Rio Ave vs Sporting – Um conjunto de situações que ajudam a compreender a partida

Nota prévia: Perdõem-me a utilização de caps lock nas palavras com acentos circunflexos. Tais erros devem-se aos caprichos estranhos do meu teclado nesta harmoniosa noite de sábado.

1- A verticalidade dos processos de jogo do Rio Ave de Miguel Cardoso. 

Logo no minuto inaugural, o Rio Ave “mostrou ao que vinha”, aplicando um dos processos de jogo que compoem o modelo de jogo (a identidade colectiva da equipa) que está a ser idealizada, trabalhada e operacionalizada pelo seu treinador desde o primeiro dia desta temporada. Como já referi noutras ocasiões, a palavra Fidelidade (À identidade que está a ser construída) é a palavra de ordem no seio do grupo de trabalho vilacondense. Cardoso (vale a pena ler esta apresentação do próprio no slideshare e convido-vos se tiverem tempo a ler as outras que o próprio disponibilizou sobre outros temas) é, como também já pude referir neste espaço, um treinador que trabalha a equipa de forma a que esta possa jogar À Imagem do modelo de jogo por si idealizado.

12

Miguel Cardoso, slides 12 e 13, “A Construção de uma Dinâmica” – Curso de treinadores UEFA B – Braga 2010

tarantini

O lance inicia-se com a tradicional disposição dos vilacondenses no terreno de jogo neste capítulo. Pelé recua até aos centrais para ali poder exercer o seu magistério sobre trÊs situações muito específicas: o trinco auxilia a saída de jogo (jogando o esférico preferencialmente para o meio-campo, onde Tarantini sai da marcação para vir receber o jogo, aproveitando a distÂncia de 20 metros existente entre a linha ofensiva e a linha defensiva leonina), permite a projecção dos dois laterais no terreno e confere estabilidade defensiva À equipa caso exista uma perda de bola.

Tarantini destaca-se de William para receber e logo que recebe procura rodar para tentar perceber o posicionamento das referÊncias criativas da equipa. Ao perceber a desmarcação de Barreto pelo meio de Mathieu e de Coentrão, o experiente médio apercebe-se que tem a possibilidade de matar as duas linhas do Sporting de uma só cajadada, isolando o colega.

barreto

Eis a verticalidade pretendida por Cardoso. Em poucos toques\acções a equipa consegue transformar uma saída de jogo num lance de perigo.

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3 muito breves sobre a vitória do Sporting em Vila do Conde (1ª parte)

vila do conde

Nota prévia: a análise ao jogo de ontem será dividida em duas partes por manifesta falta de tempo: uma mais teórica e outra mais prática que será publicada mais logo, a seguir à partida entre o Boavista e o FC Porto 

1 – As novas exigências que são ditadas aos clubes grandes na visita aos pequenos emblemas do futebol português. 

Nos últimos 20 anos o futebol português mudou. Em alguns aspectos, pode dizer-se que mudou para melhor, ou seja, o futebol português trilhou, vertiginosamente, um enorme caminho de evolução. Noutras pequenas questiúnculas, aquelas que irracionalmente são discutidas diariamente na nossa praça de pura desinformação e fanatismo clubista exacerbado, nos últimos 20 anos, o futebol português retrocedeu para níveis profundamente anacrónicos, repletos de atitudes e comportamentos facciosos, para um nível de pensamento quase tribal que em nada o benefícia. O que é que quero com isto dizer? Quero dizer que em alguns departamentos do jogo (na sua vertente técnico-metodológica) o futebol português melhorou imenso nos últimos 20 anos. O estado de evolução a que actualmente chegou o futebol português permite-nos dizer que globalmente somos um país que forma melhores treinadores (de acordo com as mais modernas concepções metodológicas) e que estes treinadores não trabalham apenas nos clubes grandes – os clubes pequenos também já possuem nos seus quadros técnicos, em ambos os departamentos, sénior e de formação, treinadores de enorme valia (de igual ou superior valia em relação aos que trabalham nos grandes), autênticos estudiosos do jogo, que aplicam diariamente, no trabalho que realizam com os jogadores que formam (jovens) ou desenvolvem, as fabulosas percepções hermenêuticas fenomenológicas e o rigoroso conhecimento validado que vão adquirindo, aprendendo e apreendendo nas suas sessões de estudo. A aplicação prática desse mesmo conhecimento redundou obviamente no aumento da qualidade dos jogadores portugueses nas diversas dimensões do jogo – o jogador português é hoje, sem qualquer ponta de dúvida, um jogador muito mais completo do que era há 20 anos atrás; é um jogador com um conhecimento muito mais profundo sobre o jogo, conhecimento que se traduz num melhor rendimento táctico e psico-cognitivo; é um jogador tecnicamente mais apurado; é um jogador mentalmente mais forte – Por outro lado, a formulação de alternativas ideias de jogo que vingaram (outras não vingaram, mas o treinador é um agente que está constantemente sujeito à experimentação, ao erro e às consequências do erro experimental!), e a constituição de equipas corajosas que são capazes de enfrentar os grandes olhos nos olhos, valorizaram a nossa competição interna e o nosso futebol e permitiram ao jogador português sonhar com outros palcos. Há 20 anos atrás seria impensável a possibilidade de um jogador do Marítimo ou do Estrela da Amadora, equipas que habitualmente lutavam ano após ano por um lugar nas 5 primeiras posições do campeonato, se transferir desses clubes para uma das melhores equipas das principais ligas. Essa possibilidade é, hoje uma realidade. As melhores equipas procuram talento. O talento que alimenta esta industria, o talento que arrasta as massas para os campos de futebol. Esse talento tanto se pode esconder numa equipa sénior como numa equipa de iniciados de uma equipa como o Anadia, formação que nos últimos anos tem conseguido chegar às fases finais dos campeonatos nacional de iniciados, e que tem exportado camiões cheios de talentos para os maiores emblemas do futebol português. O talento vale ouro porque é neste momento a ignição que confere sustentabilidade ao negócio.  Continuar a ler “3 muito breves sobre a vitória do Sporting em Vila do Conde (1ª parte)”

