Os golos da Champions (2ª parte)

Começo este post com um grande golo, o golo que abriu o marcador na Otkrytiye Arena, no empate a 1 bola entre o Spartak de Moscovo e o Liverpool. Fernando (não confundir este médio centro de 25 anos com o seu homónimo compatriota que jogou no Porto e no Manchester City) castigou da melhor maneira, com uma exímia cobrança em arco, o livre assinalado sobre a falta cometida à entrada da área por Coutinho sobre o veterano internacional russo Aleksandr Samedov.

Os Reds de Klopp voltaram a escorregar na fase-de-grupos da Champions. Depois de terem empatado a 2 bolas com o Sevilla em Anfield Road no jogo da ronda inaugural, num empate que se pode qualificar como amargo se atentarmos ao número de oportunidades desperdiçadas no 2º tempo e para os erros defensivos cometidos nos golos dos sevillanos, em Moscovo, a história repetiu-se de certa forma. Os Reds desperdiçaram algumas oportunidades (construídas essencialmente através de processos de jogo que privilegiaram o flanqueamento de jogo para os corredores e a velocidade dos seus 3 homens da frente no ataque) e o seu trio da frente sentiu algumas dificuldades para se posicionar em linha no momento do último passe. 3 das melhores oportunidades criadas pelos reds ao longo dos 90 minutos foram anuladas por existência de posição irregular no momento do passe.  Continuar a ler “Os golos da Champions (2ª parte)”

Anúncios

The Kevin De Bruyne show

Três dos vários aspectos que me saltaram à vista desarmada na goleada do City frente ao Liverpool foram a péssima transição defensiva dos reds (nada habitual para uma equipa que foi trabalhada ao longo dos últimos meses para reagir rápido ao momento da perda), a facilidade com que os jogadores da linha média de Guardiola conquistaram rapidamente o controlo do meio-campo frente a um trio que faz da cobertura posicional uma das suas “forças” quando é obrigado a ter que defender no seu meio-campo (a cobertura posicional dos médios do Liverpool é o móbil que garante a recuperação e o lançamento apoiado do contra-ataque, com o auxílio de Firmino a ligar o jogo às alas, ou em profundidade, directamente para a velocidade de Salah ou Mané; nos primeiros 20 minuitos, os reds ainda conseguiram por em prática algum do seu “jogar”) e falta de agressividade aliada à última lacuna descrita em vários momentos do jogo. Os três maiores défices da formação de Liverpool permitiram um final de manhã\início da tarde idílico quer para Fernandinho quer para Kevin DeBruyne visto que tanto um como o outro tiveram várias oportunidades para colocar o seu passe vertical entre as linhas do adversário.

Nesta análise irei cingir-me apenas aos melhores momentos do belga no jogo:

Continuar a ler “The Kevin De Bruyne show”

Sadio Mane

Jogada-espelho do que aconteceu em toda a primeira parte, sempre que o Liverpool conseguiu recuperar a bola à entrada da sua área ou até mesmo no seu interior (nesse aspecto, Emre Can e Georgínio Wijnaldum tiveram um comportamento irreprensível): lançamento do contra-ataque, através de processos simples, pragmáticos e verticais, procurando imediatamente a linha de passe para Roberto Firmino, com Sadio Mané a sair disparado pelo corredor esquerdo sem o devido acompanhamento de Oxlade-Chamberlain para evitar a criação de situações de igualdade ou até mesmo superioridade numérica. Outros dos processos muito utilizados pela formação de Klopp quando sai para o contragolpe é o lançamento em profundidade para o flanco direito para a velocidade de Mohammed Salah.

liverpool 2

Nos dias que correm, o senegales está de pé quente. Sempre que a bola lhe cai nos pés no último terço adversário, sai sempre uma jogada de perigo para a baliza adversária. Ou corta para dentro e remata, ou corta para dentro e contemporiza (fixando o central e o lateral nas suas acções) à espera que Can, Moreno ou Firmino apareçam a dar apoio (a fazer o overlaping) por fora, ou procura até a entrada nas costas da defesa de Salah, quando o extremo egípcio procura entrar junto à defesa adversária para se constituir como mais uma opção para o último passe e para a finalização da jogada.

Em ataque posicional também tenho gostado deste Liverpool. É uma equipa muito paciente na circulação capaz de colocar muito gelo no jogo (entre os 25 e os 39 minutos, a formação de Anfield teve uns estrondosos 82% de posse de bola) ou esperar que o adversário se farte de ver a bola a passar de pé para pé e tente assumir mais riscos para pressionar e roubar.

Os golos do dia

Começo este post pela Liga Ledman. É verdade que desde o início deste blog em Março não tenho dado o maior dos destaques à nossa 2ª liga. Não tenho o dom da ubiquidade nem consigo, no turbilhão de provas, jogos, notícias, rumores que acontecem ou saem cá para fora todos os dias, ter disponibilidade para acompanhar a fundo a prova. Para já tenho tentado acompanhar ao máximo o percurso da Académica, pelas razões sentimentais que me ligam ao clube e à bela cidade de Coimbra.

