O dramático pontapé que deu a passagem às meias finais aos Lions

Faltavam 2 minutos e meio para terminar os 80 regulares quando todo o trabalho (e que brilhante trabalho!) de uma temporada caiu que nem um trovão sobre a cabeça do formidável ponta Springbook Ruan Combrinck. Com a bola devidamente inserida no tee numa posição do terreno algo desfavorável (a 58 metros dos postes, ligeiramente descaída para o flanco direito) ao número 14 do franchise que representa a região de Northern Cape (ainda estou habituado como o caraças ao termo selecção provincial), jogador essencial na mecânica de Johan Ackermann, treinador que irá mudar-se no final deste Super Rugby para Inglaterra, país onde irá treinador o histórico Gloucester, cabia a responsabilidade de, literalmente, matar (os tubarões) ou morrer! Combrinck não acusou a pressão do momento. A pressão. A terrível pressão!

Se em condições absolutamente normais, numa sessão de pratica, os postes parecem tão pequeninos no horizonte quando nos concentramos para enviar o bilhete, imaginem a dose adicional de pressão que um jogador não recebe naquele momento quando sabe que aquele pontapé é literalmente o momento do tudo ou nada para um conjunto de jogadores que trabalhou incansavelmente durante meses para a prossecução de um objectivo comum: chegar às finais da prova para vingar a derrota sofrida no ano passado frente aos Hurricanes de Vince Aso, Ngani Laumape, dos irmãos Barrett, dos irmãos Savea, de Cory Jane, de Nehe Milner-Skudder e sobretudo, do “agora regressado” Dane Coles.  Continuar a ler “O dramático pontapé que deu a passagem às meias finais aos Lions”

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Os Lions mostram a sua declaração de interesses

Ao longo das últimas semanas foram várias as menções por mim realizadas acerca da brilhante campanha que está a ser feita pelos Crusaders na edição deste ano do Super Rugby. Tenho vindo a dar mais atenção às equipas da conferência neozelandesa, em virtude dos espectáculos de gosto mais apurado que tem sido dados pelas suas selecções provinciais, em detrimento de pouca ou nenhuma observação que tenho dado às equipas australianas pelo rudimentar rugby que se tem visto (no país dos Wallabies, ninguém está efectivamente contente nem com os resultados nem com o nível do rugby praticado; a acrescentar aos maus resultados, nos últimos tempos, é indisfarçável o nervosismo que se vai sentindo nas selecções provinciais que podem ser cortadas da lista do Super Rugby, em especial nos “recém criados” Rebels; a malta da Sanzaar pensa que o investimento que foi feito pelos proprietários da formação do Estado de Victoria se paga com batatase às sul-africanas, por pura falta de tempo. Continuar a ler “Os Lions mostram a sua declaração de interesses”

12 em 12 para os Crusaders

Twelve and couting! Fantástico duelo de aberturas (Aaron Cruder dos Chiefs vs Richard Mo´unga dos Crusaders) no qual o 10 da formação de Christchurch teve um superior ascendente em função da maravilhosa penetração interior (seguida por um fantástico passe a descobrir a ponta) que viria a carimbar mais uma vitória para os Crusaders.

Nas últimas semanas pudemos verificar que a equipa de Scott Robertson (aqui, aqui e aqui) não só está a conseguir fazer jus às expectativas depositadas pelos analistas no início da temporada como irá vencer a fase regular da competição.  Continuar a ler “12 em 12 para os Crusaders”

Uma vitória muito importante para os Crusaders

11 em 11! A moral continua em alta em Christchurch: os Canterbury Crusaders continuam invictos na competição, provando mais uma vez, frente à franquia campeã em título, o seu estatuto de equipa surpresa da temporada. Os 4 pontos somados permitiram aos Crusaders manter a primeira posição na conferência neozelandesa, ultrapassando uma dura batalha que garante à equipa a franca possibilidade de vir a ganhar a fase regular da respectiva conferência e até da prova.

Numa autêntica batalha no breakdown, o jogo foi decidido nos pequenos detalhes no jogo de avançados. Mais fortes neste momento da temporada, os avançados da formação comandada por Scott Robertson conquistaram mais faltas no meio-campo adversário (5 contra 4; contando com a eficácia do seu abertura Richie Mo´unga nas 5 penalidades convertidas em 5 tentativas face à eficácia de 100% do seu homólogo de posição Beauden Barrett nas 4 tentativas que dispôs ao longo dos 80 minutos) fizeram mais carries over the gain line (52 contra 35), obrigaram o adversário a placar mais (sem contudo permitir um número significativo de turnovers; 9 ganhos pelos Hurricanes contra 7 ganhos pelos Crusaders) e foram bem sucedidos nas acções de maul dinâmico, alcançando o seu ensaio precisamente numa acção conduzida pelo seu flanqueador Matt Todd.

