Binckbank Tour – Etapas 3 e 4 –

O suspense na chegada a Ardooie. Os derradeiros 15 km da 3ª etapa foram de verdadeira adrenalina. A cada viragem, o perigo espreitou e o nervosismo instalou-se no pelotão. A mistura explosiva fabricada pelas acentuadas viragens, pelo estreitamento da via em alguns sectores da parte final, pelo terrível s colocado a 1,5 km da metade e pelos pequenos aguaceiros que se fizeram sentir na parte final, levaram as equipas a puxar a adoptar aquela postura irracional que normalmente nunca dá bons resultados. A queda de 4 corredores no referido s (sem consequências de maior para a integridade física dos atletas em causa) foi um mal menor. Assim que vi a primeira passagem pela meta pensei que a coisa poderia redundar numa queda colectiva de proporções dramáticas. Este tipo de chegadas trazem espectacularidade à prova, porque obrigam as equipas a lutar, metro a metro, pela dianteira do pelotão, mas por outro lado, contém uma alta percentagem de risco. Continuar a ler “Binckbank Tour – Etapas 3 e 4 –”

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Tour de France – 20ª e 21ª etapa – O inevitável epílogo

A 50 metros de fechar a 4ª vitória no Tour, Chris Froome mostrou um raro sorriso. Sem manifestar muito entusiasmo, aquele natural entusiasmo de quem acabara de escrever mais uma página de História na sua vida, na vida da prova que acabara de vencer, e até na modalidade em que é indiscutivelmente um dos Grandes, o britânico esticou o braço, ergueu o punho e tratou de dar uma pancada nas costas ao seu fiel escudeiro Michal Kwiatkowski. “Missão cumprida” – deverá ter pensado momentaneamente o britânico quando decidiu ter aquele gesto de carinho para com um ciclista que teria, em condições naturais, com uma equipa minimamente interessante às costas, capacidade para lutar por um lugar no top10 da geral individual. No fundo, quem é que desta equipa não teria capacidades para lutar pelo top10? Landa. Nieve. Henao. Kwiat. Thomas. Até o próprio Nieve se lhe fossem concedidas possibilidades para trabalhar no sentido de se apresentar na forma francesa em forma e com objectivos em mente.

Esta vitória foi efectivamente mais dura que as anteriores. O conjunto de situações que retiraram 2 dos principais rivais da prova foram só duas condicionantes que atenuaram o caminho ao britânico. Bardet, Uran e Aru foram, em momentos distintos da corrida, ossos duros de roer para o super ciclista. O inglês passou no exame. Desta vez o ciclista inglês nascido no Quénia, não foi obrigado (e em muitas etapas os adversários não o permitiram) a pintar a corrida com a sua indelével marca de água. Não vimos um Froome expansivo. Não vimos um Froome aventureiro. Vimos um Froome calculista e bem secundado por uma equipa escolhida a dedo que não cometeu grandes falhas nos momentos cruciais da prova. O colombiano, 2º classificado da geral, o francês da AG2R, o italiano da Astana e outros ciclistas como Daniel Martin, Barguil, Simon Yates, deram mostras sólidas daquilo que podem vir a realizar no futuro. Para o ano podemos ter Mikel Landa a correr por outra equipa porque nota-se a milhas que o espanhol não está contente com o seu papel dentro da equipa Sky. Tom Dumoulin, será, ao que tudo indica, a aposta da Sunweb para o Tour do próximo ano. O holandês poderá ser, em virtude da sua combatividade na alta montanha, do seu calculismo apurado, e da versatilidade provida pela sua altíssima especialidade no contra-relógio, a autêntica sombra de Froome nas próximas edições da prova francesa. Richie Porte também aparecerá em 2018 mais forte. O australiano deverá querer decerto fintar o azar que o vitimou na edição deste ano de forma tão precoce quando a corrida estava definitivamente a abrir. O australiano é louco o suficiente para tentar, tentar, tentar até aos 45 anos e só irá ficar satisfeito quando puder vencer o Tour. Alejandro Valverde poderá efectivamente não voltar à prova francesa mas Nairo Quintana não será o modesto NairoMan que vimos, fruto do cansaço acumulado devido à participação no Giro, na prova deste ano. Thibaut Pinot também deverá apostar à séria na edição de 2018, para vingar o mau desempenho geral da equipa FDJ na sua “prova rainha” da temporada. A estes nomes irão naturalmente acrescentar-se outros da nova geração. Manny Buchmann, Julien Alaphillippe (faltou à chamada por lesão), Adam Yates, Jan Hirt, Pierre Roger Latour, terão o seu espaço para crescer e para brilhar no futuro. O nível vai subir daqui em diante. Froome sabe. Toda a gente que segue esta modalidade, sabe. Vencer uma grande volta será cada vez mais difícil para um ciclista, indiferentemente do seu estatuto e da sua qualidade. O que não falta na hodiernidade da modalidade é talento, competência e vontade no pelotão internacional.

