Rúben Neves: uma venda que rendeu 20 mendilhões

Ao contrário do que aqui escrevi a propósito da transferência de André Silva para o AC Milan, tenciono discutir o valor da transferência de Rúben Neves bem como o seu potencial. Na minha modesta opinião, acho que o valor da transferência é elevadíssimo para o mediano potencial futuro que Rúben Neves apresenta. Quero entrar portanto por caminhos sinuosos que levam, invariavelmente, a discussões apaixonadas.

É preciso dizê-lo com franqueza e abertura: Continuar a ler “Rúben Neves: uma venda que rendeu 20 mendilhões”

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Análise – Campeonato da Europa de sub-21 – Portugal 1-3 Espanha – Milagres? Não há Sr. Rui Jorge

No sábado, contra os sérvios, relatei aqui um jogo no qual foi feito tudo para dar errado e tudo acabou estranhamente por dar certo. Da entrada que nos foi servida por Rui Jorge, comi só pela metade porque naquele momento tive o bom senso de guardar o meu estômago para as provas do prato principal frente aos espanhóis. No jogo frente à selecção espanhola queria perceber se a estreia dos sub-21 portugueses frente aos sérvios tinha sido um mero e normal momento de nervosismo inerente a estes momentos ou um sintoma avançado de um grupo extremamente desequilibrado e mal trabalhado.

Frente aos espanhóis fiquei com a sensação que o actual elenco que o seleccionador levou à Polónia é um elenco que reparte entre si um bocado de tudo: de desequilíbrio, de falta de qualidade e de falta de trabalho. A repetição de processos de jogo é exasperante, a falta de intensidade do meio-campo é exasperante. A incapacidade de Rúben Neves em organizar devidamente o jogo é gritante. A falta de uma referência de área é exasperante. Aquele lateral esquerdo que fomos importar à Real Sociedad é das coisas mais fracas que vi a jogar numa selecção portuguesa. Os maus cruzamentos do Cancelo levam-nos à loucura (ainda para mais quando não existia uma referência de área) e na melhor parte do pano, aquela fífia cavalar do Rúben Semedo estragou uma boa exibição do central na abordagem a 90% dos lances em que foi chamado a intervir. Para vencer por 3-1, os espanhóis nem tiveram que forçar o andamento. Tiveram apenas que ser mais competentes e eficazes nos momentos chave da partida.

No meio disto tudo acabaram por se salvar as exibições de Bruma, de Daniel Podence, de João Carvalho (a espaços) e de João Cancelo. Daniel Podence foi de longe o elemento mais desequilibrador frente à turma espanhola mas, na cabeça do seleccionador, as 3 ou 4 situações de golo que criou não foram suficientes. Outros jogadores com Rúben Neves ou Renato Sanches continuam a receber carta branca para se arrastar em campo. Quando assim é, não podem existir milagres Sr. Rui Jorge.  Continuar a ler “Análise – Campeonato da Europa de sub-21 – Portugal 1-3 Espanha – Milagres? Não há Sr. Rui Jorge”

Análise – Campeonato da Europa de sub-21 – Portugal 2-0 Sérvia – A história de um jogo que tinha tudo para dar errado e deu certo

Uma estreia com o pé direito no grupo da morte deste Campeonato da Europa de sub-21. Uma estreia com o pé direito. Só. A selecção portuguesa fez em poucas oportunidades o que os estéticos sérvios não conseguiram fazer nas 6 ou 7 oportunidades de golo que tiveram ao longo dos 90″: marcar golos. Rui Jorge não é um gajo com estrelinha de campeão. Rui Jorge é um dos raros treinadores competentes nos quadros da Federação Portuguesa de Futebol. Contudo, não posso deixar de ressalvar que o futebol praticado pela selecção portuguesa foi qualitativamente inferior ao que foi praticado pelos talentosos jogadores sérvios, campeões do mundo de sub-20 há dois anos atrás, nos 90 minutos do jogo que terminou há minutos em Bydgoszcz na Polónia. Nem sempre ganha a selecção que pratica o melhor futebol. No entanto, por outro lado, a experiência dita-me que equipas que cometem os erros que foram cometidos pela formação nacional durante os 90″ muito dificilmente redundam numa vitória. Continuar a ler “Análise – Campeonato da Europa de sub-21 – Portugal 2-0 Sérvia – A história de um jogo que tinha tudo para dar errado e deu certo”

Hoje Escreves Tu #11

Por Eduardo Barroco de Melo

Se matematicamente ainda é possível, o campeonato acabou hoje. Claro que foi mais um jogo em que o árbitro deixou os cartões em casa e parece incapaz de ver faltas na área, mas que o “jogo externo” está contra o Porto já nós sabemos. Isso não apaga, contudo, as culpas próprias de um clube que anda perdido há muito. Esqueçam lá o “Somos Porto” e o “Só perdes quando desistes de lutar”, isso é bom para enganar tolos. É certo que este clube foi forjado na capacidade de trabalho para ultrapassar os obstáculos que lhe foram colocados no caminho sucessivamente. Mas as frases feitas não fazem nenhuma organização, e se há coisa que define o sucesso é a competência. O Porto foi o clube mais competente no futebol português nos últimos 40 anos, mas andamos há quatro anos (mais?) à deriva.

Acreditei que era possível ganhar apesar do Nuno Espírito Santo, mas o jogo de hoje é prova de que isso não é possível. Tenho imenso respeito pelo que deu como jogador e pela forma como sente o clube, mas a total desorganização em campo não são desculpáveis por isso. Nuno não soube fazer a transição para um clube grande e é confrangedor ver esta equipa a jogar como uma equipa pequena. Jogar a defender com muitos e a despejar bolas na frente de forma absolutamente aleatória tem sido a norma e contra uma equipa que jogou com 11 dentro de área é um suicídio. Ser obrigado a ver como se desvalorizam jogadores como Rúben Neves, Óliver Torres, Otávio, Brahimi e André Silva e ter de ver Maxi, André André ou Soares (que não tem qualidade nem para fazer parte do plantel) é inqualificável.

Há pouco tempo comemoraram-se 35 anos da presidência de Pinto da Costa e estamos todos eternamente gratos pelo que fez pelo clube. Mas, no fim desta época, deixa de haver condições para que mantenha o cargo. Quem não sabe sair por si, tem de sair empurrado. E não há ninguém maior do que o clube, nem mesmo Pinto da Costa.