Fica aqui a nota de repúdio

rugby 11

A selecção nacional de sub-20 de Rugby conseguiu durante esta noite (tarde no Uruguai) uma fantástica vitória por 16-13 frente às Ilhas Fiji, uma das principais candidatas à vitória no Trophy (Mundial B do escalão), triunfo que para além do pleno no que à fase de grupos diz respeito (a equipa já tinha somado duas vitórias contra a formação anfritriã do Uruguai e contra a selecção de Hong Kong) garante aos jovens lobos a inédita presença na final do torneio, partida que irá garantir, ao vencedor, a subida ao torneio que é disputado por toda a elite mundial.

Fazendo jus às palavras do capitão António Vidinha, os underdogs voltaram a provar, no Uruguai, de que matéria (bem dura por sinal) são feitos. Sabemos que a casa (leia-se, a FPR) está neste momento a arder e que o Rugby é uma modalidade com uma expressão muito reduzida em Portugal, mas o facto de nenhum diário desportivo português ter dado o devido destaque aos incríveis feitos que esta selecção está a realizar no Uruguai, repetindo a façanha heróica realizada no campeonato Europeu do escalão disputado na primavera na Roménia, é de uma insensibilidade tremenda para com o esforço destes jovens. Não considero de todo normal que a imprensa portuguesa dê, diariamente, imenso destaque a atletas que não alcançam, nem de perto, nem de longe, resultados de semelhante escala de importância ou centenas de páginas a estéreis mexericos relacionados com o futebol, mas não tenha por outro lado qualquer interesse em colocar um dos seus colaboradores (porque todos os jornais portugueses tem um ou outro colaborador com conhecimento na modalidade) para cobrir a participação desta selecção numa das mais importantes provas de selecções da modalidade.

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Um ensaio que ficará para a História do Rugby Português

minuto 1:15

A portentosa arrancada do primeiro centro (interior) do Grupo Desportivo de Direito José Luís Cabral para o 2º ensaio obtido na partida de ontem frente à selecção uruguaia.

Uma peça jornalística perfeita

Em poucas linhas, António Henriques do DN resumiu (e criticou, positivamente) as grandes pechas do mandato (que agora termina) de Luís Cassiano Neves à frente da FPR. O Rugby Português caiu na rua da amargura.

Esperemos que os críticos e arautos da desgraça que grassam a potes pelas redes sociais e pelos blogs sejam agora capazes de pegar na bandeira e arrepiar caminho. Não. Desenganem-se. Esses serão os primeiros a rejeitar por completo o poder. Também serão, naturalmente, os primeiros a criticar todos aqueles que tenham a coragem necessária para assumir o barco. O rugby português está cheio de barristas. Pior que isso: o rugby português está cheio de pequenas invejas (a minha direcção da federação foi melhor que a tua é a tipologia mais utilizada no “medir de pilinhas” sem fim que é o rugby português), de pequenos ódios, de muita hipocrisia e acima de tudo, de muita gente de merda sem qualquer carácter.

Quando uma determinada empreitada está a vingar, pretendentes aos louros não faltam. Quando essa empreitada está prestes a colapsar, os pretendentes serão os primeiros a fugir. Grande parte daqueles que placaram no osso Cassiano Neves, mostrar-se-ão indisponíveis para se chegar à frente. É o normal. Mandar umas penadas à frente do computador é demasiado fácil. As teorias exibidas em longas (catedráticas) análises até parecem, à primeira vista, encaixar-se (como perfeitas) para a resolução dos problemas actuais. Errado. A realidade das instituições acaba sempre por surpreender aqueles que pensam que estão bem preparados para assumir os seus destinos. Quando os problemas começam a bater à porta e as soluções estão cheias de pequenas bifurcações repletas de danos colaterais (se tomar determinada decisão, sei que vou beneficiar x aspecto, prejudicando aspecto y) as pessoas apercebem-se do quão difícil é por vezes o poder. Não existem fórmulas perfeitas. Precisa-se gente de trabalho. Eu estou disponível para trabalhar. Sempre estive. No momento mais crítico da minha vida, o rugby deixou-me a mim e à minha namorada à beira do colapso financeiro. Um dia irei contar-vos essa história.

