Até onde irá a imoralidade no futebol?

No final de cada mês o ciclo repete-se. O termo calão utilizado ao ver o recibo de vencimento é o mesmo. Os sonhos são cada vez mais limitados porque a corda está esticada até ao limite. A cada dia 27, um mar de dúvidas. Para muitos, o mar de dúvidas começa imediatamente a 10 ou a 15 de cada mês. Há 5\6 ou mais anos que o ciclo repete-se incessantemente, sem tréguas, sem um pouco de paz, sem existir sequer um pingo de esperança no futuro. Enquanto o “fiel depositante” da coisa pública tem de sobreviver com a mísera esmola que é paga pela sua força de trabalho e pela mais-valia que cria para outra(s) entidade(s), sem que por outro lado, possa ver qualquer melhoria significativa nos bens e serviços (pagos, segundo a lógica de contribuinte-utilizador-pagador) “oferecidos” (em teoria) pelo Estado, pela porta ao lado passam, totalmente incólumes, meia dúzia de pastas repletas de dinheiro relativas à transferência de um jogador de futebol.

Que raio de justiça social é esta? O mesmo aparelho burocrático centralizado e estupidificado que nos limpa mensalmente 400 euros à guise de um tal de “contrato social” que não assinámos e com qual, actualmente não concordamos (como foi o caso do valor que me foi subtraído no mês de Julho), que nos obriga a pagar taxas e taxinhas, selos e selinhos, impostos e impostozinhos (até sobre a água que eu bebo; o bem mais precioso da vida humana), que nos obriga a pagar um imposto quando queremos doar um bem a outra pessoa porque não nos faz falta, que nos cobra juros por cada dia de atraso no pagamento (quando o estado se atrasa num pagamento, da boca dos políticos ou dos mais altos responsáveis do aparelho coercivo de impostos só ouvimos desculpas) que é capaz de abocanhar sem piedade todas os presentes oferecidos no dia do nosso casamento, que nos obriga a pagar um imposto por cada cova na terra que abrimos para nos despedirmos dos nossos entes queridos, ignora por completo a ostentação do luxo. Sim, porque contratar um jogador de futebol por 222 milhões de euros deve ser considerado um acto luxuoso imoral se considerarmos as graves carências básicas pelas quais passam milhões de seres humanos!

O PSG ou qualquer outro clube deveria ser obrigado a pagar de imposto adicional sobre o valor desta obscenidade pornográfica, a taxa aplicável ao escalão mais alto do imposto sobre rendimentos de uma pessoa singular daquele país. Só assim poderá a “ditar sociedade” impor a justiça social que se pretende atingir.

Fiquei atónito

“Não nos podemos esquecer é onde a selecção nacional tem preferência jogar” 

“Honestamente não sei nem nunca “sube”. Sei que o Benfica tem sócios organizados. É a única coisa que eu sei, agora claques, nunca “sube” que o Benfica tem claques”

Acabou-se a internet por hoje. O dono da bola quis enganar-nos como se fossemos todos imensamente estúpidos. O analfabeto a quem apelidam de mestre da gestão em virtude do seu “profundo conhecimento” do mundo dos negócios e dos vários processos da negociação, cavalgadura de gente que mal sabe pronunciar determinadas palavras em língua portuguesa, imberbe que não constrói uma frase sem colocar uma inexistente palavra no seu caminho, que diz “ói quase” em vez “ou quase”, exerceu um esforço sincero para nos ludibriar como tivéssemos um O de “otaries” na testa e um P de “parves” desenhado na nossa camisola. Felizmente, nunca comi um gelado com a testa. A tomar pela narrativa apresentada pelo presidente do Benfica, se os jornalistas presentes (os corajosos; nos últimos anos, ninguém tem sido capaz de remexer, com minudência e com seriedade jornalística nas relações entre Vieira e o BES\BPN) lhe perguntassem se deve o capital que deve aos bancos entretanto nacionalizados com o produto do nosso suor, Vieira ainda seria capaz de responder que “jamais teve negócios com os bancos em questão”.

O homem das mil caras, agente que fala por intermédio de mil rostos, não pode porém escapar à era da Internet. Nos dias que correm é preciso ser muito burro para se dizer algo que possa ser facilmente contestado com recurso à imagem e\ou ao áudio. Repito: Muito burro.

Como é que o presidente do Benfica se vai safar desta? Existem ou não existem claques organizadas organizadas dentro do Benfica? A direcção encarnada apoia ou não apoia as claques organizadas? A direcção encarnada financia ou não financia as claques organizadas? Ou terá sido este um angustiante momento de esquizofrenia do seu treinador?

Incongruências

Adenda prévia para situar os leitores: eu não concordei com grande parte dos pontos do artigo de Nicolau Santos. O facto de não ter concordado com grande parte das ilações tomadas pelo sub-director do Expresso no seu mais recente artigo sobre o Sporting, não me dá o direito de o censurar, de o limitar ou de o encaminhar para a escrita da opinião que quero ler. A reflexão e o pensamento, desde que trilhado segundo uma lógica de racionalidade, é, indiferentemente da concordância ou não concordância em relação aos argumentos construídos e expressados, um exercício que deveria ser praticado por todos.

