Os golos do dia

O primeiro, como não poderia deixar de ser, o golo que garantiu à selecção germânica de sub-21 a vitória no Europeu da categoria. Que finalização soberba de Mitchell Weiser. 

O segundo vem acompanhado de um Daikiri. Sim, porque a MLS ainda é um bom poiso para alguns reformados do futebol europeu ganhar uns milhõeszinhos largos sem terem que se cansar muito. Frente ao Minnesota United, David Villa apontou desta forma o seu 51º tento em 74 jogos pelos New York City FC.

Análise – Campeonato da Europa de sub-21 – Portugal 1-3 Espanha – Milagres? Não há Sr. Rui Jorge

No sábado, contra os sérvios, relatei aqui um jogo no qual foi feito tudo para dar errado e tudo acabou estranhamente por dar certo. Da entrada que nos foi servida por Rui Jorge, comi só pela metade porque naquele momento tive o bom senso de guardar o meu estômago para as provas do prato principal frente aos espanhóis. No jogo frente à selecção espanhola queria perceber se a estreia dos sub-21 portugueses frente aos sérvios tinha sido um mero e normal momento de nervosismo inerente a estes momentos ou um sintoma avançado de um grupo extremamente desequilibrado e mal trabalhado.

Frente aos espanhóis fiquei com a sensação que o actual elenco que o seleccionador levou à Polónia é um elenco que reparte entre si um bocado de tudo: de desequilíbrio, de falta de qualidade e de falta de trabalho. A repetição de processos de jogo é exasperante, a falta de intensidade do meio-campo é exasperante. A incapacidade de Rúben Neves em organizar devidamente o jogo é gritante. A falta de uma referência de área é exasperante. Aquele lateral esquerdo que fomos importar à Real Sociedad é das coisas mais fracas que vi a jogar numa selecção portuguesa. Os maus cruzamentos do Cancelo levam-nos à loucura (ainda para mais quando não existia uma referência de área) e na melhor parte do pano, aquela fífia cavalar do Rúben Semedo estragou uma boa exibição do central na abordagem a 90% dos lances em que foi chamado a intervir. Para vencer por 3-1, os espanhóis nem tiveram que forçar o andamento. Tiveram apenas que ser mais competentes e eficazes nos momentos chave da partida.

No meio disto tudo acabaram por se salvar as exibições de Bruma, de Daniel Podence, de João Carvalho (a espaços) e de João Cancelo. Daniel Podence foi de longe o elemento mais desequilibrador frente à turma espanhola mas, na cabeça do seleccionador, as 3 ou 4 situações de golo que criou não foram suficientes. Outros jogadores com Rúben Neves ou Renato Sanches continuam a receber carta branca para se arrastar em campo. Quando assim é, não podem existir milagres Sr. Rui Jorge.  Continuar a ler “Análise – Campeonato da Europa de sub-21 – Portugal 1-3 Espanha – Milagres? Não há Sr. Rui Jorge”

Os golos do dia

Os golos de Marco Asensio na vitória fácil da selecção sub-21 espanhola frente à sua congénere da Macedónia por 5-0. As facilidades concedidas pela selecção balcânica (um verdadeiro acumular de erros defensivos e de erros na transição; falta de intensidade na pressão, defesa excessivamente compactada na zona central, descurando por completo as alas) tornaram a missão relativamente fácil para a máquina de guerra comandada pelo antigo trinco do Barcelona, Celta e Real Madrid Albert Celades.

Não posso porém não deixar uma nota de aviso a Rui Jorge e aos seus comandados. Frente aos espanhóis estamos proibidos de cometer os erros que cometemos ontem frente aos sérvios nas transições (5 ou 6 perdas de bola à entrada da nossa área) e no capítulo da cobertura defensiva. O nosso meio-campo não poderá dar as costas aos criativos espanhóis na mesma medida em que deu aos criativos sérvios (Gacinovic e Zivkovic) sob risco de sairmos frente aos espanhóis com um saco de bolas dentro da nossa baliza. Como pudemos assistir no jogo de ontem, sempre que os macedónios perderam bolas na transição e não foram rápidos a cair sobre o portador da bola, sofreram.

Qué bien juega tu equipo, Julen! Pero no és tuya!

Os jogadores criam os treinadores. Qué bien juega la Roja com Julen Lopetegui. As sobreposições interiores que os alas e médios (no caso de Iniesta) fazem para oferecer as linhas de passe que acrescentam verticalidade e desequilibram qualquer defesa. A pressão que é feita assim que a equipa perde a bola. A velocidade de execução. As roletas que são executadas pelos jogadores menos técnicos da equipa para suplantar a primeira linha de pressão adversária de forma a tornar uma situação complicada num contragolpe coroado com o êxito. A tabelinha entre David Silva e Jordi Alba, tabelinha que rachou por completo o lateral adversário e permitiu ao lateral do Barça servir sem oposição a entrada na área do companheiro.