Damien McKenzie cresceu e está a tornar-se um caso sério

Há 3 semanas atrás, já tinha feito uma menção neste blog ao fullback dos Chiefs no jogo contra os Stormers. 3 semanas depois, tendo acompanhado os jogos da equipa da província de Waikato desde esse preciso momento, considero-me rendido ao talento do 15 dos Chiefs. Mais uma prova foi a sua espantosa exibição frente aos nipónicos Sunwolves, partida na qual o defesa foi novamente determinante na mecânica ofensiva da turma neozelandesa, constituindo-se como o elemento que cria grande parte dos desequilíbrios ofensivos da equipa.

No início deste super rugby considerei sempre os Chiefs como uma das equipas capazes de assumir a linha da frente no lote de favoritos à conquista da prova conjuntamente com Hurricanes, Lions, Stormers e Waratahs. Se os australianos foram os únicos que me desiludiram, os Chiefs tem-me dado certezas. A chegada à maturidade de grande parte das suas peças essenciais (casos de Brodie Retallick, Sam Cane, James Lowe, Aaron Cruden, Dominic Bird) combinada com a experiência acumulada nos últimos anos de jogadores como Liam Messam ou Stephen Donald, e misturada com a irreverência de jovens como McKenzie, o centro Anton Lienert-Brown, Sam McNicol, Mitch Karpik e Shaun Stevenson só poderia consumar-se numa equipa devidamente equilibrada num misto de juventude, maturidade e equilíbrio provido pela experiência dos mais velhos. O resultado está a ser óptimo. Os Chiefs comandam uma conferência que à priori seria comandada pelos campeões em título (Hurricanes) e arriscam mesmo a vencê-la se ultrapassarem com distinção os seus próximos compromissos frente a Reds, Blues, Crusaders e Waratahs, mesmo apesar do facto de ainda terem que defrontar os Hurricanes na 16ª e penúltima jornada da prova.

Mais um belo exemplo de arbitragem no Rugby

O jogo entre Sharks e Rebels foi uma verdadeira trabalheira para a equipa de arbitragem chefiada pelo árbitro sul africano Marius van der Westhuizen.

Num jogo muito equilibrado e muito batalhado no qual as duas equipas abusaram do recurso à falta para impedir que o adversário pudesse criar situações de finalização ou para tentar beneficiar (em pontos) de situações irregulares, em quase todos os lances, o árbitro sul-africano conseguiu estar em cima do acontecimento (está claro que em determinados lances precisou sempre da preciosa ajuda do videoárbitro) e conseguiu decidir correctamente no capítulo disciplinar. Pouco interessou a van der Westhuizen se o jogo estava a ser feio, ou se a expulsão do centro dos sharks Andre Esterhuizen por conduta ilegal (com o jogo interrompido, o que ainda é mais grave) ia condicionar a espectacularidade do jogo a partir daquele momento – as regras do jogo são para se cumprir e os árbitros estão lá para isso mesmo, para salvaguardar a transparência, o cumprimento das regras e a verdade desportiva.

Sem ser protagonista, porque os verdadeiros protagonistas (pela negativa) foram os jogadores, a exibição do sul-africano foi uma das melhores senão a melhor exibição da arbitragem nesta edição do Super Rugby.

Rugby elevado ao expoente – Hurricanes vs Brumbies

Hurricanes e Brumbies proporcionaram mais uma grande espectáculo de Super Rugby. Como tal, deixo aqui a hiperligação para a visualização da partida na íntegra.

Apesar do avolumado resultado obtido pela turma neozelandesa no final da partida (os avançados da selecção provincial de Camberra pagaram bem caro o atrevimento demonstrado no primeiro tempo), a primeira parte da partida entre neozelandeses e australianos é de uma qualidade de jogo fenomenal, principalmente por parte da turma australiana. Destaco 3 momentos na partida:

1. O brutal cruzamento do abertura all-black Beauden Barrett para o “furão” centro Vince Aso (3 ensaios) no primeiro ensaio da equipa da casa. O desequilíbrio criado pelo abertura no cruzamento é genial e pode-se considerar meio ensaio pela forma inteligente em como o abertura all-black pensou e executou a acção. Ao fixar 3 defesas na sua acção, o abertura liberta o espaço necessário para o centro conseguir com a sua aceleração rasgar por completo a primeira linha defensiva da equipa australiana.

2. A excelência do jogo ao pé de Barrett, comprovando mais uma vez que neste momento é o melhor abertura do planeta. No ensaio de Cory Jane (a jogar a ponta), o kick realizado pelo abertura é de uma elegância e de uma precisão ímpar para uma hábil recepção de Jane, só ao alcance dos melhores.

3. A fantástica iniciativa colectiva que culminou no 3º ensaio dos australianos na partida, ensaio finalizado pelo médio de formação Joe Powell. Considero simplesmente adorável ver aquele rugby de progressão apoiado, de mão para mão, no qual todos os jogadores envolvidos tem uma noção fantástica do timing em que devem libertar a oval para os apoios disponíveis de maneira a poderem escapar aos placadores. Neste ensaio, os australianos surpreenderam a equipa da casa com uma estratégia que tem feito escola no Rugby neozelandês nos últimos anos.