na zona central, descurando por completo as alas) tornaram a missão relativamente fácil para a máquina de guerra comandada pelo antigo trinco do Barcelona, Celta e Real Madrid Albert Celades.

Não posso porém não deixar uma nota de aviso a Rui Jorge e aos seus comandados. Frente aos espanhóis estamos proibidos de cometer os erros que cometemos ontem frente aos sérvios nas transições (5 ou 6 perdas de bola à entrada da nossa área) e no capítulo da cobertura defensiva. O nosso meio-campo não poderá dar as costas aos criativos espanhóis na mesma medida em que deu aos criativos sérvios (Gacinovic e Zivkovic) sob risco de sairmos frente aos espanhóis com um saco de bolas dentro da nossa baliza. Como pudemos assistir no jogo de ontem, sempre que os macedónios perderam bolas na transição e não foram rápidos a cair sobre o portador da bola, sofreram.

Análise – Campeonato da Europa de sub-21 – Portugal 2-0 Sérvia – A história de um jogo que tinha tudo para dar errado e deu certo

Uma estreia com o pé direito no grupo da morte deste Campeonato da Europa de sub-21. Uma estreia com o pé direito. Só. A selecção portuguesa fez em poucas oportunidades o que os estéticos sérvios não conseguiram fazer nas 6 ou 7 oportunidades de golo que tiveram ao longo dos 90″: marcar golos. Rui Jorge não é um gajo com estrelinha de campeão. Rui Jorge é um dos raros treinadores competentes nos quadros da Federação Portuguesa de Futebol. Contudo, não posso deixar de ressalvar que o futebol praticado pela selecção portuguesa foi qualitativamente inferior ao que foi praticado pelos talentosos jogadores sérvios, campeões do mundo de sub-20 há dois anos atrás, nos 90 minutos do jogo que terminou há minutos em Bydgoszcz na Polónia. Nem sempre ganha a selecção que pratica o melhor futebol. No entanto, por outro lado, a experiência dita-me que equipas que cometem os erros que foram cometidos pela formação nacional durante os 90″ muito dificilmente redundam numa vitória. Continuar a ler “Análise – Campeonato da Europa de sub-21 – Portugal 2-0 Sérvia – A história de um jogo que tinha tudo para dar errado e deu certo”

Mais uma omissão inadmissível por parte dos órgãos de comunicação social portugueses!

As vitórias de João Sousa e Gastão Elias frente a dois adversários ucranianos em jogos a contar para o Grupo I da Zona Euro\Africana da Taça Davis deixam a selecção portuguesa a uma vitória de um histórico apuramento para o playoff de acesso para a Zona Mundial da maior competição por selecções do Ténis Mundial. Para os mais leigos na modalidade, faço questão de informar que Portugal não atinge esse feito há 23 anos.

Dos órgãos de comunicação social portugueses pouco vimos, pouco lemos, pouco sabemos a não ser uma ou outra notícia quando se dão por terminados os encontros. A televisão pública não transmite porque não considera o evento serviço público. A televisão privada, mais concretamente a Sporttv, também não viu utilidade na transmissão de dois encontros de tamanha importância para o Ténis Nacional. Nem a pagar uma fortuna por uma assinatura temos portanto direito a ver o que se tem passado no CIF em Lisboa. O que é estranho visto que o canal apostou na transmissão da última eliminatória da selecção portuguesa contra Israel. Os jornais da especialidade estão mais interessados em fazer a cobertura exaustiva da assinatura de contrato de Rui Vitória, intervalando as publicações já de si pouco interessantes ou relevantes com fotos de gajas nuas e mexericos mexicanos do mundo do desporto.
O verdadeiro serviço público nacional no que concerne a este momento está entregue a um miúdo carolas que vive e respira ténis 24 sobre 24 horas. Quando mais ninguém se interessa porque a coisa não dá viewers ou clickbaits fáceis, tem sido o Gaspar Ribeiro Lança da Ténis Portugal que nos tem salvo o dia quer no seu site quer na sua movimentada página de facebook, página que tem quase 35 mil (leu bem!) seguidores! Em boa horaGaspar! Se não fosse o teu, o meu e o esforço de muitos, estaríamos hoje a viver um país exclusivamente vocacionado para o soundbyte extra-relvado. Se não interessa a 35 mil pessoas num país de 11 milhões o que é que irá interessar? Serão os jogos da Zona Mundial da Taça Davis? Ou as repetitivas reposições dos jogos de futebol e de basket do fim-de-semana passado?

Campeões!

