Bloco de Notas da História #29 – Hoje é dia de subida à Torre

torre

23 anos decorridos sobre a mais espectacular Subida à Torre a que pude assistir em 30 anos de vida. Quem não se lembra daquele titânico duelo no nevoeiro entre Vítor Gamito, Joaquim Gomes e Orlando Rodrigues?

Nessa tarde, em pleno mês de Agosto estavam 2 graus negativos no Alto da Torre. O cerrado nevoeiro que se formou não permitia a qualquer ciclista ter um campo de visão nítido à distância de 5 metros. Os próprios motards, responsáveis pelos operadores de câmara que estavam a realizar a cobertura televisiva foram obrigados a ter que circular com muita cautela, tal era a cortina de nevoeiro presente ao longo da subida. Joaquim Gomes, Vítor Gamito e Orlando Rodrigues deverão ter feito nesse dia, uma das melhores, senão a melhor etapa das suas carreiras. O duelo travado pelo trio serra acima foi aceso, foi cheio de emoção. Exaustos, os homens atacaram-se como se não existisse amanhã. Quando Joaquim Gomes venceu a etapa, eu chorei. Era fã de Orlando Rodrigues. Gomes, o actual director da Volta, ciclista que na altura representava o Boavista, foi o primeiro a cortar a meta no alto da Torre. Decorridos 5 ou 6 anos sobre essa mágica volta de 1994, tive o privilégio de poder trocar algumas palavras com o ciclista sobre essa etapa. Quando me foi apresentado (na altura, Gomes já gozava a sua “reforma dourada” ao serviço da mítica LA-Pecol) num primeiro momento, não o queria conhecer: “Olha, está aqui o Joaquim Gomes” – disse o meu pai. “Mas, mas, eu sou fã do Orlando! Eu não gosto do Joaquim Gomes” – respondi, à frente do ciclista.

Eis que Joaquim Gomes, como grande campeão que era, respondeu-me  “O Orlando é um grande campeão. Tão ou mais campeão que eu. Tu também és um grande campeão” – dei-lhe o meu boné para assinar e fui à minha vida.

Uns anos mais tarde, à guisa da Pecol, também pude conhecer o Orlando e o Cândido Barbosa. De trato menos afável que Joaquim Gomes, lembro-me perfeitamente da aspereza com que ambos responderam às curiosas perguntas que lhes fui fazendo sobre a Banesto, a minha equipa favorita na época e sobre os meus grandes ídolos de então: Indurain, Jimenez, Chente Garcia Acosta, Manuel Beltrán, Francisco Mancebo e Alex Zulle.

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As imagens do dia

“Honestamente, a sensação é indescritível. Sofri muito para aqui chegar e festejar tão efusivamente esta que foi uma vitória tão importante para mim. Senti no povo e nas pessoas que andam aqui na Volta a Portugal que esta vitória não foi só minha, foi de tanta gente porque, independentemente de tudo, são 20 anos de profissionalismo, são 20 anos de dedicação, de luta, de garra, de trabalhar afincadamente para chegar à Volta a Portugal e fazer a melhor prestação possível.” – Rui Sousa, 10-08-2017 Continuar a ler “As imagens do dia”