Para os corajosos que vieram a assumir o poder, será importante, na minha humilde opinião tratar urgentemente de uma série de questões:

  1. Fontes de financiamento para a modalidade – A modalidade está em crescimento em todo o mundo, parecendo apenas estar em contra-ciclo em Portugal. Para se ter dinheiro, é preciso, acima de tudo, que a modalidade seja mais divulgada. Só uma correcta divulgação da modalidade poderá conduzir à possibilidade de termos mais fontes de financiamento. E a melhor forma de a divulgar reside no Desenvolvimento. Na captação de mais praticantes e na criação de mais clubes. Para se captar mais atletas, em todo o país, a federação necessita de apostar num programa de desporto escolar que permita captar a atenção de uma nova geração, preferencialmente, em vários pontos do país onde o rugby tem menos expressão. Para o efeito, existe uma solução muito válida: a federação deve alocar todos os recursos técnicos disponíveis no intuito de passar a pente fino todas as escolas do país e não algumas, ou seja, aquelas que estão mais próximas dos clubes. Para o efeito, existem por aí centenas de professores de educação física que devem ser cativados a tentar inserir a prática do rugby nas escolas onde leccionam. Numa segunda fase, as zonas que demonstrarem interesse na constituição de clubes devem ser fortemente apoiadas (visto que não existem possibilidades financeiras para mais, a FPR deve ser incansável no apoio à criação de projectos minimamente sustentáveis, na formação de quadros técnicos e na formação de quadros directivos para os novos clubes). O aumento do número de atletas irá claramente aumentar o número de pessoas envolvidas na modalidade. O aumento do número de pessoas envolvidas na modalidade, irá granjear-se outra dimensão em termos de visibilidade e irá render vários louros (na vertente desportiva) no futuro se ao aumento do número de pessoas envolvidas se acrescentar uma qualitativa formação de novos quadros técnicos. O aumento de visibilidade traz mais apoios. Ninguém quer apostar numa modalidade em que o campeonato nacional não é transmitido na televisão. Ninguém quer apostar numa modalidade que não é vista nem tida nem achada por uma esmagadora falange da sociedade.portuguesa.
  2. Controlo máximo das despesas – Uma federação falida não pode levar uma comitiva tão grande aos locais onde a selecção se desloca. Uma federação falida não se pode dar ao luxo de gastar o que gasta em custos com pessoal.
  3. A arbitragem deve fazer um sacrifício em prol da modalidade. Se 100% dos atletas portugueses\pais pagam para jogar\para os filhos jogar, porque é os árbitros não podem ser chamados a contribuir para a modalidade que amam sem qualquer interesse monetário subjacente? Os custos com a arbitragem devem ser reduzidos ao mínimo, ou seja, ao custo de deslocação (o mais baixo possível, nomeando para os jogos, torneios, convívios os árbitros da região; como de resto é feito; pagando-lhes apenas as despesas que sejam consideradas como essenciais para que estes não percam dinheiro com a actividade) até ao momento em que as contas da federação permitam o regresso ao regime normal.
  4. A Federação Portuguesa de Rugby deverá encetar todos os esforços necessários para aproximar novamente o Rugby Português da IRB, da Rugby Europe, e das principais entidades que gerem as grandes competições europeias.
  5. A “aproximação ao estrangeiro” deverá sempre ser executada no intuito de atingir determinados objectivos: a recuperação do financiamento que se perdeu nos últimos anos em virtude da perda do estatuto de país “Performance 1” (para o efeito, deve-se apresentar um plano estratégico que vise pensar, estabilizar e executar um plano competitivo a longo prazo desde os escalões de formação até aos seniores; alterar o plano estratégico vigente no que concerne ao Alto Rendimento), a colocação de mais jogadores promissores em clubes de topo das principais ligas europeias e a aproximação aos países que nos poderão servir como modelo a seguir para os primeiros anos (Espanha e Alemanha).
  6. O Browns como casa-mãe das selecções nacionais. Existe neste país melhor infraestrutura para o Alto Rendimento que o Training Camp de Vilamoura?
  7. A reconciliação da FPR com todos os atletas luso-descendentes que foram discriminados pela anterior direcção. Os jogadores de ascendência portuguesa que jogam nas principais divisões dos seus países tem que ser vistos como mais-valias para o rugby português. Tratando-se de atletas com muita qualidade nas várias vertentes de jogo e de agentes que ao longo de anos estiveram em contacto com metodologias de treino mais avançadas que aquelas que são postas em prática em 90% dos clubes portugueses, os “luso” são jogadores que podem transportar para Portugal qualidade e conhecimento. Apesar de terem passado pela pouca vergonha pela qual passaram com Cassiano Neves, estou certo que grande parte voltará a jogar pela selecção se o novo elenco da FPR os convidar. Não devemos porém substituir os esforços que temos vindo a realizar na formação pela convocatória sistemática destes jogadores para as selecções. Para o efeito, deve sempre prevalecer um sistema de escolhas assente na meritocracia.