Pergunta-se: foi Julen quem trabalhou tudo isto? A resposta é óbvia, não, não foi Julen Lopetegui. E isso é prova mais que significativa do currículo de Julen nas selecções espanholas. É muito fácil pegar numa selecção quando se tem a magia dos jogadores do Barça, a velocidade de execução dos jogadores do Real Madrid, a intensidade com que jogam os jogadores do Atlético. Os jogadores chegam “feitinhos”. Construir equipas de raiz? Isso é mais difícil. A construção de equipas de raiz implica em primeiro lugar conhecer todos os jogadores no plano técnico, táctico, mental e perceber se o lote de jogadores satisfaz o modelo de jogo que se pretende implementar. Se não satisfaz, o treinador precisa de saber quem é que satisfaz esses critérios e pedir a contratação desses jogadores. Em segundo lugar, já com o plantel formado, o treinador precisa de construir esse modelo de jogo, ou seja, construir as dinâmicas de circulação de jogo, as dinâmicas que cada jogador terá que fazer para que essa circulação seja eficaz e proveitosa para a equipa, a atitude defensiva da equipa, o comportamento da equipa nas bolas paradas, o sistema de marcações, o sistema de pressão, entre outros aspectos. Quando o treinador consegue construir as chamadas rotinas da equipa, deverá ter em conta sempre a existência de planos B que possam suplantar eventuais lesões de peças-chave e adequação da sua equipa aos adversários que esta vai defrontar, preparando devidamente a equipa para se adequar ao jogo desse mesmo adversário.

Na passagem do técnico espanhol no Porto, provou-se, principalmente no primeiro ano que o técnico teve muitas dificuldades para cumprir esta necessária checklist. A prova disso mesmo? A rotatividade promovida pelo espanhol nos primeiros meses dessa temporada, sinal indicador que o trabalho que o espanhol deveria estar a fazer para construir minimamente aquela equipa não estava a ser feito. O espanhol tentou resultados a curto prazo, utilizando para o efeito em cada semana, literalmente, os “onze” que lhe davam mais garantias de sucesso ao invés de trabalhar um “onze” a longo prazo.

O árbitro de video resulta ou não resulta?

Claro que resulta! Claro que acrescenta “limpeza”, transparência e verdade desportiva ao jogo!

Se ainda existissem dúvidas, creio que essas dúvidas ficaram hoje dissipadas pela actuação do árbitro de video no jogo entre a França e a Espanha. A existência da figura é extremamente necessária para benefício da verdade desportiva precisamente por causa deste tipo de lances, ou seja, por causa de lances em que o posicionamento de determinado jogador em determinado contexto ditado pela rapidez com que se desenrola a jogada, coloca em dúvida a análise dos 3 árbitros que estão a acompanhar a jogo. Continuo a considerar que 3 árbitros não conseguem ver tudo o que se passa em campo. A multiplicidade de acções que são executadas a alta velocidade pelos jogadores não permitem que a equipa de arbitragem consiga focar-se correctamente em todos os acontecimentos contidos na jogada e decidir com a racionalidade que se exige. Quer queiramos quer não, a rapidez das movimentações dos jogadores criam efectivamente situações de ilusão de óptica.

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Espanha 4-1 Israel

Vi com relativa atenção. Da gorda (mas enganadora em certos pontos) vitória dos espanhóis saliento dois pontos:

1º – Os processos de jogo ofensivos idealizados por Julen Lopetegui resultam na medida em que Vitolo e David Silva, colocados como alas interiores (a aparecer como 2º avançados ao 2º poste sempre que a bola é cruzada do flanco contrário) criam desequilíbrios através da oferta de linha de passe interior aos respectivos laterais dos seus flancos.

2º – A exibição desastrosa a todos os níveis da dupla de centrais, o que só realça que os golos que ambos marcam nos seus clubes (de extrema importância para o sucesso da equipa no caso de Sérgio Ramos) disfarçam as lacunas existentes no seu jogo. Se a selecção israelita possuísse por exemplo um ponta-de-lança combativo e eficaz como Diego Costa, outro galo cantaria nesta partida. Os dois centrais espanhóis são um perigo: não executam uma marcação correcta, não atacam o esférico à entrada da área quando o avançado adversário tem espaço suficiente para rematar de forma a desarmá-lo ou a encurtar-lhe o espaço e o tempo para preparar o remate e chegaram inclusive nesta partida a dar a sensação que quando o avançado adversário se movimenta dentro da área não comunicam para trocar a marcação.