Os golos do dia (1ª parte)

Começo pela sensacional reviravolta operada pelos Hammers de Slaven Bilic (a imprensa britânica decidiu qualificar esta vitória como um glorioso momento no qual os jogadores londrinos foram buscar engenho e forças ao fundo do poço para resgatar o seu treinador; técnico que estaria certamente por horas em caso de derrota, em virtude dos maus resultados que a equipa tem averbado para a Premier; Bilic rejeitou no entanto a crítica que lhe foi feita pela imprensa em relação ao estado de forma física da equipa) no derby londrino realizado na quarta-feira à noite frente ao Tottenham de Pocchettino em jogo a contar para os oitavos-de-final da Taça da Liga Inglesa.

A coisa não começou manifestamente bem para os Hammers no capítulo da organização da pressão, e da organização defensiva. Nos primeiros minutos da partida Bilic mandou subiu o bloco, colocando a sua defesa apontada na linha divisória do meio-campo, de forma a fazer subir as duas linhas que jogam à sua frente no terreno para pressionar em terrenos adiantados a saída para o jogo do adversário, estratégia que visou sobretudo a prossecução de 3 objectivos muito básicos: em primeiro lugar, impedir impedir que a formação de Maurício Pocchetino pudesse dominar a partida através da posse no seu meio-campo. Em segundo lugar, a estratégia inicial traçada pelo croata visou impedir que a formação de Pocchettino pudesse sair no contra-ataque, transição na qual os Spurs se tem revelado muito eficazes nos últimos jogos. Em terceiro lugar, a pressão alta poderia permitir à sua formação recuperar bolas para manter viva a sua iniciativa no meio-campo adversário, obrigando o adversário a encolher-se nos seu último reduto.

O primeiro golo do Tottenham nasce de um conjunto de erros cometidos pelos jogadores de West Ham na pressão e no capítulo da transição e organização defensiva.

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Queriam o quê? Parte da perna esquerda de William? Um tecido da pele do antebraço? Ou queriam o Jubas?

william carvalho 2

Uma presunção. Só posso tomar isto, divulgado pela Sky Sports, como uma presunção. Uns presunção à inglesa. Os ingleses olharam para o histórico de transferências do Sporting e como viram que “uns patos” que por lá andavam no passado acharam que 12,5 milhões (se Ronaldo fosse vendido hoje, às cegas, sem se conhecer o percurso que o craque construiu na última década, inflaccionado que está o mercado, e ávidos que estão certos clubes em dar tudo o que for preciso por talento, valeria seguramente 100 milhões de euros) era o valor justo a pagar por um colosso cheio de notas pela transferência de um jovem que tinha na noite anterior humilhado uma série de veteranos de 1ª liga mundial, presumiram que os dirigentes do Sporting, mais concretamente o seu presidente e administrador da SAD era um patinho de igual estirpe.

Como se a proposta por um dos médios mais completos do futebol mundial, campeão europeu, jogador que é fantástico a desarmar, a interceptar, a jogar de cabeça levantada, a definir na construção, a queimar linhas com a bola, a lançar o ataque, a lançar em profundidade, a procurar o jogo interior com o seu passe vertical, não fosse per se suficientemente ridícula em virtude ao valor de mercado do jogador e ao valor pedido (eu até acho que os 40 milhões pedidos estão bem abaixo daquilo que o jogador vale actualmente) pelo Sporting (ah e tal, é a nossa maior contratação; vamos colocá-lo sempre em jogo não é? Não não é. Basta que o jogador falhe por opção estratégica meia dúzia de jogos para as Taças para os ingleses se reservarem a não pagar mais um chavo em variáveis) os inglezinhos ainda acharam que seria, de bom tom, para persuadir a direcção do Sporting a decidir-se rapidamente pela oferta (perdão, pela caridadezinha que eles estavam ali a prestar ao clube de 3º mundo; pensam eles! eu resolvia a coisa à inglesa com um convite para um duelo em Alvalade, a valer uma aposta de 10 milhões de euros, a pronto!) com uma chantagem barata (ou nos dão rapidamente o Rei William ou então vamos ali buscar um gajo qualquer às reservas do PSG porque à equipa principal não temos poderio para). Não deixa de ser engraçado. Se este email foi alegadamente enviado a 11 de Agosto para a SAD leonina, o West Ham teve 20 dias para ir buscar o tal jogador ao PSG…

