A confirmação do meu maior receio em relação à introdução do videoárbitro

Na sequência deste post. Em boa hora pude ir aos meus arquivos resgatar um dos meus escritos sobre esta questão, para realçar que um dos maiores receios que tinha a 6 de Maio, dia em que se soube que a Federação Portuguesa iria introduzir a partir da presente temporada a nova figura do videoárbitro e a nova tecnologia ao seu dispor, residia precisamente na possibilidade dos novos agentes poderem vir a enviesar as decisões que tomam em virtude do recurso a interpretações extensivas ou restritivas (muito subjectivas; enviesadas por motivos de outra índole) da lei. No caso de Eliseu, Vasco Santos usou uma interpretação muito restritiva da lei.

Bastaram portanto 4 semanas para perceber o esquema pelo qual se vai processar ao longo da presente temporada a aplicação da tecnologia nos jogos do Benfica. Sim, o videoárbitro terá uma legislação e um guião de conduta completamente diferente para os jogos do Benfica. Sempre que o objectivo de análise for contra ou favor do Benfica (exemplo: o penalty marcado sobre Jonas) o videoárbitro deve dizer prontamente afirmar ou omitir:

  • Nos lances contra os encarnados  – “não vi”, “não me pareceu”, “não havia motivos para avisar”, “não valia a pena rever”
  • Nos lances a favor – “sim”, “há puxão\agarrão\rasteira”, “não tem intenção de jogar a bola”, “impediu” ou simplesmente tomar uma atitude passiva sempre que o árbitro principal seja pronto a marcar a infracção.
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O Reino da Impunidade volta a fazer escola

“Após ter visto o referido lance, através de diversas imagens que me foram disponibilizadas, entendi no momento não ter existido qualquer agressão ou prática de jogo violento por parte do jogador do Benfica naquela sua ação. Por esse motivo não comuniquei com o árbitro para lhe sugerir que visse as imagens do mesmo.”Vasco Santos em resposta ao Conselho de Disciplina quanto questionado com a pergunta-afirmação: “Em caso de resposta afirmativa, se na avaliação do mesmo, tendo em conta a ação do jogador do Benfica, entenderam não ter existido qualquer agressão ou, noutra hipótese, prática de jogo violento”

Entendo agora a razão pela qual, Vasco Santos, (o tal que tanto se moveu nos bastidores para ser um dos árbitros contemplados com a profissionalização da arbitragem) ainda é, aos 40 anos, segundo o seu o único perfil disponível, o da Wikipédia, um mero Estudante de Engenharia Electrotécnica. Um fraco Estudante de Engenharia Electrotécnica. Não há margem para dúvidas. Ao longo da minha vida universitária conheci vários estudantes de engenharia electrónica. Grande parte dos que conheci estudou até a uma idade compreendida entre os 25 e os 28 anos, facto que deve ser considerado absolutamente normal para a dificuldade e para o grau de exigência do Mestrado em questão. No entanto, confesso que não me lembro de ter conhecido um estudante de Electro de 40 anos. Para Vasco Santos, um lance violento deve ser quicá, talvez, na melhor das hipóteses, um lance que possa manifestar no cérebro do atleta um fenómeno electro-fisiológico anormal temporário, resultante de uma sincronização anormal da actividade elétrica neuronal, fenómeno que designamos vulgarmente como convulsão. Qualquer pancada que não gere uma convulsão ao adversário, é absolutamente normal para Vasco Santos. Como a pancada de Eliseu, dada segundo os mais elementares códigos futebolísticos (qualquer pessoa percebe que uma entrada a pés juntos de um jogador sobre o seu adversário só tem um único objectivo: magoar) só foi capaz de abrir um lenho na perna do jogador, é tudo normal e aceitável. Aos 40 anos, Vasco Santos não concluiu a sua escolaridade mas, com esta resposta, pode fazer escola. Eis a nova doutrina.

O problema é que o que é neste momento normal e aceitável para os árbitros (sem intenção de agredir, sem intenção de molestar, sem intenção de fazer falta) tem sido, para os jogadores do Benfica, um verdadeiro convite para jogar à margem de qualquer lei do jogo. Abre-se aqui um perigoso precedente para o resto do campeonato. Qualquer jogador da formação encarnada terá aqui, nesta decisão, a total garantia que sairá impune de qualquer atitude violenta que venha a realizar dentro de campo.

Veja-se o que aconteceu em Vila do Conde no lance entre Pizzi e Geraldes. Recorde-se a acção violenta que o médio do Benfica teve no passado perante Daniel Podence na final da Taça da Liga:

Não deixa de ser caricato por outro lado, a estranha fixação do médio encarnado nos jogadores do Sporting Clube de Portugal. Primeiro Daniel Podence, jogador que à data já tinha regresso marcado para Alvalade. Agora Francisco Geraldes, um dos maiores activos de futuro que é possuído pelo clube.