A imagem do dia

Por um milímetro se ganha, por um milímetro se perde. Eis a nano distância que transformou o norueguês Alexander Kristoff  no novo campeão europeu de estrada (sucedendo a Peter Sagan) e que penalizou o enorme trabalho que foi desenvolvido pela selecção italiana para levar o seu sprinter Elia Viviani (Team Sky) à vitória na alucinante viagem que meia europa realizou no traçado desenhado pela UEC (Union Européene de Cyclisme) na fascinante região de Herning, Dinamarca.

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A imagem do dia

O belga Victor Campanaerts é novo campeão europeu de contra-relógio. Numa prova muita longa (46 km) que foi dificultada em vários pontos pelo vento que se fez sentir, o belga, ciclista que representa a Lotto-Jumbo NL conseguiu bater o principal favorito Maciej Bodnar (Polónia\Bora; ciclista que ainda recentemente venceu o segundo contra-relógio do Tour em Marselha) por 2 escassos segundos. Com uma postura corporal exímia, o belga fez os 46 km literalmente a fundo com uma média horária de 51,880 km\h. Tanto Campanaerts como Bodnar ultrapassaram a barreira dos 50,5 km\h da previsão mais optimista que foi feita pela organização.

Tiago Machado fez um resultado muito interessante (11º a 1.57m) que poderia ter sido bastante melhor se o vento tivesse dado tréguas na parte final. Com condições atmosféricas menos adversas, o “Homem do Bigode” poderia ter realizado facilmente um lugar nos 6 primeiros. Se Nelson Oliveira tivesse vindo ao contra-relógio, tenho a certeza que teria condições para lutar por um dos lugares no pódio. Rafael Reis fez um honroso 24º lugar numa prova onde as forças lhe faltaram a meio do percurso. Pouco habituado a cronos longos, o ciclista da Caja Rural veio a Herning ganhar um precioso ponto de experiência para o futuro. Para o ano estou certo que o atleta voltará mais forte e mais ciente dos erros que não deve cometer para poder finalizar a prova dentro dos 20 primeiros.

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O Tiago Machado terminou mais uma volta. E terminou-a com um sorriso estampado na cara, com um bruto de um bigodaço à Portugais, e com mais uma dose do seu insuperável e incansável esforço na frente do pelotão em prol de Alexander Kristoff. Como já tive oportunidade de escrever aqui, ao longo da prova, na sua página de facebook, o Tiago teve que lidar com o profundo desconhecimento e por vezes com o mau fígado daqueles profundos e severos ignorantes que acham que percebem muito de ciclismo. De ciclismo de sofá. De ciclismo de ocasião, durante o mês de Julho. Daqueles que invariavelmente usam o mês de Julho para ver algo diferente daquilo (bola) que a estação não oferece em abundância.

Esses neandertais da vida portuguesa, tipos que raramente saem do sofá para fazer o quer que seja (até o seu próprio jantar) julgam-se os verdadeiros catedráticos da coisa. Como se julgam os verdadeiros catedráticos da coisa (not) mas não sabem o que é montar um selim desde o estrondoso ano de 1997 em que o pai lhes ofereceu no Natal uma órbita com 21 velocidades shimano e uns travões “do melhor que havia” (para vender em qualquer Continente!) crêem que têm o direito de insultar toda a gente. Em diversos posts diários que o Tiago foi lançando (o ciclista teve até o bom senso e a sobriedade de explicar pormenores internos da equipa que não deveria explicar em público para tentar ajudar os “cansados” que se amontoaram a insultar o seu prodigioso rendimento) dezenas foram aqueles que o chegaram a aconselhar a dedicar-se à pesca, em virtude do facto do Tiago estar naturalmente, como estão centenas de talentos do pelotão nacional, obrigado a seguir uma hierarquia dentro da equipa bem como os objectivos diariamente estabelecidos pelos responsáveis da equipa para as etapas.

O destino é infelizmente, para muitos, uma puta do caralho! Do insucesso que foi a participação de Alexander Kristoff no Tour, salientou-se o rendimento exemplar de Tiago Machado na frente do pelotão. O português foi, desculpem-me novamente o asneirão, do CARALHO nestes 21 dias de prova! Os doutos experts de sofá não compreendem a dureza que estes homens passam diariamente na estrada. Como não compreendem a dureza, porque nunca a viveram (nem nos grandfondos, nem no cicloturismo, nem nos raids de adolescência à serra do Caramulo, périplo que executei durante anos a fio nas férias de verão, diariamente, ao sol, à chuva, sem um remendo para a câmara do pneu caso furasse, sem uma câmara sobresselente, por vezes sem telemóvel para pedir auxilio caso caísse em estradas por onde passam carros de hora a hora) não imaginam o que é marcar ritmo à frente do pelotão durante 100 km! 100 km! Não imaginam o desgaste energético ao qual é submetido diariamente este atleta. Aliás, se imaginassem e se tentassem, creio que muitos não estariam neste mundo para destilar o fel que destilam porque provavelmente cairiam para o lado ao fim de 3 km. 

