Rir para não chorar – o castigo imposto a Samaris

Poucos minutos passaram desde o garrote aplicado sobre a garganta de João Carlos Teixeira, acção que passou em claro (por vários motivos; o grego travou uma acção de contra-ataque; trata-se de uma agressão evidente sobre o adversário)

samaris

fonte da notícia: mais futebol 

O reincidente Samaris conseguiu ser punido com menos jogos do que aqueles com que já tinha sido punido em virtude daquela lamentável e antidesportiva agressão a Diego Ivo, jogador do Moreirense. Incongruência das incongruências nos regulamentos, a tipologia do acto processual inviabilizou totalmente a aplicação de um castigo superior ao inicialmente aplicado a um reincidente, apesar de igual poder ser o número de jogos máximos a aplicar. É a primeira vez que um reincidente neste tipo de actos é suspenso por um número de jogos inferior ao do primeiro castigo aplicado.

Por outro lado, Bruno Esteves proporcionou-nos um belo momento de humor. Uma verdadeira risota na qual se aplica a velha antítese “rir para não chorar”. O árbitro não teve noção total do desentendimento” mas deliberou prontamente a aplicação de sanção de cartão amarelo para os jogadores envolvidos no lance” – ou seja, se aplicou prontamente uma sanção disciplinar, é omesmo que dizer, que viu quem foram os jogadores envolvidos (se viu, só teria que agir em conformidade, admoestando os prevaricadores no lance: Jardel e Paulinho com um cartão amarelo e Samaris, com o cartão vermelho; creio que Jardel não foi sequer admoestado pelo árbitro da partida); por outro lado, o árbitro não teve “noção total da dimensão desse gesto em particular” (como também de resto fingiu não ver a agressão anterior perpetrada pelo grego sobre João Carlos Teixeira poucos minutos antes).

Ora bem, meu caro Bruno Esteves: por norma quando uma pessoa ataca a garganta de outrem não visa fazer-lhe, como se diz na gíria, fosquinhas, mas sim, essencialmente provocar-lhe (com dolo) um dano à integridade física punível pela lei. A dimensão desse gesto é precisamente essa: provocar um dano à integridade física do adversário. Parece-me portanto bastante nítida uma incongruência no discurso do árbitro: ou se vê totalmente a acção e se aplica a devida justiça ou então, quando não se tem a certeza, não se aplica nada porque não se tem a certeza. Se o árbitro (ou qualquer elemento da sua equipa) conseguiram descortinar os intervenientes é porque viram o desenrolar da acção e o respectivo contexto que ditou o decurso da acção. Caso contrário, nada tinham assinalado. O resultado da acção do árbitro foi claro: amarelo para não ter que expulsar. Como refere e bem o Mister do Café no seu último post, estamos perante uma era de cegueira temporária. 

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Empate merecido num jogo de teste em que Jorge Jesus ganhou algumas opções

ristovski

De todas as alternativas ao plano principal que Jorge Jesus fez subir ao tapete de Alvalade os únicos que me convenceram verdadeiramente foram Ristovski, Petrovic e André Pinto. Jonathan fez um jogo interessante, sem muitas falhas. Já Iuri e Matheus Oliveira destacaram-se pela negativa. Ao brasileiro, Jorge Jesus passou até um atestado de incompetência para a sua posição quando o passou para o flanco esquerdo a meio da primeira parte, colocando Bruno César no miolo. O macedónio provou mesmo que está disponível para lutar pela titularidade com Piccini ao longo da temporada. Veloz na condução (imprimindo velocidade ao jogo sempre que é chamado a participar) e nos momentos de recuperação defensiva, o combativo macedónio é dono de um óptimo posicionamento (foram várias as bolas que interceptou ao longo do jogo), é bastante raçudo na abordagem às acções 1×1 do adversário e nas divididas, projecta-se bem no terreno (dando profundidade ao jogo) e arrisca o 1×1 sempre que pode. 

O jogo de estreia na Taça da Liga serviu para Jorge Jesus rodar jogadores. Sem pressão (creio que Jesus terá dado de barato o resultado ao adversário em detrimento do crescimento do colectivo; do conjunto de soluções de banco que podem dar uma resposta imediata em caso de impedimento de qualquer um dos titulares) o treinador do Sporting aproveitou a ocasião para dar minutos aos jogadores menos utilizados com o intuito expresso de perceber se estes tem entrega suficiente para merecer a sua confiança num futuro próximo e se conseguem entrar nas dinâmicas exigidas pelo seu modelo de jogo. Se alguns jogadores responderam afirmativamente à chamada, aproveitando a oportunidade para dar novas opções ao seu treinador, outros não. Matheus é, como já pude referir no início do post, uma carta cada vez mais fora do baralho. O brasileiro não tem nada de Sporting: não tem intensidade, não é rápido a pensar e a executar, não é eficaz no passe, não pressiona. Nada. Depois do que vi da exibição do jogador, se fosse presidente do Sporting, mandava a factura dos ordenados e das comissões de transferência do jogador para o Bebeto pagar ou então pedia-lhe encarecidamente, em troca de uma compensação financeira, a sua presença em Alcochete para ensinar o filho a jogar e para ensinar ao Doumbia os movimentos que um avançado deve fazer na área para facilitar a vida de quem está nas linhas a cruzar.

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