Não meus amigos! O Sporting já não é dirigido por Patos, não tem neste momento qualquer protocolo com a Zara (não entra em saldos assim que o produto se acumula em stock) e tanto o presidente do Sporting como os seus administradores tem demonstrado ao longo dos últimos anos um domínio perfeito dos pilares da negociação (principalmente o factor tempo), domínio que lhes permite agora liderar os processos negocial. A proposta, muito sinceramente, até fica bastante mal aos pergaminhos históricos operários do vosso clube. Quer dizer, por um lado, os vossos adeptos andam embrenhados nos sindicatos a pressionar o patronato para obter melhores salários, melhores condições de trabalho, a redução da carga laboral, mais regalias ao nível de saúde, enquanto os dirigentes andam a tentar explorar (a exploração do homem pelo homem) os mais fracos com propostas, bem, com propostas que na melhor das hipóteses conseguiam persuadir a direcção do Sporting a deixar sair (com sorte, se nós os adeptos deixássemos) o Jubas para jogar ao lado do Kouyaté no meio-campo.

De Lisboa a Londres: mais de duas semanas de viagem.

william carvalho

Deveremos ter regressado ao Século XIX. A notícia de uma venda está a demorar mais de 2 semanas a sair e o jogador, cá para mim, foi para Londres montado num burro. Só assim se explica o facto de ter saído de Portugal há 2 semanas e ainda não ter chegado a Londres.

Sai, não sai. Sim, não. Já tem acordo, não tem acordo. Já assinou um pré-acordo, afinal, não assinou nada. O Sporting começou por pedir 45 milhões. Agora pede 38. Ainda pode descer aos 35. Se o West Ham continuar o braço de ferro, talvez o dê de borla. Mas o West Ham não quer passar dos 30. Perdão, dos 35. E ainda querem levar Adrien e Palhinha num pack por 30 milhões de euros. Não, afinal são 22 e eles ainda dão o Cheikhou Kouyaté. à troca. Com um bocadinho de sorte também levam 3 ou 4 putos da formação e a fazer jus às mentiras publicadas pelos 3 diários desportivos no mês de Junho, Jorge Jesus vai pro PSG e o Slaven Bilic vem para Alvalade treinar os Juvenis (a verdade é que não tem talento para mais que os Juvenis!). Contudo, os mesmos mentirosos também têm semeado aos sete ventos a existência de um fundo que está a tentar vender o Adrien por 18. Irra. Há 2 semanas que não se escreve noutra coisa na imprensa portuguesa senão na “saída” de William Carvalho para Inglaterra. Como disse uma vez o outro, o que morreu de velho,  “qual é a pressa sentida pela “jornaleiragem” lusa (Carlos Dolbeth; em tudo o que escrevo ou digo, faço sempre questão de mencionar as fontes, Carlos; continuo-te a pedir para teres a coragem de citar as fontes das ideias que aproprias deste blog) para despachar William?”

Cedo de borla a resposta a essa pergunta. Os comandos vermelhos que pairam pelos excitados diários desportivos da capital (os que mais tem apregoado a venda do jogador) querem ver Jorge Jesus num mar de problemas. Tenham calma e relaxem. Jesus antecipou-se à possível saída do jogador. Rodrigo Battaglia não está a entrar à toa no 11 às custas de William. O Sporting já está a precaver a eventual saída do médio. Tudo ficará decidido na quarta-feira: se sai ou se renova contrato como o jogador mais bem pago do plantel leonino.

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O golo do dia

Se na terça-feira, no jogo da Supertaça Europeia, a equipa de José Mourinho apresentou algumas dificuldades para sair no contragolpe naquela fase da partida em que foi remetida ao seu meio-campo em virtude “do jogo de movimentações” dos homens do Real, frente ao West Ham, a saída em transições rápidas foi uma constante ao longo do primeiro tempo. Continuar a ler “O golo do dia”

Phillippe Coutinho – quando meter menos um drible e colocar mais um passe é um sinal de maturidade

Quando pensamos no internacional brasileiro do Liverpool vem-nos à cabeça aquela acção clássica que o brasileiro executa tão bem quando recebe no flanco esquerdo, puxa a bola para o meio, tira 1 ou 2 adversários do caminho antes de rematar em arco. A acção que ao longo dos anos o jogador foi consumando como a sua imagem de marca, é uma faca de dois gumes: quando lhe sai, é algo absolutamente demolidor, provocando golos de estética fineza. Quando não lhe sai, o brasileiro emperra os esforços ofensivos da sua equipa com a sua obstinação. Por vezes, o que separa o canarinho do sucesso é aquele drible a mais, aquele drible que o desenquadra do local correcto para puxar do gatilho ou aquele drible que torna o esférico mais facilmente recuperável. Continuar a ler “Phillippe Coutinho – quando meter menos um drible e colocar mais um passe é um sinal de maturidade”