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No seguimento do post de ontem. Dia após dia, este tem sido invariavelmente o cenário na dianteira do pelotão. É possível não admirar e não enaltecer o estupendo esforço que este homem (Tiago Machado) tem depositado na estrada, etapa após etapa, para que a sua equipa, em geral, e o seu sprinter e chefe-de-fila Alexander Kristoff, em particular, conquistem o seu principal objectivo na prova?

A sobriedade de Tiago Machado

Quando eu era petiz, havia determinados aspectos que também não percebia no ciclismo. Essas incompreensões sobre alguns aspectos da modalidade não eram, ao contrário do que usualmente acontece com as crianças, fruto de algum desconhecimento técnico ou táctico sobre a modalidade, porque desde cedo desenvolvi um especial interesse pelas acções e características de todos os corredores, pelas decisões tácticas e estratégias que eram tomadas pelos seus directores desportivos, e pelo próprio contexto de evolução da modalidade – como sempre fui uma criança curiosa, sempre que queria saber mais sobre determinado corredor ou sobre determinada equipa, socorria-me das muletas que tinha mais à mão: o meu pai e o meu avô. Mais o meu avô porque o meu pai não acompanha regularmente a modalidade desde há 2 décadas a esta parte.

Essa incompreensão surgia quase sempre em virtude do contexto da temporada em questão: não percebia o porquê do José Maria Jimenez não ser o chefe-de-fila da Banesto, não percebia, por exemplo a razão pela qual o Michelle Bartoli (o melhor puncheur dos anos 90) não corria regularmente provas por etapas ou a razão pela qual o Pavel Tonkov não aparecia no Tour de France. Na altura, confesso que desconhecia por completo o indispensável planeamento que era realizado por todas as equipas no início da cada temporada. Nada mais natural para uma criança de 7 ou 8 anos. A falta de informação sobre o que se passava lá fora também não nos ajudava a perceber quais eram os objectivos que todas as equipas traziam para as grandes voltas.  Continuar a ler “A sobriedade de Tiago Machado”

Tour de France – Etapas 1 e 2 – Geraint Thomas vence o crono de abertura com alguma surpresa; Marcel Kittel arrecada a vitória na chegada a Liège

A 104ª edição do Tour de França arrancou oficialmente para a estrada durante a tarde de ontem em Dusseldorf. Naquela cidade alemã, os 180 ciclistas em prova puderam cumprir, numa complicada secção de luta contra o relógio, os primeiros 14 dos 3540 km designados para a prova pela Amaury Sports Organization (ASO). Perante condições atmosféricas muito difíceis que obrigaram os ciclistas à adopção de posturas de corrida muito cautelosas, especialmente nas múltiplas viragens que o perfil de etapa oferecia, o galês Geraint Thomas (Sky) venceu com alguma surpresa (quando toda a gente previa a mais que provável vitória do campeão do mundo Tony Martin) o primeiro contra-relógio dos dois previstos para as 21 etapas, no dia que ficou marcado pela aparatosa queda que retirou Alejandre Valverde de combate. O espanhol acabou por sofrer uma queda muito aparatosa numa viragem. A prova ficou assim sem um dos seus principais agitadores.

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Valverde: uma máquina a fabricar títulos!

5 triunfos na Flecha da Valónia, 4 triunfos na  13ª vitória nas ardenas belgas, 15ª vitória nos “5 monumentos do ciclismo” e 23ª em clássicas desde que se tornou profissional em 2001. Utilizando os slogans bastante conhecidos de uma marca de agentes imobiliários do nosso país, se há máquina de conquistar títulos na última década no ciclismo mundial, essa máquina é Alejandro Valverde! Nas ardenas escusam de atacar, de acelerar a corrida, de o convidar a desaparecer, de lhe negar a sua presença e companhia nos grupos, ou de tentar fazer a vida negra à Movistar. O veterano ciclista espanhol é como o rigor da matemática: na horinha de acertar as contas, não falha!

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