Pude ver, durante o dia de hoje uma generosa parte do jogo entre a equipa B do Sporting e o Cova da Piedade. Do que vi gostei de algumas prestações. A que mais me encantou foi a de Rafael Barbosa. Cada vez mais acredito que face aquela que considero ser para já a única pecha no plantel principal (um substituto à altura de Adrien; considerando que Battaglia pode ser, caso William não venha a sair, um jogador capaz de fazer com alguma eficiência o papel de Adrien; pelo menos nos aspectos defensivos, o argentino tem capacidade para poder substituir o capitão; nos aspectos ofensivos, creio que o jogador tem evidentes lacunas que tem necessariamente de ser trabalhadas, com a sua técnica de passe à cabeça) se o médio mantiver este rendimento (é agressivo na disputa da bola, pressiona bem, recupera imensas bolas, é rápido e efectivo a lançar o ataque ou a criar em terrenos mais adiantados) poderá ser o primeiro jogador a saltar da equipa B para a equipa principal.  Continuar a ler “Os golos do dia”

A magia de Sadio Mane

Da instável prestação do Liverpool frente ao Watford de Marco Silva. Contra o atrevido Watford de Marco Silva, a formação de Jurgen Klopp cometeu falhas defensivas que são, no meu entender, imperdoáveis para uma equipa que tem a ambição vir a imiscuir-se na luta pelo título. Os 3 golos da formação do noroeste de Londres resultaram de 3 patices defensivas pegadas (no primeiro golo, golo obtido na sequência de um pontapé de canto, à falha de marcação juntou-se a inépcia na desactivação do bloqueio que foi feito a Simon Mignolet; o 2º golo resulta de uma clara falha posicional da defensiva dos reds no lance do 3º golo, a formação de Klopp voltou a falhar na abordagem aos pontapés de canto adversário, ao não colocar nenhum jogador ao primeiro poste; como os Hornets já tinham vindo a bater cantos para o primeiro poste, justificava-se ali a presença de um jogador para poder atacar imediatamente a bola) e, a verdade é que o Liverpool não conseguiu matar o jogo nas oportunidades flagrantes que dispôs nos minutos subsequentes à obtenção do 3º golo.

Sadio Mane fez um vistão no lance do primeiro golo. O médio ofensivo pode realçar mais uma vez toda a sua fantasia, inteligência e capacidade de finalização. A acção foi deliciosa. Com dois adversários na ilharga, o médio sabia que ao passar para Moreno iria obrigar os dois adversários a ter que saltar na pressão para tentar roubar a bola ao lateral. A correcta presunção permitiu-lhe entrar no espaço livre, onde pode dar a entender que iria receber a bola para eventualmente tentar entrar na área em drible. Com a simulação, o médio senegalês imobilizou literalmente dois jogadores e só teve que entrar concedido pelos adversário para voltar a receber a bola com todos os royalties para finalizar.

Desmistificar os novos imputs tácticos de Klopp em Liverpool

Há uns dias atrás já tinha escrito, a propósito das minhas observações do “novo” Liverpool de Klopp no jogo de preparação frente ao Hoffenheim, as ligeiras nuances que Mohammed Salah oferece em alguns aspectos ao modelo de Jurgen Klopp.

Com a utilização de linhas altas (avançados atrás da linha da bola), quer em 4-2-3-1 ou 4-4-1-1 (os sistemas tácticos mais utilizados no Mainz e no Dortmund) quer em 4x3x3 ou 4x3x2x1 (os sistemas tácticos mais utilizados em Liverpool) o treinador alemão pretende que a sua equipa seja uma equipa muito pressionante (com intensidade; sem momentos para respirar ou para deixar a outra equipa respirar) e muito bem organizada defensivamente.

Dentro dos sistemas tácticos operacionalizados pelo treinador alemão em Liverpool, os jogadores mais avançados no terreno devem constituir a primeira barreira de pressão (média\alta, dentro do meio-campo adversário) a sério para os adversários. A 2ª linha de pressão, composta por médios (Lucas Leiva, Emre Can) tem alguma liberdade, para poderem, por exemplo, cair em cima dos seus adversários nas faixas se os adversários quiserem iniciar a transição para o meio-campo adversário pelos corredores. Como uma boa parte das equipas “pequenas” do campeonato inglês assenta as suas matrizes ao nível de processos no contra-ataque e não gostam (algumas não se sentem mesmo confortáveis) de ter a bola na sua posse durante períodos de tempo prolongados, o alemão viu nesta chave, a chave do sucesso para tentar anular o contra-ataque adversário e dominar as partidas. A pressão média\alta quando bem executada tem a capacidade de deixar as equipas algo vulneráveis quando a bola é recuperada. A recuperação por defeito é um momento que faz subir as linhas imediatamente. Recuperando por exemplo a bola num erro de um central, numa situação em que estejam 4 jogadores muito próximos, rapidamente se pode criar uma situação de superioridade numérica que pode ser causadora de perigo junto da baliza adversária. Continuar a ler “Desmistificar os novos imputs tácticos de Klopp em Liverpool”

Os golos da semana

Apesar de não ter escrito muito nos últimos sobre “Bola” (aquela, redondinha, que rola pelo campo e que faz mover 22 homens) o sensacional slalom do argentino não nos passou em claro. Genial jogada do argentino sobre 6 jogadores para fechar a participação na Liga, numa vitória amarga dos catalães em virtude do facto do Real de Cristiano Ronaldo ter conquistado no domingo o seu 33º título espanhol.

Continuar a ler “Os golos da semana”