Falta de noção de Russell Westbrook? Não creio

A propósito da prestação do base dos Thunder no 4º período jogo 2 da série contra Houston.

A eficácia de lançamento é obviamente má, o jogador voltou a falhar nas decisões que tomou e o resultado tratou de o castigar. Uma das últimas insiders até trouxe a notícia de que na entrada para o balneário, Victor Oladipo terá perguntado ao jogador se não “quer entrar num 1 contra 5 em vez de levar a sua equipa” – a verdade é que o jogador fez o que lhe competia como líder de equipa. O 4º período de qualquer jogo de playofffs é o momento em que os verdadeiros líderes tem que aparecer, hajam ou não shooters na equipa, exista ou não (toda a gente sabe que o jogador é individualista e esse carácter individualista já não é de hoje) individualismo e vontade de “viver para os números” por parte do jogador. James Harden tem a particularidade de ter uma equipa recheada de shooters. Harden tem portanto o melhor de dois mundos: tem alternativas credíveis dentro da equipa e isso alivia-lhe imenso a pressão de ter que ser ele a assumir todo o jogo, factor que naturalmente acaba por fazer fluir o seu jogo e render ao nível de números. Já Russell Westbrook não possui de todo na sua equipa a realidade de Harden. Como tal, é ele que tem de assumir 90% do jogo da equipa, facto que por si só desencadeia uma maior probabilidade de errar.

Bloco de Notas da História #11 – Quem foi Oscar Robertson?

No dia em que Russell Westbrook igualou um record que estava vigente há 5 décadas, importa recordar o papel de Oscar “Big O” Robertson no mundo da NBA. Oscar Robertson não foi o primeiro grande base da NBA, foi o primeiro jogador completo da NBA pela capacidade que apresentava de marcar muitos pontos, dar muitas assistências e ganhar muitos ressaltos. E isso derivava do facto do jogador apresentar uma altura (1,96m) incaracterística para um base.

Na década de 60 poucos acreditavam que alguém pudesse ser um jogador tão completo. Isso motivou um dia o treinador dos Celtics Red Auerbach a afirmar que o jogador “era tão grande ao ponto de o assustar”, e o seu colega de equipa Jerry Lucas a afirmar ao Indianápolis Star que “Robertson era um jogador seguramente à frente do seu tempo. Era demasiado perfeccionista ao ponto de estar constantemente a gritar-te aos ouvidos quando falhavas”.  Não era para menos. Logo na 2ª temporada na Liga, Robertson fez números de temporada que ainda são impensáveis para os dias que correm: 30.8 pontos, 12.5 ressaltos e 11.4 assistências de média.

Colocar Robertson e Russell Westbrook em comparação acaba por ser uma tremenda injustiça para ambos. O jogo mudou drasticamente. A liga ganhou mais jogos, ganhou mais competitividade, ganhou mais no plano táctico, ganhou um pace 3 vezes mais rápido que aquele que enfrentava Robertson nos seus tempos. Os jogadores fazem mais viagens, passam menos tempo em casa e o intervalo de descanso entre jogos é hoje muito mais diminuto. A NBA é hoje também uma liga onde se cruzam vários tipos de basquetebol, com especial incidência para a dicotomia americano\europeu. Oscar Robertson era um jogador à frente do seu tempo mas isso não equivale a dizer linearmente que Robertson seria actualmente o melhor jogador desta liga. No entanto, creio que seria um jogador preparado do ponto de vista físico e mental para singrar nesta liga se uma máquina do tempo lhe permitisse reaparecer “de novo” na actualidade.

Haverá alguma equipa com mais confiança que os Warriors?

“O chefe Curry esteve a cozinhar” e isso é um problema para os rivais da equipa californiana no Oeste. A série de 11 vitórias que os Warriors levam neste final de temporada regular, o “aquecer de motores” de Steph Curry para os playoffs que se avizinham no horizonte (os grandes jogadores começam a render ainda mais quando começam a sentir os grandes palcos) e o jogo colectivo que a equipa põe em marcha apesar do ascendente de forma de algumas das suas unidades como Klay Thompson ou Draymmond Green, tornam-me quase impossível vislumbrar outro vencedor que não a equipa de Steve Kerr, apesar das grandes exibições que também tem vindo a ser realizadas pelos craques dos outros contenders ao título no Oeste como são os casos de Kawhi Leonard ou La Marcus Aldridge (San Antonio), James Harden, Nene Hilário, Clint Capela ou Patrick Beverley (Houston) ou de Russell Westbrook (Oklahoma City Thunder) o mais que justo MVP da temporada regular, na minha opinião.

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