Já está! Foi sofrido mas é nosso! O dia 1 de Abril de 2017 acabou por entrar para a História do Rugby Português! Neste preciso dia, a nossa selecção sénior carimbou a 7ª vitória consecutiva na Ucrânia (7-31), conquistando o Grand Slam (a conquista da competição só com vitórias; iremos jogar no próximo dia 20 de Maio em Bruxelas a subida ao grupo B contra a Bélgica) na prova e os nossos bravos lobinhos acabaram de se sagrar campeões europeus no escalão de sub-20 em Bucareste ao derrotar a Espanha por 12-7 num jogo dramático em que tivemos que voltar a sofrer muito (um pouco por culpa da atitude passiva na 2ª parte) para sorrir no final dos 80 minutos. Para a História ficará o ensaio de Gonçalo Santos (créditos para o Francisco Isaac do Fairplay por me ter ajudado a descortinar o autor do ensaio) na ponta esquerda, numa jogada construída em 15 pacientes fases.

Entrámos muito bem na partida com a obtenção de um ensaio. Pode-se dizer que nos primeiros 55 minutos de jogo controlamos a partida no âmbito territorial e de posse e dispusemos de várias oportunidades nos 22 espanhois para elevar a contagem. No entanto, a falta de paciência na construção ofensiva e algumas falhas no capítulo da transmissão de bola (dificultadas em parte por uma selecção espanhola que soube fazer uma boa cobertura dos espaços a toda a largura; o que nos valeu em parte foi o desacerto ofensivo dos espanhóis no mesmo capítulo falhando muitos passes e cometendo vários erros na recepção) ditaram-nos uma 2ª parte de sofrimento em que os espanhóis, com o empate à vista de um ensaio mais a respectiva conversão, começaram a acreditar que era possível e conseguiram, numa das raras incursões aos nossos 22, sacaram o ensaio que viria a empatar a partida.

Quando o jogo parecia encaminhar-se para uma reviravolta no marcador, eis que uma jogada de paciência acaba por resolver a questão. Não querendo mencionar prestações individuais no seio de um colectivo que se provou forte ao longo do torneio, foi a arrancada de Manuel Picão da Académica que permitiu por completo a criação da situação de desequilíbrio que permitiria posteriormente a assistência do “certinho” Jorge Abecassis (não esteve certeiro em 2 dos 3 pontapés que realizou aos postes) assistir a entrada de Gonçalo Santos para um ensaio (77″) que garantiu a vitória de Portugal na competição.

A vitória na prova por outro lado garantirá à equipa comandada por Luís Pissarra (a quem aproveito para dar os meus sinceros parabéns) a entrada no Mundial do escalão, prova que se irá disputar no próximo mês de Junho na Geórgia. A selecção portuguesa terá neste momento que esperar pelo sorteio que se irá realizar para perceber em que grupo é que vai ser inserida.

Passaporte para a final!

Créditos: Fairplay (Francisco Isaac)

A obra prima de Manuel Cardoso Pinto! Um ensaio brilhante capaz de catapultar qualquer exibição individual ou colectiva! O jovem fullback da Agronomia, primo do histórico abertura da selecção de 2007 Duarte Cardoso Pinto, jamais se esquecerá deste momento! Perdoem-me a linguagem mas a este nível é “preciso ter os tomates no sítio” para se atacar aquela bola naquela situação (pressionado por vários jogadores romenos) e conseguir transformar aquela bola num ensaio de campo a campo.

Maravilhoso! Os nossos sub-20 atingiram hoje a final do Campeonato Europeu depois de baterem a selecção anfitriã do torneio, a Roménia, por 21-16 num jogo em que a atitude defensiva roçou a perfeição durante toda a partida. Nos últimos 20 minutos, quando os romenos carregaram forte e feio nos 22 metros portugueses com o seu habitual jogo de avançados, foi inacreditável a forma em como os bravos lusitanos conseguiram travar dezenas de iniciativas, algumas delas até a 1\2 metros de área de validação.

No domingo os nossos meninos jogarão a final. Em disputa estará não só a vitória no torneio como o apuramento directo para o Mundial. Para apimentar a coisa, iremos jogar o nosso tudo ou nada contra a selecção espanhola num clássico que promete!

A falta de cultura desportiva que grassa no nosso país

No verão passado, quando os nossos atletas (das modalidades) amadoras que participaram nas olimpíadas do Rio, “defraudaram” (no fundo, conscientemente, o único que defraudou as “normais” expectativas em virtude do seu potencial foi Fernando Pimenta) as falsas expectativas que foram depositadas pelo povo português circularam pelas redes sociais longos textos, alguns com uma análise correcta, de indivíduos que consideravam que o país, “excessivamente futeboleiro” não poderia pedir grandes resultados internacionais a atletas a quem não eram dadas as condições materiais e de treino suficientes para poderem alcançar esses mesmos objectivos.