Nuno Saraiva não acrescentou nada à comunicação do Sporting desde o momento em que foi convidado pelo presidente para assumir tão espinhoso departamento do clube. Saraiva é, e esse facto veio a acentuar-se ainda mais quando o presidente decidiu abandonar as redes sociais, um veículo de transmissão do pensamento do presidente. Uma espécie de marionete que Bruno de Carvalho usa e abusa para poder emitir opinião sem ser queimado vivo em praça pública e sem ser sancionado nos órgãos competentes. A um assessor ou director de comunicação não se pede, por ofício, o mister de alinhar sistematicamente pelo diapasão do pensamento do presidente. Se todos os clubes funcionassem nos mesmos moldes em que funciona actualmente o Sporting, estou certo que não precisariam de pagar mais um salário a um agente: os presidentes assumiriam simplesmente a função. A um director de comunicação compete acima de tudo gerir os momentos de comunicação dos agentes do clube – quem fala, como fala, quando fala, com quem fala, com que tom de voz e com que argumentos ou justificações. O que vemos no Sporting é total inversão desse modus operandi: toda a gente fala (o presidente é o que mais fala, nos momentos mais despropositados com os argumentos mais despropositados e com tom mais despropositado em cada momento; prejudicando na maior parte das vezes o clube), o director de comunicação deixa que toda a gente fale à vontade, e em vez de colocar alguma água na fervura, também ele serve de veículo à produção de declarações.

Segundo Saraiva, “o presidente” (Saraiva jamais fala na primeira pessoa, limitando-se a dactilografar aquilo que o presidente lhe vai ditando) “jamais coloca em causa a legitimidade ou o direito à crítica” e “não persegue o pensamento divergente”, que deve ser apresentado e “produzido nos locais próprios”, ou seja, nas Assembleias Gerais do clube. O presidente, pessoa que tanto utiliza os direitos, liberdades e garantias plasmados na Constituição da República Portuguesa para salvaguardar o seu direito à liberdade de expressão e opinião, quer que todos os sócios e os adeptos não se possam expressar livremente da forma que mais lhes aprouver e sejam obrigados a produzir as suas críticas nos sítios onde habitualmente só vão aqueles que são apaniguados do regime. Sim. As Assembleias Gerais do Sporting são quase exclusivamente frequentadas por meia dúzia de apaniguados do regime ou por um bando de “reformados sonecas” que papam toda a informação que lhes é transmitida. Só assim se explicam por exemplo, as eleições de Dias da Cunha, Filipe Soares Franco, José Eduardo Bettencourt ou do diabólico Godinho Lopes.

Por outro lado, se o “pensamento divergente” não é perseguido, não vejo portanto a necessidade de “vir tantas vezes a terreiro” responder ao autor da divergência. Nem vejo qualquer necessidade de, no acto de resposta, tentar encaminhar o divergente para os locais ditos “adequados” para a produção de crítica. Há portanto aqui uma enorme incongruência. Se o presidente lidasse bem com a crítica, não teria de vir tantas vezes a público responder à crítica. Quando uma crítica é má, costuma-se dizer que os “cães ladram mas a caravana passa” – no Sporting, todos os “cães” são merecedores de uma resposta. A caravana não passa disso mesmo: refém de todos os “cães” que “publicam opinião sem o efeito de apoucar os dirigentes, treinadores e atletas”.

Da próxima vez, agradecemos que citem as fontes

No Sporting Especial de ontem, o nojento Carlos Dolbeth (por mais Sportinguista que seja não me revejo nem me identifico em pessoas que utilizam os argumentos ad-hominem e a brejeira, barata e cruel arma do insulto para tentar fazer vingar uma série de ideias toscas) decidiu começar a sua intervenção com uma proposta sui generis. Vejam os primeiros 6 minutos do vídeo e comparem o comentário de Dolbeth com o que aqui escrevi…

(…) 1 hora e meia antes do programa ir para o ar. Palavra por palavra. Fio por fio. Sem um simples obrigado, sem uma única menção ao autor material da ideia. A mesma atitude não aconteceu, mais à frente, quando o infeliz comentadeiro decide sair fora de um dos tópicos lançados pelo apresentador para encetar um breve momento de publicidade à obra do seu amigo Fernando Correia sobre os 5 violinos. O que é que me difere portanto de Fernando Correia? Ah, já sei. Segundo os Sportinguistas, profissionais como Fernando Correia e Carlos Dolbeth são fontes de informação especializadas sobre a matéria e sportinguistas dos 7 costados. O blogger João Branco é, segundo muitos, um mero treinador de bancada, um mentiroso, um criador de notícias (sim, uma grande percentagem da população portuguesa não sabe distinguir uma notícia de um comentário ou de um artigo de opinião) e um apaniguado do rival.