6 perguntas a Sebastião Villax

Créditos: Rugby Photos by Luis Cabelo – agradecemos ao autor a sua gentileza para com a comunidade do Rugby na disponibilização destas imagens.

Na recta final de mais uma edição da nossa Divisão de Honra de Rugby, fomos ao encontro de Sebastião Villax, o 3ª linha do CDUL. Nas vésperas de mais uma final importante para a carreira do nosso “Lobo”, em 6 perguntas, abordámos vários assuntos, desde o percurso trilhado pelos universitários na presente temporada face às expectativas depositadas pelos seus jogadores na fase inicial desta, até ao actual momento que vive a nossa Selecção.

Do discurso do jogador temos que salientar, obviamente, a sua humildade perante os feitos alcançados quer individual quer colectivamente e seu optimismo em relação ao futuro. O mesmo frisou que o ambiente que se vive actualmente na selecção é de exigência máxima. Quando são os jogadores que colocam diariamente a si mesmos a exigência de serem melhores e de superarem os feitos alcançados pelos seus antecessores, podemos esperar bons resultados!

MCD: Quais eram as verdadeiras expectativas depositadas pelo plantel no início da temporada?

SV: A equipa do ano passado não mudou assim tanto. Continuámos com a mesma estrutura de equipa. Mesmo não tendo um início de época perfeito (pré-época sem o treinador ainda em Portugal) os objectivos mantiveram-se sempre ambiciosos; a final do Campeonato foi sempre a nossa visão.

Quais foram as maiores dificuldades que enfrentaram durante a temporada? As derrotas frente à ascendente geração da AAC e a derrota em Monsanto (9-10) na 14ª jornada deram-vos ainda mais força ou fizeram-vos crer que este ano poderiam não atingir a final da prova, até porque a Agronomia e o GDD fizeram um percurso quase exímio na sua fase regular?

Foi obviamente uma época atribulada. Mas a verdade é que todos esses episódios contribuíram para um grande empenho individual dos jogadores que se revelou muito importante para o colectivo. Podemos ter um olhar objectivo sobre a forma como estávamos a trabalhar e como devíamos progredir daí em diante. O percurso foi duro, mas o objectivo final nunca se dissipou das nossas mentes.

Vencer em Monsanto foi para muitos uma proeza épica. Eu acreditei porque creio, na minha humilde opinião, que o CDUL tem o melhor pack avançado do rugby nacional. A vitória sobre o Direito foi, como se diz na gíria, “um alívio sobre uma espinha que estava atravessada na vossa garanta” desde 2013?

Vencer uma grande equipa, ainda para mais um grande rival, é sempre gratificante. Fizemos o nosso trabalho de casa, e a custo de muito trabalho vencemos a meia final. Ficar com “espinhas” em nada ajuda pois os adversários evoluem duma maneira ou de outra de ano para ano, por isso de nada serve focarmos-nos no passado, pois esse, não vence jogos!

Falemos sobre os dias que antecedem uma final. Como é que um jogador se prepara mentalmente para um jogo tão importante como o que se vai disputar no próximo sábado?

