Bons apontamentos deixados pelo Portimonense de Vítor Oliveira no Estádio do Dragão

Costumo dizer em tom de brincadeira (não quero que subentendam este termo pelo seu sentido pejorativo mas sim pelo seu sentido panegírico) que Vítor Oliveira é uma das verdadeiras “mulas do futebol português” pela competência que tem demonstrado na operacionalização do seu modelo de jogo e no desenvolvimento de jogadores que  em função do estatuto alcançado junto das direcções dos clubes que orienta por força dos bons resultadospela sabedoria e conhecimento profundo sobre o jogo que ostenta e carrega para os clubes que o contratam e pela gestão exímia da sua carreira nos últimos 10 anos, retirando-se estrategicamente para a 2ª Liga, não porque não lhe tenham, na última década, chovido convites de clubes de 1ª porque efectivamente choveram como o técnico veio a confirmar há uns meses nas entrevistas que concedeu a vários órgãos de comunicação social, mas porque o técnico viu no estandardizado futebol de chutão para a frente e de batalha praticado naquele escalão, uma porta de sucesso para a afirmação do seu antagónico modelo de jogo e para a sua própria afirmação profissional depois de anos em que o seu trabalho na 1ª Liga não foi amplamente reconhecido; as primeiras subidas alcançadas em Arouca e Moreira de Cónegos tornaram-no uma referência para todos os clubes que quisessem investir para subir de divisão; a partir das primeiras subidas e da relação de confiança e fiabilidade estabelecida no universo da 2ª liga, ao treinador foi concedida a rara oportunidade de optar em cada defeso pela assumpção dos projectos “mais qualificados e mais endinheirados” e não pelas soluções de recurso que lhe foram apresentadas.

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O pré-Gelson e o pré-Bruno, o pós-Gelson e o pós-Bruno.

bruno fernandes 4

Houve um jogo antes da entrada de Gelson (um futebol completamente amorfo, acabrunhado, sem ligação entre sectores) e um jogo ligeiramente diferente após a entrada na partida de Gelson, pesem no entanto as dificuldades sentidas até à entrada de Bruno Fernandes aos 59″, pela dupla de centrais e de médios (Battaglia e Petrovic no capítulo da saída de jogo e da primeira fase de construção, dificuldades essas que naturalmente foram agudizadas pela disposição compacta e pela agressividade demonstrada no capítulo da pressão (montada à entrada do meio-campo) pelos jogadores da formação minhota (há que dar mérito à organização defensiva exemplar demonstrada pelos comandados de Dito), pela inserção forçada de Bruno César nos flancos face à ausência de Acuña (esperemos que Ruiz venha com vontade para colmatar essa lacuna de plantel), pela falta de velocidade, de mobilidade de algumas unidades (não se desmarcando convenientemente para abrir linhas de passe), de paciência na circulação e até de inteligência por parte de Petrovic, dificuldades que por outro lado foram amenizadas com as constantes (e habituais) entradas do extremo em zonas interiores para vir buscar jogo atrás, de forma a auxiliar a ligação do jogo entre sectores, em especial a ligação e a parceria com Daniel Podence.

Jorge Jesus continua na sua onda experimental, naquela onda experimental que só traz desgraças aos clubes que vai orientando. Casar no meio-campo um médio de cariz mais defensivo (Petrovic) que sente efectivamente muitas dificuldades para discernir o que é que deve fazer com a bola em cada lance concreto (se deve passar, se deve arriscar um passe para um jogador entre linhas, se deve procurar os laterais, se deve progredir com a bola para o espaço livre que lhe é oferecido pelo adversário para atrair jogadores para libertar outros espaços para jogar nos corredores; chegou a existir ali um período em que os jogadores famalicenses ignoraram-no por completo, deixando de pressionar o sérvio, quando Dito apercebeu-se  da natureza inofensiva de Petrovic ou seja, da sua evidente incapacidade em gerar progressão à equipa através do transporte de bola) com outro, Rodrigo Battaglia, que, embora tendo registado melhorias neste aspecto desde que entrou pela Porta 10A, continua a ter muitas dificuldades no capítulo do passe e na partida de hoje decidiu, para cúmulo das dificuldades criadas pelo adversário, assumir menos o esférico no momento de construção para realizar movimentações completamente distintos que lhe são habituais (procurando entrar muitas vezes entre linhas ou até mesmo nas costas da defesa contrária), foi uma decisão de génio. Na minha opinião, Bruno Fernandes deveria ter entrado de início para resolver este jogo cedo, fazendo-o descansar quando o jogo (e o próprio adversário) estivesse totalmente dominado.

