Michele Scarponi (1979-2017)

O mundo do ciclismo acordou em choque com a notícia do falecimento de Michele Scarponi. O campeoníssimo italiano de 37 anos faleceu durante esta manhã, vítima de um atropelamento quando realizava o seu treino matinal. Ainda ontem o corredor transalpino da Astana tinha finalizado a sua participação no Tour of the Alps com um honroso 4º lugar e com uma vitória em etapa, algo que lhe escapava desde 2013.

A notícia do falecimento de Scarponi é uma notícia que obviamente me entristece visto que um dos ciclistas que mais admirei nos últimos anos e em quem depositava algumas esperanças para a próxima edição do Giro de Itália, prova que este ganhou em 2011 quando corria na extinta Lampre. Ainda na segunda-feira escrevi a propósito da sua vitória no Tour of the Alps que acreditava que este poderia lutar por um top 10 na maior prova do calendário velocipédico transalpino: “A vitória do italiano é um bom prenúncio para as etapas de média e alta montanha que se seguem e é de certa forma sinal que Scarponi quer preparar bem a sua participação no Giro para quem sabe tentar batalhar por um lugar no top 10.”

Para a história fica um corredor muito completo, um verdadeiro all-arounder que combinava bem várias características: bom trepador, bom puncheur e bom finalizador de etapas. Isso permitia-lhe lutar por corridas de 1 semana, por corridas de 3 semanas e por clássicas de 1 dia.

Dono de um fantástico palmarés aos 37 anos, palmarés que inclui 38 vitórias divididas por 25 vitórias em etapas, 8 vitórias em gerais individuais (Giro de Itália, Giro del Trentino, Volta à Catalunha, Tirreno-Adriático) e 4 vitórias em classificações por pontos, entre 2009 e 2011, Michele Scarponi atingiu o topo do ciclismo mundial. Foi durante esse período que o ciclista trocou a Androni, equipa pela qual correu durante 2 temporadas pela Lampre, equipa que liderou como chefe-de-fila absoluto até à chegada de Rui Costa em 2013. Nesse ano, o corredor transferiu-se para a Astana, equipa pela qual correu até ao fatídico dia de hoje.

Volta à Catalunha – O “comeback” de Alejandro Valverde

Após a vitória ao sprint por parte de Nacer Bouhanni na etapa 4, a Volta à Catalunha voltou aos terrenos inclinados daquela região espanhola na etapa 5. Numa etapa com o final marcado para uma chegada em alto em Lo Port (subida que foi aposta da organização da prova pela 3ª vez) aqueles que puderam ver a subida final puderam finalmente ter direito ao espectáculo depois do fim algo tristonho (muito calculista, na verdade) apresentado pelos favoritos à vitória na geral na chegada ao alto de La Molina na etapa 3. Alejandro Valverde voltou a confirmar que estava com vontade de recuperar o minuto que perdeu no contra-relógio colectivo na 2ª etapa da prova devido à controversa mas justa decisão da UCI motivada pelo impulso de Rojas a um companheiro de equipa da Movistar. O espanhol voltou a confirmar o excelente início de temporada que está a realizar (5 vitórias em 13 dias de competição) e continua justamente a ser o rei das Voltas de 1 semana. Os anos realmente não passam por este portento que pecou apenas em não ter vencido o seu maior objectivo de carreira: o Tour. A prova francesa será efectivamente o maior fracasso da carreira de um ciclista que ficará no passeio da glória do ciclismo.

A etapa não revelaria contudo uma Movistar ao ataque, antes pelo contrário. Na ascensão final, a equipa comandada por Eusébio Unzué entregou o esforço de corrida à Sky de Chris Froome (o inglês caiu nos primeiros quilómetros da etapa; apesar de não ter tido dificuldades para se recolocar no pelotão, a queda chegou a assustar os responsáveis da equipa inglesa) e à Trek de Alberto Contador. Não se tratou de uma decisão por falta de unidades porque Valverde acabou por ter os seus dois gregários de luxo em acção. Tanto Ruben Fernandez como Marc Soler (abençoado com uma presença no pódio da prova durante o dia de hoje) apareceram para ajudar o seu líder a alcançar os seus objectivos quando ele mais precisou. A retracção da Movistar deveu-se simplesmente a uma opção táctica. O risco assumido em não endurecer a corrida, corrida que acabou por ser endurecida com muita voracidade por Mikel Landa (Sky) e por Bauke Mollema (Trek) acabou por resultar para o lado de Valverde. O espanhol guardou todas as suas energias para ir ao choque quando Alberto Contador tentou dar um golpe final na corrida (partida por Bauke Mollema; o trabalho do holandês arrumou com grande parte dos trepadores presentes no grupo da frente; Tejay Van Garderen ficou sem resposta possível, acabando por perder tempo que lhe custaria a liderança da prova no final da etapa), acabando por sobressair novamente a sua poderosa ponta final para bater o seu compatriota da Trek.

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Volta à Catalunha – Uma decisão controversa e a vingança de Valverde

Após a vitória de David Cimolai na primeira etapa da prova, a 2ª etapa da Volta à Catalunha apresentou o primeiro grande desafio aos candidatos à vitória na geral da prova e às suas equipas: um contra-relógio colectivo longo em Banyoles. A Movistar de Alejandro Valverde foi a equipa mais rápida na estrada mas a vitória haveria de ser retirada pela UCI na sequência de um protesto por parte da equipa BMC, a 2ª classificada no crono.

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