Da mesma maneira como se tem de preparar para todos os outros jogos: concentrando e mantendo as boas rotinas. Não vou esconder que possa haver uma pressão diferente, mas é um tipo de pressão que gosto de pensar que todos os jogadores gostariam de ter. Estar numa final, estar a competir com os melhores, querer ser o melhor. Tento abraçar ao máximo essa pressão!

A meio desta breve entrevista houve uma pausa para fazer um PEQUENO interlúdio sobre aquela portentosa exibição do 3ª linha em Bucareste na sua primeira selecção com a camisola dos Lobos. Nesse jogo, Sebastião Villax exibiu-se a um nível altíssimo com 28 placagens realizadas em 33 tentativas.

Pressão… O elemento determinante que define em muitos casos o sucesso do erro. A tua estreia na selecção foi curiosamente debaixo de um grau de pressão enorme, na Roménia. Nesse jogo que marcou a tua primeira selecção, fizeste uma exibição fantástica com 20 e tal (corrige-me o numero exacto) placagens. A tua experiência internacional ajudou-te a lidar melhor com a pressão dos grandes momentos?

Acho que em grandes momentos tenho a sorte do entusiasmo perante o desafio se sobrepor em grande escala à pressão do peso do mesmo. Acredito que nós devemos focar nas pequenas coisas, executar bem aquilo que sabemos fazer bem, e aproveitar ao máximo cada oportunidade por mais insignificante que possa parecer. Tento ao máximo reger-me por estes princípios não só nos grandes momentos, mas em todos.

Vem aí um importante desafio contra a Bélgica no dia 20. Poderemos ter uma oportunidade para dar novamente o salto para o patamar em que o rugby português precisa de estar. Apesar de termos neste momento que pensar jogo a jogo, acreditas que é possível a qualificação para o próximo mundial?

Apesar de ser obviamente um objectivo ambicioso, penso que o ambiente que se vive na Selecção é de puro dinamismo focado na melhoria. Queremos ser melhores , queremos deixar de viver dos grandes Lobos do passado fazendo lhes a grande homenagem de sermos a nova referência. Temos ainda jogadores dessa altura que penso que querem ao máximo deixar a camisola em melhor estado do que a encontraram, e tentamos ao máximo seguir esse exemplo. Temos de ser duros e realistas connosco próprios, mas também não aceitar nada a baixo do melhor. Só assim somos dignos de ambicionar tal objectivo .

U18 Open Championship: França 47-0 Portugal

Créditos da imagem: Rugby Europe

Nas meias-finais do Open Championship de sub-18, a nossa selecção caiu contra a selecção da casa, a actual campeã europeia, por 47-0. Já se sabia à priori que os nossos meninos teriam poucas possibilidades de ganhar o jogo contra a selecção da casa e seguir para a final da prova. A realidade equidistante do nosso rugby face ao poderio do rugby daquele país (metodológica, técnica, tecnológica) e o intervalo de qualidade entre os jogadoreses franceses e os jogadores portugueses levam-me a defender que são estes os jogos que os jovens jogadores lusitanos precisam de realizar pelo menos uma vez por ano para poderem evoluir e diminuir assim as assimetrias existentes no rugby europeu. São este tipo de jogos (e de competições) que dão estaleca aos jogadores portugueses e que preparam o nosso futuro. Só podemos ganhar pontos de experiência quando os nossos atletas jogam contra estilos de jogo mais evoluídos, disputados a uma velocidade de execução superior, contra atletas que são muito evoluídos no plano físico, no plano técnico, no plano posicional\táctico e no plano estratégico e quando jogamos partidas que requerem um altíssimo espírito de superação das dificuldades que são causadas pelo adversário.

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Dentro de meia hora


A selecção nacional de rugby do escalão de sub-18 tem um duro teste contra a sua congénere francesa, num jogo a contar para o Torneio Europeu Aberto do escalão. Depois de terem vencido os Estados Unidos por 26-5 nos quartos-de-final, este será para muitos dos atletas o seu primeiro grande teste internacional de exigência máxima. A França é a actual campeã europeia em título. Veremos como se comporta o XXIII orientado pelo génio Rui Carvoeira, o Homem da Formação em Portugal.

O jogo pode ser visto em directo aqui, no site da Rugby Europe.