Miguel Cardoso, o perfeccionista que procura competência e eficácia em todos os jogos

miguel cardoso

Descrito por grande parte dos colegas de profissão e dos jogadores que orientou até ao momento enquanto adjunto de vários outros treinadores de nomeada da praça portuguesa (na última década, antes de se estrear como treinador principal no Rio Ave, Miguel Cardoso foi adjunto de Domingos Paciência, Paulo Fonseca e Carlos Carvalhal) como um grande treinador (um enorme conhecedor\interprete do jogo) que procura trabalhar as suas ideias de jogo com minudência e rigor, até à exaustão, ou melhor, até à “perfeita operacionalização” destas, Miguel Cardoso tem sido um dos treinadores que se tem destacado nas primeiras jornadas da Liga Portuguesa. O 6º lugar actualmente ocupado pelo Rio Ave na tabela classificativa da Liga Portuguesa (com 14 pontos somados em 24 possíveis; a 3 pontos do Benfica, o actual 3º classificado) não tem expressado por ora o nível de competência com que a equipa aborda todas as partidas e todas as situações de jogo, nem tão pouco tem feito justiça à qualidade do futebol praticado pela formação de Vila do Conde. O nível de excelência que a equipa tem exibido no primeiro quartel da Liga merecia indiscutivelmente uma posição mais adiantada da tabela (o 3º lugar a meu ver seria neste momento a posição mais justa para a formação vilacondense) pese embora, como temos vindo a observar nas últimas partidas, o competente Marítimo de Daniel Ramos também tem vindo “a fazer pela vida” para realizar um campeonato que permita aos madeirenses o acesso às competições europeias da próxima temporada e a um resultado histórico nunca alcançado (4º lugar) pelo emblema do Funchal nos seus 107 anos de existência.  Continuar a ler “Miguel Cardoso, o perfeccionista que procura competência e eficácia em todos os jogos”

A sério, não comprem este espectáculo viciado!

Para descrever este lance, ocorre-me escrever, com direito a todos os impropérios que se ouvem por esses campos deste país, aquela mítica frase que é proferida por muitos adeptos quando a acção dos árbitros está a prejudicar seriamente uma equipa: “Mete-lhes a bola lá dentro ó filho da puta” – a arbitragem de Hugo Miguel na 2ª parte do Rio Ave vs Benfica foi pura e simplesmente vergonhosa, tendenciosa, evidente do sistema de corrupção em “que o bispo ordenado” (este já passou a Bispo da Religião do Santo Email) está inserido e não se constitui um caso para motivo de reflexão mas para a intervenção adequada que tarda em surgir por parte das autoridades policiais e judiciais deste país.

Desculpem-me lá a animosidade e até a desconsideração por todas as pessoas com deficiência deste país mas, não consigo encontrar, por mais que puxe pela mona, um termo tão adequado para a qualificação deste momento de pura corrupção: nem um atrasado mental marcava esta grande penalidade.

Em qualquer repetição, nada se pode ver de errado neste lance. E eu, eu ainda sou do tempo em que o Jonas se esforçava imenso para dar a sensação que a sua queda tinha sido provocada. Neste lance, o Jonas nem sequer teve de cair: para a cena ficar perfeita para o realizador, bastou-lhe somente fazer a macacada. Uma macacada que surge no momento exacto para dealbar uma partida que estava a ser muito difícil para a turma encarnada.