Nos primeiros 20 minutos assistimos a um Sporting com muitas dificuldades para construir. Frente a uma equipa que se organizou num bloco compacto bastante bem organizado, e bastante producente, com uma 1ª linha de pressão efectiva à entrada do meio-campo e um sistema de coberturas muito bem montado no qual todos os jogadores demonstraram o mínimo de intensidade e agressividade nas disputas, era preciso abordar esta partida de outra forma completamente diferente. O que vimos foi uma mão cheia de jogadores verdadeiramente impacientes na saída de jogo, de processos lentos, tentando despachar o jogo rapidamente para as costas da linha média famalicense, ao invés de tentar circular pacientemente e em velocidade entre flancos e\ou de ter um jogador capaz de romper coma bola pelo centro para obrigar a estrutura defensiva famalicense a dançar, ou seja, a ter que deslocar mais unidades para o miolo quando um jogador entrasse com o esférico em condução pelo meio (atraindo jogadores para abrir naturalmente espaços para jogar nas alas; o que até poderia resultar numa 2ª fase na entrada da bola no jogo interior em Podence ou em Dost) ou a ser atraída para um flanco para rapidamente se executar uma variação para o outro de forma a criar espaço para os jogadores da ala esquerda progredir.

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Os sinais positivos e negativos da exibição do Sporting em Oleiros

Da exibição de Oleiros, destaco como positivas 3 exibições individuais:

A de Daniel Podence  – Em Oleiros, o segundo avançado começou a ganhar forma, podendo-se dizer que está finalmente pronto para se constituir como alternativa a Bruno Fernandes ou até mesmo para abraçar a titularidade quando o médio for obrigado a recuar no terreno devido a qualquer impedimento que não permita a Jorge Jesus utilizar William ou Battaglia. Em forma ou fora de forma, não tenham dúvidas que Podence é, em todas as dimensões do jogo (técnica, física, táctica, psico-cognitiva) um grande craque. Continuar a ler “Os sinais positivos e negativos da exibição do Sporting em Oleiros”

Falamos de um guarda-redes de 51 milhões ou de 51 tostões?

Acredito piamente que para se vender um guardião por 51,6 milhões de euros, mais 2 do que o valor pago pelo Bayern há uns anos pelo melhor guarda-redes da actualidade, Manuel Neuer, e menos 1,4 milhões que o melhor guardião da História do Futebol, é preciso, em primeiro lugar, a presença na negociata um super negociador como Jorge Mendes. Dar o corpo ao manifesto (as chamadas defesas de instinto; providas de muita fé e de alguma rapidez na leitura da jogada e no tempo de reacção mas muito escassas ao nível de verdadeira técnica de guarda-redes quando analisamos ao nível de agilidade e flexibilidade; Não é que a técnica seja algo muito importante num remate à queima roupa, porque nesse tipo de remates, o mais importante é efectivamente conseguir anular um golo, mas a sua existência ajuda por vezes a distinguir um guarda-redes mediano, aquele que dá o corpo, de um guardião ágil a erguer-se aos pés do rematador) e realizar uns chutões largos lá para a frente são “duas características” que ainda não vendem guarda-redes por 51,6 milhões de euros. Os guarda-redes podem efectivamente ajudar a fazer a diferença (ofensiva) com um ou dois pontapés longos para a frente, mas convenhamos que neste momento, a sua função no futebol ainda não é, por enquanto “viver para as assistências”, apesar de já termos visto alguns exemplos históricos de keepers que batiam prodigiosamente as bolas paradas.

