A grande área da irracionalidade

1, 2, 3, 9! 9 foram os lances de área que o Sporting construiu ao longo dos 90 minutos.

Em todos, faltou isto e aquilo. Não tirando qualquer mérito aos centrais adversários (porque os centrais do Setúbal fizeram a melhor exibição possível em Alvalade; não estiveram perfeitos mas fizeram uma boa exibição ao nível da marcação; cortaram, aliviaram, estorvaram acções) faltou imensa racionalidade aos avançados (e extremos leoninos) na hora de finalizar. Sabemos que naquele tipo de lances, o curtíssimo espaço de tempo que é dado aos jogadores (pelos adversários; uma espécie de “ou matas, ou a acção morre”) para tomar decisões, influencia a decisão que o jogador toma. Na área, qualquer jogador também precisa de um pico de técnica (no acto de recepção), de agilidade (na capacidade de transformar rapidamente a recepção no remate)e de destreza atlética naquela bola que se vai buscar literalmente ao arco da velha. Contudo, o factor mais importante para uma finalização continua a ser o cognitivo. Não é portanto à toa que a área é o verdadeiro complexo da irracionalidade. Ao factor tempo (todas as acções estão à partida limitadas na vertente temporal) junta-se a explosiva mas natural ânsia que é sentida no momento em que o jogo tem a bola disponível para tocar fogo. Enquanto alguns jogadores são capazes de tomar a melhor decisão possível no curto espaço de tempo que lhe é dado para pensar e executar em qualquer parte do terreno porque são jogadores inteligentes em todas as decisões que tomam, outros ficam a desejar. Nesse aspecto, Doumbia é um jogador que fica a meu ver algo a desejar, apesar do seu inegável poder de fogo. E essa é por exemplo a diferença em relação a Bas Dost. O costa-marfinense vai com tudo mesmo quando não tem a melhor oportunidade nos pés. O holandês assiste quando sente que não pode finalizar. Continuar a ler “A grande área da irracionalidade”

O fim da linha para Rúben Semedo

O defesa central diz adeus a Alvalade. Assim à primeira vista, os 12 milhões de euros que pagos pelo passe do defesa central por parte do Villareal são, na minha modesta opinião, um imaginável encaixe para os cofres de Alvalade pelo jogador em questão e confirmam dois aspectos muito importantes: Continuar a ler “O fim da linha para Rúben Semedo”

O Jornalismo desportivo bateu no fundo

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Colocar um jornalista de cronómetro em punho a rever o Porto vs Vitória de Setúbal para contabilizar os tempos de paragem dos jogadores para saber se existiram ou não motivos para o árbitro da partida dar 12 minutos de compensação no referido jogo é um sinal visível que o jornalismo desportivo português está a bater no fundo. Não posso achar esta infografia menos do que absolutamente ridícula. Qualquer dia veremos o Record a encomendar pelo menos 2000 cronómetros para que os seus trabalhadores possam registar os tempos de paragem de todos os jogos que se disputam no nosso país de forma a encherem pelo menos 10 páginas com a detalhada informação no que concerne a este aspecto.

São este tipo de notícias que me causam a repulsa aqui descrita. Para além de desnecessárias, porque não acrescentam qualquer conhecimento ao leitor, este tipo de notícias só servem para aumentar o clima de crispação existente no futebol português. O jornalismo desportivo está efectivamente doente no nosso país. E não há ninguém capaz de travar esta marcha sensacionalista que não cumpre os principais requisitos da profissão: informar bem e com a qualidade.

A inversão da lógica

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Afinal, nem Fernando Oliveira tinha razão: o Vitória de Setúbal é que mesmo o “abono de família” do Benfica. Algo subitamente aconteceu durante o intervalo do Dragão. Já se sabia que este Vitória de Setúbal de José Couceiro é uma equipa muito forte a defender nos últimos 30 metros porque tem uma defesa (principalmente os centrais) muito sólida. Se os sadinos defendessem tão bem durante todo o campeonato como defenderam nos jogos contra os grandes e fossem tão cínicos em todos os jogos como foram nos jogos contra os grandes, seriam, de forma surpreendente, campeões nacionais.

Declarações muito perigosas

Em vésperas de eleições para a presidência do clube, o Correio da Manhã decidiu (ou terá o candidato pago?) dar palco ao actual presidente do Vitória de Setúbal. Num trecho da entrevista, Fernando Oliveira decidiu proferir a seguinte afirmação:

“Precisamos sempre de dinheiro pois pagamos dívidas que têm 12 anos. As receitas são menores. As receitas de bilheteira só rendem se for o Benfica e o Sporting se estiver bem, o FC Porto nem conta. Mas é o Benfica que é o nosso abono de família. E ficamos por aí”

O problema é mesmo esse: as dívidas. Grossa fatia em débito ao estado, dividas contraídas durante o mandato de Fernando Oliveira. As dívidas do clube ao Estado (AT, Segurança Social) assim como o conhecimento geral de que este clube é um dos que coloca os seus jogadores a assinar fichas para a Liga em como até aquela data receberam tudo a que contratualmente têm direito levam-me a questionar como é que este clube conseguiu escapar durante tantos anos à despromoção para os campeonatos distritais por via da secretaria ou da justiça, desportiva ou administrativa. Mas não é sobre isso que vos venho escrever. Essas dou de barato assim como dou de barato a protecção (a roçar a ilegalidade) que a Câmara Municipal de Setúbal deu ao clube no “caso dos terrenos” do Bonfim”. No Vitória de Setúbal, entre o deve e o haver ainda sobre algum bocado… para o ser presidente comportar-se desta maneira em público como um verdadeiro sacana!

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