A classe de Julian Draxler

A finalização do médio ofensivo do Hoffenheim é boa, mas, a preparação do momento por parte de Julian Draxler é excelente. Eu sou um bocado suspeito para escrever o quer que seja sobre o criativo jogador do PSG porque Draxler é desde há muito um dos jogadores que mais admiro no cenário futebolístico hodierno.

Sempre que penso em Draxler ou revejo mentalmente alguns dos momentos que fui assistindo do criativo (que para mim é mais um 10 do que verdadeiramente um extremo) recordo-me sempre das suas acções individuais características na esquerda (em ataque organizado ou em contra-ataque, tanto faz…), nas quais o jogador, naquela passada elegante, com aquela técnica individual que se situa num ponto bem para além de elegante, corta para dentro enquanto passa por quantos forem aqueles que se lhe opuserem, e termina com aqueles espantosos remates na passada. Este é só o cartão de visita (técnico e veloz) de um jogadores mais inteligentes do futebol mundial. Os momentos em que o jogador vem ao corredor central são na minha opinião os momentos em que o jogador liberta tudo o que realmente sabe sobre futebol: a sua inteligência. A forma em como, com uma acção, desmonta por completo toda a estratégia adversária no preciso momento em que cria uma acção benéfica para a equipa.

No golo de Demirbay contra os camarões, a entrada-apoio em progressão do jogador no espaço livre face à acção do seu colega numa situação de pressão imediata sobre o portador por parte de um dos centrais camaroneses é a situação que faz toda a diferença no lance.

Não desfazendo de todo a acção de Demirbay porque o médio foi rápido a rodar para desembaraçar-se da pressão do jogador adversário de forma a poder combinar com Draxler, “criando” o espaço que depois irá atacar…

… não poderia ter redundado no golo que redundou se Draxler não tivesse tirado completamente da jogada os dois jogadores que estão a realizar a situação de pressão com o momento de contemporização que realizou antes de servir o colega com aquele fenomenal passe de calcanhar.

 

 

Situações que não podem de todo acontecer com o novo sistema de videoárbitro apesar da decisão disciplinar ter sido a correcta

No jogo desta tarde entre a Alemanha e os Camarões, uma entrada duríssima cometida pelo lateral direito da selecção Ernest Mabouka sobre o médio alemão Emre Can suscitou um pedido de revisão da jogada (num primeiro momento pelo videoárbitro nomeado pela FIFA para a partida, e nos 2 momentos subsequentes pelo árbitro em virtude do erro que veio a cometer) por parte do árbitro colombiano Wilmer Roldán.

Apesar de considerar que o árbitro da partida poderia estar melhor colocado no lance em questão para analisar e decidir sobre o critério disciplinar a aplicar sem a ajuda de terceiros, e que o fiscal-de-linha daquele lado estava em condições de ajudar o seu colega de equipa, a nova tecnologia foi introduzida precisamente para auxiliar a decisão do árbitro neste tipo de situações em que o contexto não é favorável a uma tomada de decisão assertiva e, acima de tudo, justa. Compreendo perfeitamente todas as limitações que podem eventualmente surgir no decurso de uma partida para um árbitro: para além deste ter que estar com atenção a multiplicidade de factores intrínsecos ao jogo (a visualização das acções rápidas, frenéticas, de 22 actores num cenário de oposição; o controlo permanente dos episódios que vão sendo criados pelos agentes que estão no banco de suplentes, entre outros) nem sempre o posicionamento que este adopta é o melhor para poder observar com clareza determinado lance de forma a poder ajuizá-lo correctamente, assim como, tendo em conta o mesmo objectivo (a ambicionada imparcialidade e justiça na actuação) nem sempre o cérebro humano consegue acompanhar com a mesma rapidez uma acção (real) que se desenvolve ali à frente dos nossos olhos. Quantas vezes é que ao longo das nossas vezes vimos algo bem real a acontecer à nossa frente e não conseguimos tomar, numa curta fracção de tempo, a decisão mais acertada naquele caso concreto? Centenas, se não milhares de vezes. Continuar a ler “Situações que não podem de todo acontecer com o novo sistema de videoárbitro apesar da decisão disciplinar ter sido a correcta”

Os golos do dia

O golo do médio centro dos Camarões Andre Franck Zambo Anguissa (Olympique de Marselha) frente à selecção australiana no empate somado pelas duas equipas na partida disputada em São Petersburgo.

Relativamente ao lance do golo destaco o passe fenomenal do central Michael Ngadeu-Ngadjui para a entrada de Anguissa junto ao central australiano Milos Degenek e o sentido de oportunidade do jogador do Marselha quando se apercebeu que o guardião australiano Matthew Ryan iria chegar atrasado aquela bola. Ao aproveitar o facto da bola ter caído “em terra de ninguém”, o jogador camaronês aproveitou claramente uma situação de falta de comunicação entre o central e o guarda-redes da selecção australiana para ser feliz. Degenek confiou. O central pensava que seria mais rápido a chegar aquela bola. Como tal, não pediu a Ryan para sair. Como não saiu atempadamente, o guardião australiano que no presente defeso foi adquirido pelo recém-promovido à Premier League Brighton and Albion, foi apanhado em contrapé na jogada.

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