O estado de euforia provocado pelas vitórias das nossas selecções de futebol e hóquei em patins nos europeus realizados no ano passado provocaram um perigoso aumento da fasquia de exigência aos nossos atletas. O povo exige agora que as nossas selecções e que os nossos mais prestigiados atletas sejam capazes de vencer “de letra” todas as competições em que venham a participar, sem saber que, exceptuando o futebol, o país está muito longe de proporcionar a muitas modalidades o clima propício para a formação de atletas capazes de vingar no cenário internacional. Muitas modalidades não possuem no nosso país infraestruturas e material de treino de ponta para a prática, técnicos altamente qualificados que consigam trazer experiência, qualidade e inovação para o treino, capacidade financeira para conseguir que os seus melhores atletas possam competir no estrangeiro ou condições para “trazer os melhores do estrangeiro” a competir contra os melhores atletas portugueses. Muitos dos nossos melhores atletas são por outro lado votados a um amadorismo profundo quando deveriam exercer livremente a sua prática num regime profissional. Quando um atleta é obrigado a pedir dinheiro aos pais para poder aprender ou competir no estrangeiro, como foram os casos do tenista João Sousa ou de Rui Bragança, o nosso melhor atleta no Taekwondo, creio que está tudo dito em relação a esta questão. Continuar a ler “A falta de cultura desportiva que grassa no nosso país”

Desfecho infeliz no regresso de Ronaldo

No dia em que Ronaldo regressou ao arquipélago da Madeira para exibir pela primeira vez entre as suas gentes a sua classe com a camisola da selecção vestida e o troféu conquistado em França, o golo apontado pela “Lenda” não bastou para levar de vencida a “renovada” selecção sueca e não foi suficiente para apagar uma intermitente exibição da nossa selecção. Gostei muito do que vi na primeira parte. Já na 2ª confesso que não gostei de tudo o que vi.

Fernando Santos cumpriu na íntegra o plano que veio a traçar na antevisão da partida, alterando de forma substancial o elenco titular da selecção das quinas. Os jogos amigáveis, indiferentemente dos resultados, servem precisamente para os treinadores poderem dar minutos a quem não tem sido utilizado com frequência nos jogos oficiais e para acima de tudo, poderem testar novas soluções para determinadas posições, novos processos de jogo e dinâmicas que foram trabalhadas no decorrer da última semana com os jogadores. Fernando Santos utilizou o jogo, muito bem a meu ver, para preparar a participação da selecção na Taça das Confederações, testando novos modelos de jogo para poder perceber se os pode trabalhar como alternativa ao modelo de jogo base que a selecção tem apresentado desde que o seleccionador chegou ao cargo, de forma a aplicá-los como planos de recurso na prova que terá lugar no próximo verão na Rússia.   Continuar a ler “Desfecho infeliz no regresso de Ronaldo”

Bloco de Notas da História # – Uma retrospectiva ao andebol português

14 anos passaram desde o jogo que marcou o momento auge da nossa selecção de Andebol. Em 2003, com o andebol português a viver a sua maior página de história em virtude da organização do campeonato do mundo daquele ano, do elenco mais competitivo que alguma fez tivemos (nesse mundial a selecção nacional conseguiu seguir até à 2ª fase do mundial) e do elevado número de praticantes que se registava na época no nosso país, na Póvoa do Varzim discutia-se a passagem à fase final da prova, apesar da selecção portuguesa ter poucas hipóteses para o fazer. Teria então a equipa comandada pelo espanhol Javier Garcia Cuesta que vencer os jugoslavos por determinada diferença de golos (que sinceramente já não me recordo com precisão; penso que eram 6 ou 8) e esperar por resultados de terceiros para poder seguir em frente para a fase final que se disputou no Pavilhão Atlântico, actual MEO Arena, em Lisboa.

O elenco da selecção nacional em 2003 era luxuoso. O luxo começava logo pela baliza com Carlos Ferreira (na altura no Sporting) e Sérgio Morgado, irmão de Paulo Morgado. Seguiam-se jogadores como o comandante Victor Tchikoulaev, um quarentão de luxo que em bom tempo nos anos 90, veio trazer muita qualidade ao campeonato nacional e à selecção nacional quando se naturalizou, e tecnicistas do melhor como Eduardo Filipe, Carlos Resende, Filipe Cruz, Álvaro Martins, Ricardo Costa (actual treinador do Porto), Rui Rocha ou o lateral direito Luis Gomes. Nesta ficha de jogo contra a Sérvia faltou apenas o nosso melhor andebolista de sempre Ricardo Andorinho (na altura o jogador mais cotado desta selecção, jogador que alinhava no fortíssimo Portland San Antonio da Liga Espanhola) por culpa das lesões que atormentaram o jogador na ponta final da sua curta carreira. Andorinho viria a retirar-se em 2008 aos 31 anos por culpa dessa onda de lesões. Continuar a ler “Bloco de Notas da História # – Uma retrospectiva ao andebol português”