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Tour de France – 6ª etapa – Marcel Kittel bisa na chegada a Troyes

Imagens do último km\sprint final

A prova nos 20 km finais (o vídeo foi interrompido quando faltavam 3 km para a meta).

Em Troyes, o alemão Marcel Kittel voltou a soltar um dos seus sonoros “Ja” – Prima! Wunderbar! Natürlich Kittel! No primeiro sprint da prova sem a presença de Peter Sagan e Mark Cavendish, o ciclista germânico da equipa belga Quickstep levou a melhor sobre os seus rivais na luta pela camisola verde. Vindo de trás, do nada, o alemão realizou uma ponta final fortíssima. Arnaud Demate (FDJ), Andre Greipel (Lotto-Soudal) e Alexander Kristoff (Katusha) tiveram que se contentar, respectivamente, com as posições entre o 2º e o 4º lugar!

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Tour de France – Etapas 1 e 2 – Geraint Thomas vence o crono de abertura com alguma surpresa; Marcel Kittel arrecada a vitória na chegada a Liège

A 104ª edição do Tour de França arrancou oficialmente para a estrada durante a tarde de ontem em Dusseldorf. Naquela cidade alemã, os 180 ciclistas em prova puderam cumprir, numa complicada secção de luta contra o relógio, os primeiros 14 dos 3540 km designados para a prova pela Amaury Sports Organization (ASO). Perante condições atmosféricas muito difíceis que obrigaram os ciclistas à adopção de posturas de corrida muito cautelosas, especialmente nas múltiplas viragens que o perfil de etapa oferecia, o galês Geraint Thomas (Sky) venceu com alguma surpresa (quando toda a gente previa a mais que provável vitória do campeão do mundo Tony Martin) o primeiro contra-relógio dos dois previstos para as 21 etapas, no dia que ficou marcado pela aparatosa queda que retirou Alejandre Valverde de combate. O espanhol acabou por sofrer uma queda muito aparatosa numa viragem. A prova ficou assim sem um dos seus principais agitadores.

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Criterium Dauphiné – Etapa 3 – Amanhã é sempre tarde de mais

Quando a Bora se aproximou da cabeça do pelotão a sensivelmente 5 km da meta, qualquer esforço de perseguição adicional à fuga que viesse a ser somado aos esforços tímidos da Katusha e Dimension Data (1\2 unidades) e ao esforço completo da FDJ iria soar, no mínimo, a uma atitude tardia face à apatia demonstrada por várias equipas durante a etapa: a fuga do dia estava condenada a vencer! A vitória na 3ª etapa do Criterium Dauphiné foi para o jovem Koem Bouwman da Lotto-Jumbo, corredor que já tinha tentado a sua sorte na etapa inaugural da prova. Continuar a ler “Criterium Dauphiné – Etapa 3 – Amanhã é sempre tarde de mais”

Simon Yates vence no espectáculo de Richie Porte na Romândia

Na etapa entre Domdidier e Leysin (165,2 km), as subidas finais de 1ª categoria ao Col de Pillon e Leysin (em teoria 6 km de subida, sendo apenas 4,8 os contabilizados para a categorização do Prémio da Montanha; o último quilómetro apresentava uma inclinação média de 6,5%) assumiam-se à partida para a etapa (e até para a prova) como os momentos ideiais para os trepadores realizarem diferenças na montanha. Num duelo entre Simon Yates (Orica; atacou primeiro no final do Pillon) e Richie Porte (atacou logo na início da subida final para ir em busca do grupo que rodava na frente e assim estabelecer diferenças para os mais directos concorrentes), o ciclista da Orica levou a melhor, partindo para a etapa final, um contrarelógio, com 19 segundos de avanço para o ciclista da BMC.  Continuar a ler “Simon Yates vence no espectáculo de Richie Porte na Romândia”

Michael Albasini leva a primeira da Volta à Romandia

A jogar bem perto do seu local de nascimento (Mendisio, no cantão “italiano” de Ticino) o veterano puncheur de 36 anos da Orica deu uma alegria aos seus conterrâneos na primeira tirada em linha da Volta à Romândia. Numa chegada praticamente em alto a Champéry (subida final de média dificuldade, com 14,4 km de extensão com uma inclinação média de 8% e algumas partes em descida) o suíço conseguiu ser mais forte que Diego Ulissi (UAE) no sprint disputado por um grupo de aproximadamente 50 unidades.
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