É bom saber que muita da opinião que aqui partilho é sistematicamente utilizada por uma data de pessoas que trabalham no clube. Também sei que o treinador do Sporting também me lê e concorda com muitos pontos de vista que vou escrevendo. É gratificante. Porém, peço encarecidamente para não utilizarem essa opinião à “má fila” como de sua se tratasse. É injusto para quem tem o trabalho de raciocinar e para quem, à custa dos outros, fica sempre bem na fotografia.

“Por favor, vendam-me”

Os mais recentes episódios protagonizados por Neymar enquadram-se nos moldes clássicos do birrento e insatisfeito jogador que pretende sair do clube. O dinheiro e a vontade de ser protagonista num cantinho só seu (admitamos: em Barcelona, o brasileiro só sairá da sombra de Lionel Messi quando o argentino mudar de ares; facto que jamais irá acontecer ou que acontecer, numa hipótese muito remota, se o argentino tiver, lá para os 35 ou 36 anos uma enorme e tentadora proposta da China, de um clube do Médio Oriente ou da MLS) sobrepõem-se claramente à lealdade para com a entidade que lhe paga o salário e por conseguinte para com todos aqueles que ajudam essa mesma entidade a arranjar fundos para lhe pagar o salário, e à honestidade que cada jogador deveria ter quando assina um contrato. Continuar a ler ““Por favor, vendam-me””

Bernard Tomic: um exemplo a não seguir no desporto profissional

A honesta e sincera entrevista concedida pelo tenista australiano à jornalista Melissa Doyle, apresentadora do carismático Sunday Night do canal de televisão australiano Channel 7 deixou-me por um lado completamente perplexo (como é que um atleta profissional com o potencial do tenista australiano chega a este profundo estado de depressão e de manifesta falta de prazer naquilo que faz?) mas, por outro lado,  respondeu a várias interrogações que bailavam na minha cabeça há uns anos sobre os efeitos negativos que o comportamento dos pais podem suscitar na “vida desportiva” dos filhos. O caso de Tomic apresenta algumas semelhanças com o caso vivido aqui bem perto de nós de Vanessa Fernandes. O quadro de factores que levaram a triatleta a desistir da alta competição em 2009 são muito semelhantes aos que estão a conduzir Bernard Tomic para um abismo mental que poderá ser irreversível. Continuar a ler “Bernard Tomic: um exemplo a não seguir no desporto profissional”

Um pornográfico momento de ignorância promovido por Rui Pedro Brazzadas

Fotografia de rosto do jogador errada (o jogador que aparece na imagem é Gustavo Bou, avançado que recentemente se transferiu do Racing Avellaneda para o Club Tijuan do México), o nome de Acuña está mal escrito (Marcos em vez de “Marcus) e tanto as estatísticas de carreira como as estatísticas da presente temporada mostradas estão erradas, como se pode ver aqui no zerozero.pt. 

Rui Pedro Brazzadas, pornográfico tudólogo do Mais Tabaco nesse Night, pai da escola que criou Andrés Venturas em série para os mais diversos canais de televisão; indivíduos que sempre que abrem a boca, brotam das dos mais profundos “tugúrios do seu cérebro” um conjunto de alarvidades de conhecimento rasteirinho, levianas, racistas, xenófobas e estéreis; Brazzadas, inventor do mundo da bola de Youtube (lá vê diariamente um conjunto de vídeos de 5 minutos com os enganosos amazing skills and career assists que só mostram o lado positivo do jogador, para ter noção daquilo que genericamente, pode falar, como de resto fazem 95% dos paineleiros televisivos que neste momento grassam nos programas de desinformação desportiva) acabou de cair na internet… porque confiou! Já se sabe que neste mundo, quem confia o seu destino e a sua credibilidade (no fundo, em abono da verdade, já era pouca ou nenhuma!) nas mãos erradas, acaba sempre naquela posição específica que levou à derrota na Alemanha na guerra.

O que me chateia é que existem milhares de pessoas neste mundo a comer toda a informação que estes tipos plantam, rejeitando toda a informação ou opinião (grande parte verdadeira, sincera, ou, na pior das hipóteses com um grande fundamento de verdade) que lhes são oferecidas de mão beijada, sem direito ao pagamento de uma subscrição, pelos bloggers. Pelas pessoas que, por prazer, sem ganhar nada em troca (muito pelo contrário; perdemos imenso tempo de vida que não voltaremos a recuperar para tentar cultivar a informação junto de uma sociedade cada vez mais desinformada) perdem 3\4 ou mais horas (diárias) da sua vida a pesquisar por informação, a ver vídeos atrás de vídeos, a estudar modalidades, a estudar comportamentos, a estudar perfis de jogadores, treinadores, dirigentes, a estudar ligações entre agentes e a formular\escrever feeds, informações ou opiniões.