O golo do dia

Muitos deverão ter sido aqueles que ao ver estas imagens deverão ter pensado nos benefícios que o novo modelo de Conceição ganharia com André Silva na área. Muitos. Inimagináveis benefícios. Com Óliver muito próximo da área ou até a entrar dentro da área nos espaços livres que constrói com movimentos que provocam situações de ruptura nas defesas adversárias, seja através de movimentos divergentes ou verticais conforme aqui pudemos ver contra o Estoril, com o intuito expresso de criar situações para os pontas-de-lança, ou até para as entradas (de trás) de um jogador como Brahimi, com um Aboubakar que sai muito bem da área para participar no momento de construção (promovendo os arrastamentos que permitem a um avançado mais de área entrar nos espaços deixados em vazio pelo arrastamento promovido), podendo porém vir a ter outro papel, o de municiador do ponta-de-lança (bastará receber, tentar rodar sobre o defesa e procurar servir a desmarcação para as costas) e com dois laterais que cruzam extraordinariamente bem, André Silva teria muito a ganhar e o próprio Porto poderia ter ganho mais do que o valor que ganhou com transferência.

P.S: Pelos vistos, o jogador perdeu em Itália alguns dos vícios adquiridos no Porto. Se este lance se passasse em Portugal, André Silva jamais teria marcado o golo. Teria caído ao chão e teria ficado a pedir grande penalidade ao árbitro. 

Os golos do dia

Como já tive oportunidade de dizer, tenho apreciado a construção de equipa que Sérgio Conceição tem realizado nas primeiras semanas da nova temporada. Este Porto aparece em Agosto com mais sumo de futebol do que aquele que alguma vez teve com Nuno Espírito Santo. Os princípios de jogo pelos quais a equipa está a reger o seu plano ofensivo são bem elaborados (muitas entradas dos dois médios centros no bloco adversário em ataque organizado, em especial, nos momentos em que Brahimi é chamado a construir; entrada dos extremos no jogo interior; Aboubakar sempre disponível para se mover no sentido de participar na construção das jogadas; laterais sempre bem projectados, boa interligação entre Óliver e Alex Telles; se os extremos assumem um posicionamento mais interior, a entrada dos laterais cria momentos de sobreposição se estes não forem devidamente acompanhados pelos extremos\médios ala adversários; a equipa ganhou outra profundidade com a entrada de Marega) e no capítulo defensivo, existe uma especial preocupação para sair imediatamente na pressão quando a equipa perde (ou simplesmente não tem) a posse de bola para anular as investidas adversárias e voltar à carga. Continuar a ler “Os golos do dia”

Aspectos positivos e negativos que me agradam\desagradam neste Porto de Sérgio Conceição

  • Transição apoiada e muito dinâmica, na qual todos os jogadores procuram mover-se para oferecer linha de passe e baralhar por completo a defesa adversária. Oliver é o cérebro da construção. Entradas de jogadores entre linhas. Vejam-se por exemplo as movimentações de Brahimi e Corona dentro do bloco adversário ao minuto 1:58.
  • O comportamento de Danilo quando a equipa tem a posse de bola não é uma novidade. Quando o trinco se junta aos centrais num sistema de 3 em posse, permite a abertura dos centrais e a projecção dos laterais no terreno. Os centrais interligam o jogo com o interior (laterais) e a projecção dos laterais permite aos extremos adoptar uma posição mais interior. Conforme o posicionamento que aqui vemos:

A vermelho: os dois laterais (Ricardo e Telles subidos, projectados), Brahimi e Corona, dentro do bloco adversário.

A azul: os centrais a interligar rapidamente o jogo com os laterais.

A preto: o espaço dado pelo lateral do Portimonense. Pode ser atacado rapidamente pelo lateral do Porto ou pode dar azo rapidamente a um 1×2 em virtude do posicionamento de Corona. Bastará que o extremo se aproxime e tabele para colocar o seu lateral com possibilidade de cruzar sem oposição ou lançar Aboubakar na área.

A defesa do Portimonense irá ser naturalmente arrastada para o flanco esquerdo. Se eventualmente o lateral devolver o passe ao central, este pode tentar variar imediatamente para o outro lateral.

  • Os triângulos nas alas oferecidos pelos avançados ou pela entrada dos médios interiores nos corredores. Superioridade numérica no seu expoente, sem que os avançados descurem o trabalho de área que tem que realizar:

Soares

Herrera

Herrera\André André – excelente incursão sem bola deste último para o espaço vazio para o qual Hernani vai passar. Adorei este lance. Excelente futebol.

  • Pressão média (a caminhar naturalmente para o modelo de Conceição, ou seja média\alta no meio-campo adversário, logo à saída de jogo) algo eficaz mas com uma pescadinha de rabo na boca.

Nesta jogada (minuto 5:55 do vídeo) Alex Telles está claramente a dormir. O posicionamento do lateral obriga a equipa a meter um jogador adicional no momento de pressão ao adversário. Os jogadores da formação algarvia conseguem retirar a bola da zona de pressão, para a entrada de um jogador numa posição que não está ocupada. Acresce o facto de Danilo estar ligeiramente mal posicionado. Nem está perto o suficiente para cortar logo o tempo e o espaço para pensar e executar ao jogador nem está a fazer a marcação ao avançado.

O desequilíbrio está criado. Ricardo Pessoa tem duas linhas de passe. Na esquerda (Ricardo foi obrigado a vir ao meio compensar) e no próprio avançado. Optou e bem pela colocação da bola no flanco esquerdo.

Ou muito me engano ou este Porto será muito permeável assim que as equipas adversárias conseguirem ultrapassar a pressão que é executada pela sua linha média.

  • Os laterais encontram em demasia aos centrais e dão muito espaço.

A única excepção é, para já, Maxi.

Que lindo!

Que bem joga o Porto de Sérgio Conceição! Dinâmica, mobilidade na procura de vir receber o passe do colega e dar rapidamente para o apoio mais próximo (primeiro Aboubakar\ depois Otávio), inversão do sentido de jogo, apoio para dar continuidade à jogada, criação de um engodo no interior com a entrada de dois jogadores no bloco adversário, de forma a criar novos problemas à defesa (veja-se a saída do lateral direito da sua posição para pressionar Otávio; o arrastamento abre o espaço que permite a situação de sobreposição e por conseguinte a oportunidade para a assistência) e o corte de Otávio pelas costas da defesa como nada se passasse, inserindo-se sem qualquer oposição em zona de finalização. Tudo ao primeiro toque. Fantástico! Fiquei encantado com esta jogada!

Os golos do dia

O golo do médio centro dos Camarões Andre Franck Zambo Anguissa (Olympique de Marselha) frente à selecção australiana no empate somado pelas duas equipas na partida disputada em São Petersburgo.

Relativamente ao lance do golo destaco o passe fenomenal do central Michael Ngadeu-Ngadjui para a entrada de Anguissa junto ao central australiano Milos Degenek e o sentido de oportunidade do jogador do Marselha quando se apercebeu que o guardião australiano Matthew Ryan iria chegar atrasado aquela bola. Ao aproveitar o facto da bola ter caído “em terra de ninguém”, o jogador camaronês aproveitou claramente uma situação de falta de comunicação entre o central e o guarda-redes da selecção australiana para ser feliz. Degenek confiou. O central pensava que seria mais rápido a chegar aquela bola. Como tal, não pediu a Ryan para sair. Como não saiu atempadamente, o guardião australiano que no presente defeso foi adquirido pelo recém-promovido à Premier League Brighton and Albion, foi apanhado em contrapé na jogada.

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