Assim não vale a pena competir. Qualquer competição contra esta equipa será naturalmente injusta. Chamem-lhe colinho, chamem-lhe o que quiserem. Este espectáculo está manchado de vergonha.

hugo

P.S: veremos se o despudorado (e angelical!) Duarte Gomes, o tal que nos seus tempos de arbitragem, era farinha do mesmo saco destes Hugos Migueis, tem coragem para queimar em praça pública o seu amigo com a mesma edacidade com que tem queimado os seus antigos colegas.

Mendes volta a carregar forte no acelerador

Enquanto Diogo Jota foi dar mais uma voltinha no carrossel das comissões de Jorge Mendes, surge em Portugal uma interessante notícia…

O Rio Ave anuncia, com algum élan, a contratação, com recurso a capitais próprios de Gabrielzinho, jogador de 21 anos que actuava na 4ª divisão brasileira ao serviço do Linense, um modesto clube dos arredores de São Paulo que este ano actuou na primeira divisão do campeonato estadual paulista? Sim, vindo do Linense, um daqueles clubes onde os empresários portugueses costumam ir comprar jogadores a granel para distribuir pelos seus afiliados na 2ª Liga e no Campeonato Nacional de Séniores  

Quem é o agente do jogador quem é? Jorge Mendes, claro! Não poderia ser mais ninguém senão Jorge Mendes. Em teoria, os vilacondenses receberão 15 milhões de euros dos encarnados relativos às transferências de Ederson para o City e de Kronovic. Ou pelo menos, os seus dirigentes acreditam piamente que podem vir a receber esses tais 15 milhões de euros. Por isso é que já o estão literalmente a gastar, sob conselho do empresário em jogadores por si agenciados para que o circuito do dinheiro termine invariavelmente nas suas mãos. Quando o Benfica começar a apresentar as facturinhas relativas aos empréstimos de Yuri Ribeiro, Nuno Santos, Pelé e daqueles que ainda estarão para chegar por empréstimo nos próximos anos, o valor a receber dos encarnados diminuirá drasticamente. Jorge Mendes salvaguardará, como é óbvio o seu porque irá, com toda a certeza, facturar o seu nos jogadores que vai trazer para Vila do Conde. O resto da história já a conhecemos. Se os vilacondenses levantarem muito a garimpa, terão que recorrer aos mesmos serviços aos quais recorreu o Vasteras para receber as verbas que eram devidas (pelos encarnados) relativas à transferência de Lindelof. E serão, obviamente, punidos. Porque no futebol português só o Benfica tem, como vimos nas últimas semanas, recursos para punir “quem lhes faz frente”. Nem o Benfica nem Jorge Mendes entram nos clubes pequenos para lhes oferecer o euromilhões. O empresário quer sacar os seus euromendilhões.

Os 800 mil euros relativos a esta transferência estarão portanto a ter a devida cobertura nas provisões de capitais que os vilacondenses esperam vir a receber dos encarnados. Esta transferência traz gato. Sendo o jogador agenciado por Mendes e transferido de um modesto clube da 4ª divisão brasileira, não me espantará se desta operação resultarem operações idênticas aquelas que o empresário tem realizado, com o devido apoio de Carlos Osório de Castro, Julio Senn e Luis Correia, nas empresas que possui na Irlanda. Trocando por miúdos: o Rio Ave paga 800 mil euros ao Linense. No Brasil, Jorge Mendes levanta o cheque. O valor é facturado nas empresas de Mendes na Irlanda e segue o seu habitual percurso por vários paraísos fiscais até chegar ao seu destino nas Ilhas Virgens Britânicas.

Breves notas sobre a vitória do Benfica em Vila do Conde

Um contra-ataque exemplarmente criado por Jonas, num dos raros momentos em que a turma encarnada encontrou a defesa vilacondense em contra pé, e muito bem conduzido por Sálvio antes do argentino ser paciente na abordagem ao último passe (esperou que o defesa se aproximasse para soltar a bola no momento decisivo que iria colocar Jimenez na cara de Cássio) garantiu ao Benfica a conquista do título. O assunto está arrumado.  Continuar a ler “Breves notas sobre a vitória do Benfica em Vila do Conde”

Onde há fumo, há fogo. Jogo manipulado?

Este foi o histórico de movimentações de odds registado em várias casas de apostas relativamente ao jogo que se irá disputar hoje entre Feirense e Paços de Ferreira. Esta é, no espaço de 4 meses, a 2ª vez que se suspeita da eventual manipulação de resultados num jogo que envolve o Feirense, alguns meses depois de um depósito no valor de 50 mil euros a favor da “vitória” da turma da Feira no jogo frente ao Rio Ave ter feito soar os alarmes. Continuar a ler “Onde há fumo, há fogo. Jogo manipulado?”