Olhe-se o golo do Vitória. O guardião viu a falha de marcação do central. Para além da falha de comunicação para com o defesa (um grande guarda-redes tem de ser em primeiro lugar um excelente comunicador) e de ter sido lento a fazer a leitura da situação em causa, Ederson também falhou redondamente em dois itens técnicos naquele lance: não foi ao esférico com determinação e coragem. Qualquer guarda-redes que valha 51 milhões tem que demonstrar determinação e coragem na abordagem ao lance, saindo imediatamente com todo o vigor possível com os punhos à frente. A pequena área protege a sua acção e tem de ser, em qualquer situação de bola parada, sua. O que vimos foi uma péssima abordagem do guardião encarnado ao lance, ficando completamente nas covas.

Desculpem lá meus amigos, mas um guarda-redes com este tipo de falhas, demonstra num só lance a razão que me leva a defender que não vale os 51,6 milhões. Nem 20.

Futsal: Benfica 3-3 Sporting – Um derby escaldante que terminou da pior forma

No multiusos de Gondomar, completamente cheio (2500 espectadores) Benfica e Sporting deram um autêntico show de futsal na primeira meia-final da edição 2016\2017 da Taça de Portugal. No derby dos derbys, as duas maiores potências portuguesas da modalidade cozinharam um derby intenso, com muita qualidade técnica e táctica de parte-a-parte, disputado até à medula, repleto de bons golos, de várias oportunidades de golo para ambos os lados e acima de tudo muita imprevisibilidade e emoção até ao final. Prova disso foi o golo do empate alcançado (3-3) por Alex Merlim a 6 segundos no final quando o Sporting já apostava desde os 4″ na utilização do italo-brasileiro como guarda-redes avançado. Na lotaria das grandes penalidades, o Benfica foi mais feliz!

Não fosse o facto do jogador ter sido manchado por pequenas quezílias entre vários jogadores dentro e fora da quadra, chegando a existir agressões entre atletas e dirigentes (Wilhelm e Eddy Varela foram expulsos da partida por agressão; no final da partida, o mesmo Varela esteve na origem, juntamente com Gonçalo Alves de uma escaramuça que envolveu jogadores e dirigentes das duas equipas; facto que obviamente lamentamos) esta meia final poderia ter proporcionado um daqueles cartões de vista que faz crescer a modalidade ao nível de praticantes. Os intervenientes acabaram por manchar o formidável jogo que praticaram dentro das 4 linhas, devendo ser, na minha opinião, severamente castigados pelo Conselho de Disciplina da secção de futsal da FPF.  Continuar a ler “Futsal: Benfica 3-3 Sporting – Um derby escaldante que terminou da pior forma”

Que grande jogo de Taça!

Emoção até ao final num jogo que teve direito a todos os ingredientes: bom futebol, transições rápidas, falhas defensivas, dois golaços, falhas dos dois guarda-redes (Júlio César é claramente mal batido no lance do 2º golo do Estoril; Luis Ribeiro fica muito mal na fotografia do 1º golo do Benfica), grandes defesas por parte de ambos noutros lances, bolas nos postes e muita ambição por parte do Estoril para dar a volta ao resultado mesmo até quando Jonas parecia ter sentenciado a eliminatória que acabou curiosamente por ser decidida com um golo irregular de Kostas Mitroglou na Amoreira na 1ª mão.

Não vou estar aqui a esmiuçar o jogo porque confesso que não vi com os “olhos” com que usualmente costumo ver tudo o que aqui vou relatando. Deixo apenas uma nota final direitinha para a equipa do Estoril: pelo que voltei a ver de vários jogadores (cito: a dureza de Dankler, factor que é sempre positivo num central quando essa dureza acontece num clima controlado; o critério, a velocidade e a inteligência que Matheus Indio põe nas transições, principalmente para o contrgolpe; a movimentação, a combatividade e a presença de Bruno Gomes; o posicionamento exemplar e a capacidade de pressão de Diogo Amado) se este Estoril tivesse começado bem a temporada com um treinador como o que actualmente ocupa o cargo (Pedro Emanuel), com a belíssima equipa que possui, estaria provavelmente hoje a lutar pelo acesso aos lugares europeus.